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Niterói e Rio garantem vaga em concursos de beleza infantil

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Ana Carolina Mascarenhas e Pamela Araujo 28/01/2013

Pequenas misses são divididas em quatro categorias: baby (3 a 6 anos), mini (7 a 9), mirim (10 a 13) e juvenil (14 a 17). Mães são as principais incentivadoras na carreira das filhas

Até completar a maioridade e poder concorrer à chance de vestir a faixa de Miss Brasil e se tornar uma representante da beleza nacional, o caminho é longo. Mas a preparação pode começar bem cedo, já que com apenas três anos, meninas começam a participar de concursos de beleza – pela desenvoltura ou, muitas vezes, para realizar o sonho dos pais.

Um exemplo é o concurso Miss Rio de Janeiro Mirim e Juvenil, que divide os pimpolhos em quatro categorias: baby (3 a 6 anos), mini (7 a 9), mirim (10 a 13) e juvenil (14 a 17). Em cada uma delas são classificadas seis candidatas aptas a representar o estado a nível nacional: Miss, Miss Beleza, Embaixatriz do Turismo, 1ª Princesa, 2ª Princesa e 3ª Princesa. Também são escolhidas a Miss Simpatia (indicadas pelas próprias candidatas), a Miss Fotogenia (pelos fotógrafos e cinegrafistas) e a Miss Talento (cada candidata demonstra suas aptidões, e um júri técnico escolhe a melhor).

A niteroiense Maria Victórya Manzi, de 7 anos, é a atual 2ª Princesa do Estado do Rio, na categoria mini, título que conquistou no final do ano passado, quando participou do concurso. Ela ainda acumula o título de Mini Miss Niterói 2012. Além disso, a pequena ficou entre as seis finalistas do estado no concurso Rec Miss, organizado pelo Programa do Gugu, da TV Record.

A mãe da pequena miss, a enfermeira Ana Carolina Manzi de Sant’Anna, não imaginava tamanho sucesso da filha nos concursos de beleza.

“Ela sempre foi muito comunicativa, então resolvi colocá-la numa agência quando ela tinha 4 anos. Ela fez alguns trabalhos publicitários até que, aos 5 anos, a produtora Roberta Domingues a viu e a convidou para participar de um concurso de beleza promovido por ela, o Mini Famosinhos. A partir daí, ela começou a participar de outros concursos até conquistar os títulos que tem hoje. Com o último, já pode participar a nível nacional de outros e estamos aguardando a convocação”, relata a mãe.

Ana só lamenta a falta de patrocínio, principalmente do município.

“Infelizmente, as despesas são grandes com estadia, passagens aéreas, confecção de vestidos. Mas vale a pena, já que ela fica feliz. E que mãe não gosta de ver a filha sendo aplaudida. Parte do que ela ganha, a gente guarda em uma poupança”, conta orgulhosa, lembrando, ainda, que a família vira torcida organizada, com faixas, camisas e bandeiras durante as competições.

Questionada sobre a frustração da criança por não conseguir o primeiro lugar – uma das questões levantadas quando assunto é a exposição de crianças em competições de beleza do tipo –, ela responde:

“A maturidade dela, às vezes, me assusta. Ela quer vencer, claro, mas sempre converso com ela que nem sempre isso vai acontecer. E ela compreende”, conta Ana.

A própria Victórya intervém:

“Eu disse para as minhas coleguinhas, antes de entrar na passarela: ‘Não importa quem vai ganhar, já ter chegado aqui é uma vitória para todas nós’”, conta a pequena, que perguntada sobre o que quer ser quando crescer, revela: “Professora, atriz e miss”. E não para por aí: “Quero fazer faculdade de ciências também”.

A menina, que nos concursos faz questão de unhas e cabelos impecáveis, é vaidosa também no dia a dia, mas a mãe fica atenta e procura deixá-la o mais natural possível.

Giovanna Rosa, de 8 anos, é outra pequena miss. Filha do funcionário da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), Cristiano Rosa, Giovanna é a 2ª Mini Miss Brasil Tur 2012, e também participou do Rec Miss como Miss Petrópolis, ficando em 12º lugar entre as candidatas do Rio. Atualmente, acumula ainda o título de Miss Princesa Jacarepaguá 2012.

Ela é o orgulho da família humilde de Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio. A mãe, a funcionária pública Renata Lucas, 35, conta que a menina começou a participar de concursos de miss após ser descoberta num curso de teatro, modelo e manequim. Mas o sonho requer sacrifícios. A falta de recursos financeiros da família fez mãe e filha viajarem 32 horas de ônibus até Salvador, onde aconteceu o Miss Brasil. Pela falta de patrocínio, Renata teve de recusar o convite para a filha disputar o Miss Universo, no Peru.
 
A xará Giovanna Gomes, de 6 anos, é outra que já conhece de perto o universo dos concursos de beleza. Ela é a atual Miss Estado do Rio na categoria baby e Miss Duque de Caxias. A mãe, a autônoma Vanessa dos Santos Gomes, conta que decidiu inscrever a filha após os inúmeros comentários sobre a beleza de Giovanna, já que não havia quem não se encantasse pela loirinha de olhos verdes.

“Ela sempre chamou atenção pela beleza, então resolvi fazer um book, postei algumas fotos nas redes sociais e as pessoas começaram a curtir, comentar, até que o organizador de um curso de miss viu e comentou que ela tinha cara de miss. Ele postou a propaganda do curso e resolvi matriculá-la. O que ela mais gosta é de desfilar e fotografar”, afirma a mãe, ressaltando que procura respeitar a vontade da filha. “Enquanto ela estiver se divertindo, interessada, eu vou continuar. E isto tem acontecido, ela sempre pergunta animada quando vai ser o próximo concurso”, conta.

Também perguntada sobre como prepara a filha para as derrotas, Vanessa diz que procura não usar esse termo.
 
“Ela até agora ainda não perdeu, mas sempre falo para ela dessa possibilidade, que um dia ela vai ganhar e outro não. Ela já viu uma coleguinha chorando porque não ganhou e perguntou para mim: ‘outro dia ela vai ganhar né, mãe?’”, conta Vanessa.

Já sobre o que acha dos exageros em alguns concursos, que tratam as crianças como adultas, como se pode ver em alguns programas de canais de TV pagos, ela ressalta que busca deixar a filha o mais natural possível.

“No Brasil, há vários concursos, mas ao menos nos que ela participou até agora, não tive problemas. Tenho essa preocupação, acho que tudo tem seu tempo. Criança tem que brincar, se divertir. Quero que ela acompanhe a idade dela e não se torne uma miniadulta. Às vezes, ela pede um saltinho, mas eu pondero para não prejudicar a saúde dela, então escolho um bem baixinho. Para ela, o concurso é só uma oportunidade de ser princesa”, frisa.

Padrão de beleza infantil

Mas como avaliar os padrões de beleza infantil em uma fase em que nada está definido ainda? Susana Cardoso, diretora do Miss Universo e também do Miss Mirim e Juvenil, ambos do estado do Rio, explica que são avaliados quesitos como desenvoltura e graciosidade, já que na infância é difícil determinar um padrão. Mas, segundo ela, os maiores “investidores” são os pais que, muitas vezes, chegam ao absurdo de colocar próteses dentárias para esconder as “janelinhas”, típicas da idade. Para aproximar o evento do universo infantil, Susana costuma organizar concursos temáticos.

“A organização não exige nada, é uma iniciativa dos pais. Mas algumas vezes precisamos intervir. Teve uma mãe que queria retirar o aparelho ortodôntico da filha e nós não permitimos. Há pais que colocam interlace para aumentar ou dar volume aos cabelos das meninas. São atitudes que podem parecer exageradas, mas precisamos entender que é um concurso de beleza”, pondera.
 
A relação de Susana com a beleza é antiga. Antes de começar a organizar concursos, em 2000, já trabalhava na área como terapeuta em estética. Ela conta que para ser miss não basta saber desfilar e, que para mudar esta cultura, organiza durante o concurso aulas de dança, etiqueta, improviso e cuidados estéticos.

“A miss é uma embaixatriz do turismo, portanto, precisa saber a história do município que representa. As aulas de improviso são para ajudar as meninas na hora das entrevistas”, acrescenta.

A Miss Niterói 2012, Nayana Arruti, 19, não participou de concursos infantis, mas começou a modelar aos 12 anos, por causa de sua desenvoltura. A jovem concorreu ao título de miss da cidade sorriso em 2011, mas ficou em terceiro lugar. Decidiu disputar o título pelo município de Tanguá e também não ficou em primeiro. Disposta a vestir a faixa, Nayana contou com o apoio financeiro do pai, que investiu pesado em roupas, maquiagens e tratamentos estéticos.
 
“O concurso foi um amadurecimento. Deu mais visibilidade à minha carreira e me ajudou a vencer a timidez. Acredito que eu não tenha ganhado os outros por falta de experiência e nervosismo. Mas o que eu quero mesmo é terminar a faculdade de fonoaudiologia e seguir esta área”, conta.

Projetando sonhos

Embora as mães enfatizem que o sonho é das meninas, há quem veja nos eventos um aspecto negativo em relação ao bem-estar das crianças. Em boa parte, as críticas são feitas em virtude do referencial tido pelos concursos nos Estados Unidos, reforçado pelo filme Pequena Miss Sunshine (2006), que revelou um lado cruel e intrigante dos eventos norte-americanos. Da mesma forma, o reality show do Discovery Channel, Pequenas Misses, causa indignação de pais e psicólogos ao revelar os bastidores de concursos em que meninas de 6 anos fazem bronzeamento artificial, por exemplo.

A psicóloga Sandra Maria do Amaral Chaves, professora do Departamento Interdisciplinar do polo da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras, acha perigosa a ideia de expor a criança a qualquer tipo de competição, incluindo os concursos de beleza. Ela explica que tudo tem um momento certo, e a criança precisa ser respeitada dentro da sua limitação, já que é um ser em formação.

“A criança não está preparada para o ambiente competitivo desse tipo de concurso e para a frustração que uma derrota pode acarretar. Dependendo do nível de cobrança, pode apresentar dificuldade de concentração, o que pode levar a prejuízos no aproveitamento escolar. Não diria que possa causar um trauma, mas a exposição contínua a esse tipo de situação pode levar a um quadro de estresse”, diz. “Ela quer atender às expectativas da família, e se não consegue, fica frustrada. Algumas vezes é a mãe quem acha o concurso legal, e influencia a criança, projetando nela um sonho que não é seu”, completa.

Sandra engrossa o coro dos que são contra o conceito estético desses concursos.
 
“A maioria segue um padrão de estética que não é infantil e sim de mulheres. O filme Pequena Miss Sunshine ilustra bem isso, e é uma lição sobre a verdadeira beleza infantil, a que emana da inocência da criança, que não é falsa, construída dentro da lógica consumista para atender a padrões em que a menina se transforma em miniatura de adulta. O filme, através da personagem principal, barrigudinha, resgata a pureza da beleza infantil. Ela é para o espectador a verdadeira campeã, apesar de ser expulsa do concurso por não atender ao padrão imposto”.


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Comentários

Esta matéria possui 8 comentário(s)
  1. isabel m - 28/01/2013 - 22:33

    Sem comentário! Essas mães não tem o que fazer!Depois não reclamem!

  2. Marcia - 07/02/2013 - 18:05

    Minha filha já participou de um concurso e participará novamente, minha filha estava com janelinha e desfilou com a janelinha, vale mais a pena o incentivo, a brincadeira. Qual menina que não gosta de pegar os batons, calçar o salto alto da mãe??? As meninas não ficam o tempo todo como "bonequinhas de porcelana", cada um tem o bom senso... Evitar cores pesadas, excessos desnecessários, saltos desproporcionais a idade, uma boa mãe sabe por limites a seus filhos e a maioria tem esse senso!!!

  3. natalia - 12/03/2013 - 11:37

    lindas

  4. mel morena inacio baha ferreira - 23/04/2013 - 20:51

    gostaria de escrever minha filha mas nao tenho opção
    favor mandar email informativo,ok

    att:elias

  5. mel morena inacio baha ferreira - 23/04/2013 - 20:56

    nao ha informação para inscrição

  6. Sonia - 25/05/2013 - 16:58

    quero escrever minha filha mas não sei como me manda uma mensagem avisando como inscrever ela voces não vão se arrepender.

  7. Ana Carolina Modesto - 26/05/2013 - 01:32

    Oi,Tudo bem???
    Eu queria saber como se inscreve nesse site???

  8. Aline - 12/10/2014 - 13:50

    Minha e louca por concursos ela assiste todos os programas faz aula de balé e canto ela coagula e simpática inteligente mas só tem 4 anos tenho receio de inscreve lá e prejudicar a infância

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