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Kundera: visões sobre a arte em trabalhos reconhecidos

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Tamanho da fonte: A- A+ 13/08/2013

Autor mergulha em vários campos do saber - música, literatura, cinema. “Se, antigamente, a história avançava mais lentamente do que a vida humana"

O famoso autor de A Insustentável Leveza do Ser e de tantos outros títulos conhecidos já brindou o leitorado com suas análises sobre ficção em A Cortina e A Arte do Romance. Agora, com seu sensível olhar humanista, ele mergulha em vários campos da arte – música, literatura, cinema, artes visuais –, daí surgindo anotações inteligentes sobre a realidade contemporânea.

Com isso, ele passeia com o leitor entre pinturas – começando com Francis Bacon – a enfatizar como “o olhar do pintor se coloca sobre o rosto como uma mão brutal, procurando se apossar de sua essência, desse diamante escondido nas profundezas”. E daí se chega ao lugar em que há “a cômica ausência do cômico”, com o sublinhar sobre o fato de, em O Idiota – de Dostoievski –, os personagens que riem mais são “aqueles que não possuem senso de humor algum”. E, ao mirar a obra clássica de Philip Roth – O professor de desejo –, Kundera desvenda-lhe o sentido do intelectualismo de seus heróis – “todos professores de literatura ou escritores, constantemente meditando sobre Tchekhov, sobre Henry James ou sobre Kafka”.

Dois momentos sobre música seduzem o leitor. O primeiro deles é O sonho de herança integral em Beethoven, com Kundera a relembrar, de início, o quanto Haydn e Mozart ressuscitavam a polifonia em suas composições clássicas, daí anotando que o mesmo aconteceu com Beethoven, logo citando as sonatas para piano, com destaque para a opus 106 e a sonata 110. O segundo momento é um voo profundo sobre as óperas de Janácek.

Ao comentar sobre esquecimentos, Kundera indaga: “O que restará de você, Bertolt?”. E marcantes são seus comentários sobre Carlos Fuentes, Sartre, Camus, Malraux, Gabriel García Márquez, Rabelais e muitos outros. Quando um grande artista exalta outros artistas o mundo fica maior e, de repente, pode-se compreender a velha máxima de Fernando Pessoa: “É a arte, e não a história, que é a mestra da vida”.

 

A humanização dos objetos

“( ...) máquina de escrever metida à besta?/ possibilidades infinitas?/ aliado à internet?/bem pequeno?/ computador, deus do hoje!” (pág. 11).

Graduado em Filosofia e Letras, mestre e doutor, Pedro Pires Bessa, com seus Diálogos Poéticos, vai tratando de várias questões ligadas ao dia a dia. Este segundo volume focaliza a relação entre objetos e seres humanos, dentro da velha noção firmada pela filosofia de que o objeto sempre se constitui em relação com o sujeito.

Ao falar de Internet, por exemplo, Bessa vê nela um lado de “sabedoria mundial, ao alcance de todos”, mas também aí repontam “rede, horríveis ciúmes,/ pedofilia, calúnias, sabotagens,/ utopia da maldade?/ há digitalização na esperança?”. E surge até interessante comparação entre “o super-homem das gerações passadas” e o que “hoje, todos somos, super cybers”, com relevante detalhe: “Super e cyber, porém, ainda homem”.

E como é o jornal em nossas vidas? Bessa logo fala em “efemeridade, comunicação, /velho que saiu ontem!/potentíssimo até o café da manhã!”. E detalha: “Jornal. Mural, impresso, digital, televisivo./nanico convite, potência nacional, mundial (...)”. Como se vê o cinema? “Órfãos da televisão, /Solitários da Internet  / conversa em fila,/ bilheteria e/ excitação,/ solicitação: o filme/ e telão”.
Uma estreita associação entre objeto e homem, com certeza, está em Arquitetura, pois “Gaudy e Niemayer/ e arquitetura e céu,/ – nossa casa,/ feita a nossa imagem e semelhança”. E o tempo que se mede, tem alguma valia? “(...) nada vale o relógio mas / sem ele estou despido/ embaralhado/ em baratos camelôs do tempo”. Bessa parece indagar: “Será que todos somos objetos?”.

 


O TEXTO É NOTÍCIA

*Leandro Narloch acaba de lançar Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, com o timbre da Editora Leya.

*Um livro bem original e muito espirituoso: Como Dizer Adeus em Robô, de Natalie Standiford, com o selo editorial Galera Record.

*Tem uma semente na barriga da mamãe, de Christiane Gribel, pela Global Editora.

*Eu, Fernando Pessoa, em quadrinhos, de Suzana Ventura Guazzelli, pela Editora Peirópolis.

*Um livro escrito por Cecília Meireles quando tinha 17 anos: Espectro, em bom relançamento da Global Editora.

 


O Fluminense


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