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Doença do século XXI, a depressão pode ser combatida

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Marina Rocha 15/12/2013

Segundo a OMS, a depressão é a segunda causa de incapacitação para o trabalho no mundo. Ela afeta o rendimento de todos os setores da vida

Apontada como a doença do século XXI, a depressão ainda é um distúrbio mal compreendido por muitos. As pesquisas em torno dela não param, e, como toda doença da mente, nunca será uma ciência exata. De acordo com estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas, o que corresponde a 5% da população mundial. No Brasil, o número ainda é maior: 10% da população sofrem com o problema.  

O psiquiatra Daniel Paravidino, membro da Associação Brasileira de Psquiatria (ABP), ressalta que as mulheres apresentam risco duas a três vezes maior de desenvolver o transtorno. Ele explica que a depressão é um distúrbio que pode apresentar diferentes manifestações físicas e psíquicas e ensina como reconhecer a doença.  

“Entre os principais sintomas estão humor depressivo, falta de interesse, prejuízo na capacidade de sentir prazer, desânimo, cansaço e lentificação psicomotora. São comuns também afetos e pensamentos negativos, como sentimentos de culpa, baixa autoestima e desesperança. Em geral, as pessoas percebem que alguém está deprimido quando apresenta apatia e tristeza, mas existem casos em que há predomínio de irritabilidade”, pontua.

Ainda segundo o psiquiatra, podem ocorrer outros sintomas, como dificuldade de concentração, comprometimento da memória, ansiedade, alterações no sono ou apetite e diminuição da libido. Para que seja feito o diagnóstico, a sintomatologia tem que ter uma duração mínima de duas semanas. Os motivos que desencadeiam a depressão são os mais variados e Daniel Paravidino descreve alguns deles:

“Pode resultar da complexa interação de processos biológicos (estresse, por exemplo), psicológicos, ambientais e genéticos. São descritas diversas alterações em neurotransmissores, hormonais (desregulação dos hormônios da tireoide, por exemplo) e até mesmo imunológicas, sendo a serotonina o neurotransmissor mais relacionado à patologia. Entre os fatores de risco ambientais, destacam-se o uso de substâncias psicoativas (álcool e drogas), alteração dos ritmos biológicos (privação de sono) e eventos como baixo suporte social e abuso físico e/ou sexual na infância”, enumera Paravidino.

O psiquiatra e diretor regional da ABP, Marcos Gebara, destaca que a depressão pode ser incapacitante. “Segundo a OMS, a depressão é a segunda causa de incapacitação para o trabalho no mundo. Ela afeta o rendimento em todos os setores da vida. A queda da eficiência é massiva. O desinteresse leva ao isolamento e à quebra das relações sociais e afetivas. A baixa auto-estima leva à perda de oportunidade em todos os campos, simplesmente porque a pessoa não acredita em si mesma”, enfatiza.

Para ajudar na identificação e superação do transtorno, o psicanalista niteroiense Lenilson Ferreira criou, há quatro meses, o Grupo de Apoio à Pessoa com Depressão (GAP). São reuniões abertas ao público que acontecem quinzenalmente e dão espaço para quem quiser se informar, conversar e trocar experiências. Lenilson evidencia que ainda há preconceito.

“A depressão é uma doença invisível. Isso faz com que muitas pessoas não entendam que é uma doença real, como qualquer outra, e não uma vontade da pessoa ou drama. Ela é muito conhecida como doença da alma, mas é um distúrbio que afeta a mente, o cérebro e o corpo”, considera.

Lenilson Ferreira esclarece que existem três passos para a cura da depressão: o primeiro é receber informação, o segundo é a conscientização de que se está doente, e o terceiro consiste no tratamento feito através de medicamentos e da psicanálise. O GAP, segundo ele, funciona bem para as duas primeiras etapas.

A estudante de nutrição Ana Luiza Stallonio, de 19 anos, descobriu a depressão após comparecer a uma reunião do GAP. “Desde os 13 anos sinto uma angústia estranha, mas esse ano intensificou. Perdi a vontade de fazer as coisas, não conseguia mais encontrar uma forma de resolver meus problemas, não via saída”, relata a jovem que participa do GAP. “As reuniões ajudam muito na compreensão e percepção da doença. Foi o que me fez ‘cair na real’ e procurar tratamento”, conta.

As reuniões do GAP acontecem na Biblioteca Pública de Niterói. Os próximos encontros serão nos dias 15 e 25 janeiro, às 18 horas e 14 horas, respectivamente. 


O Fluminense


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