Assine o fluminense

Inverno faz preço do leite subir 140%

Segundo especialista da Universidade Federal Fluminense, há menos produção do item nesta época do ano

Clientes têm se assustado com os valores e optado por levar menor quantidade de leite e derivados por conta do preço

Foto: Evelen Gouvêa

Consumidores que procuram leite nos mercados de Niterói têm se assustado com o preço do litro encontrado, 140% mais caro que o normal. Acostumados a pagar, em média, R$ 2,50, niteroienses encontram o valor do produto a R$ 5,99 em estabelecimentos da cidade. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos meses de maio e junho de 2018, o preço médio do produto ficou em R$ 4,09 e R$ 4,81 respectivamente. 

Segundo a professora de Tecnologia e Inspeção do Leite e Derivados da Universidade Federal Fluminense (UFF) Adriana Silva, o motivo para este aumento está relacionado ao período do ano, o inverno, quando há menos produção do item. A greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, também pode ter influenciado o aumento.

Além do preço mais alto que o comum, clientes também encontram variação de valor entre as regiões da cidade. Enquanto na Zona Sul de Niterói o litro de leite foi encontrado entre R$ 4,69 e R$ 4,99, e no Centro entre R$ 4,69 e R$ 5,99, na Zona Norte, havia produtos entre R$ 3,85 e R$ 4,95. O funcionário público Almir Gomes, 55 anos, viu na televisão o preço mais em conta no Fonseca e aproveitou para levar uma caixa e meia.

“Normalmente levo três da caixa de integral e uma da normal, pois compro a R$ 2,40 sempre, mas com este aumento não dá”, disse.

A doméstica Gloria Alves, 50, comprava o litro por menos de R$ 3 e tomou um susto ao achar o produto a R$ 4,99. No mercado em que ela fazia compra, em Icaraí, uma roda de consumidores se criou em volta da prateleira do leite. Todos assustados com o valor alto, preferindo comprar menos quantidade para não deixar faltar.

Gerente há 14 anos de uma rede de mercados, Roberto Alevato, atualmente em Icaraí, explica que esta variação nos preços acontece com frequência no inverno, pois os produtores alegam dificuldades na produção do leite. A situação também acaba influenciando no valor dos derivados, como requeijão, manteiga e queijo.

“Os clientes continuam consumindo por serem produtos essenciais no dia a dia, mas reclamam. Tentamos fazer promoções para que eles não saiam prejudicados, na semana passada, conseguimos abaixar para R$ 3,99, o que ainda está alto. O preço deve melhorar em meados de agosto”, prevê.

A professora de Tecnologia e Inspeção do Leite e Derivados da UFF Adriana Silva explica que no inverno, por conta do frio, há menos conversão do que os animais se alimentam em leite, acarretando a menor produção. Assim, com menos volume no mercado, há maior elevação nos preços.

“Tudo de que o animal – no caso, a vaca – se alimenta transforma-se em leite, porém, nesta época de entressafras, essa conversão é menor e o aumento é comum. No entanto, neste ano, também passamos por uma greve dos caminhoneiros, que influenciou nessa variação”, disse, ressaltando que esse aumento dura entre três e quatro meses, diminuindo com o fim do inverno.

Cesta Básica – O preço do leite e demais produtos têm influenciado no custo da cesta básica. A última Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgado em junho mostrou que houve elevação do valor do conjunto de alimentos essenciais em 15 capitais, sendo a mais alta em Cuiabá (7,54%). No estudo, são medidos os preços da carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, legumes (tomate), pão francês, café em pó, frutas (banana), açúcar, óleo e manteiga.

Apesar de no Rio de Janeiro o índice ter reduzido (-0,10%) neste mês em relação ao mês anterior, a cesta continua sendo a terceira mais cara entre as capitais, no valor de R$ 445,58, ficando atrás de Porto Alegre (R$ 452,81) e São Paulo (R$ 451,63). Se comparado aos últimos 12 meses, entre junho de 2017 e 2018, os preços da cesta subiram em sete capitais. As principais são Cuiabá (7,61%) e Rio de Janeiro (6%).

A pesquisa também evidencia que, pelos preços encontrados e com base na cesta mais cara de junho, em Porto Alegre, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas seria de R$ 3.804,06, ou 3,99 vezes o salário mínimo nacional, de R$ 954,00. Em comparação do custo da cesta ao salário mínimo líquido, o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em junho, 44,43% de seu orçamento para adquirir os produtos.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comments

Veja também

Scroll To Top