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Para alavancar o turismo no RJ

Governo do Estado vai investir em eventos, feiras internacionais e campanhas para atrair mais visitantes

O Cristo Redentor é um dos pontos turísticos mais procurados do Rio

Foto: Pixabay

O Brasil recebeu 6,62 milhões de turistas no ano passado. Desses, 1,3 milhão visitaram o Estado do Rio de Janeiro. Para o secretário de Turismo, Otávio Leite, o número ainda é baixo e o objetivo é melhorá-lo a partir de políticas públicas que promovam a visita de turistas nacionais, internacionais e a circulação interna no Estado. No segundo semestre, será realizado o Salão Estadual de Turismo, que visa apresentar ao consumidor final o potencial turístico de todo o Rio.

O salão vai acontecer no município do Rio, com a presença de representantes de todo o estado, em um espaço para negócios. O objetivo é aumentar a circulação dos visitantes dentro do Rio, apresentando os potenciais das principais cidades e dando a oportunidade dos frequentadores organizarem viagens e planejarem férias.

O secretário de Turismo Otávio Leite quer dobrar número de visitantes

Foto: Divulgação

De acordo com o secretário Otávio Leite, a pasta visa reposicionar o Rio no contexto do turismo brasileiro e dobrar o número de visitantes até 2022. Para isso, buscará levar os atrativos de todo o Estado para feiras de turismo nacionais e internacionais, trabalhando em três frentes: atração de turistas internacionais, nacionais e o fortalecimento de turismo circular no estado.

“O Rio estava ausente neste cenário há muito tempo e o potencial de captação é muito maior do que vem recebendo. A segurança pública, um quesito sempre muito demandado, vem sendo melhorada e os índices de ocorrências em relação a turistas têm caído. O governador já divulgou a questão junto à rede diplomática e estamos muito otimistas quanto a melhoria crescente da segurança”, afirmou Leite.

No início do ano, o governador Wilson Witzel e o secretário de Turismo lançaram o programa Rumo ao Rio, para expandir o mercado de eventos dos 92 municípios fluminenses com apoio do Governo a eventos captados para o Rio de Janeiro. O programa prevê, através de solicitação no site da secretaria, a emissão da Declaração de Apoio Oficial do Governador, documento que facilitará, por exemplo, o acesso à infraestrutura de serviços públicos.

Outra iniciativa foi o decreto, assinado por Witzel, que concede o diferimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para contribuintes estabelecidos em outros estados, que participem de eventos no Rio. Verba de R$ 20 milhões será aplicada em campanhas publicitárias e para garantir a presença de estandes do Estado nas feiras internacionais de turismo.

“Ao proclamar que o turismo será o ‘novo petróleo’, o governador está prevendo o compromisso com essa prioridade. A tributação justa na realização de eventos e feiras, com produtos vindos de outros estados, abriu espaço para a atração de mais eventos. Importante ressaltar que o Rio vive um regime de recuperação fiscal, que impõe muitos rigores nos gastos e providências administrativas, mas a nossa posição é outra no contexto nacional e vamos cada vez mais ampliar as ações”, adiantou.

O turismo tem sido trabalhado em dois mercados principais, o norte-americano e o da América do Sul, principalmente Argentina e Chile. O primeiro poderá ser ampliado devido à política de isenção de vistos para visitantes dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália, válido a partir desta segunda. Em janeiro deste ano, o pedido de visto destes países passou a ser eletrônico, com boa expectativa de atrair mais visitantes.

Expectativa de bons negócios 

As iniciativas propostas pelo secretário Otávio Leite devem agradar o setor hoteleiro do Estado. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) no Rio de Janeiro, Alfredo Lopes, a taxa de ocupação dos hotéis no primeiro trimestre deste ano chegou a quase 70%, bem acima dos 46% registrados em junho do ano passado, considerado o pior mês dos últimos anos. O Estado tem, atualmente, 58 mil quartos disponíveis. Cerca de 16 hotéis fecharam desde os últimos dois anos, pelo menos.

Lopes aponta que a agenda de eventos importantes que foram sediados no Rio, como a Copa do Mundo, Olimpíada, Game XP e a Jornada Mundial da Juventude, nos últimos anos impulsionou a abertura e ampliação de novos quartos, saltando de 29 mil em 2009 para 58 mil em 2019. O problema, no entanto, segundo o presidente, é que a divulgação do Estado ficou estagnada no cenário turístico mundial.

“Em todos os países que fizeram o mesmo, eles se prepararam para manter a visitação em alta, o Brasil não. Investiram bilhões em locomoção, infraestrutura e estádios mas esqueceram de divulgar, o que também foi afetado pela grave crise econômica. Temos a rede hoteleira mais moderna da América Latina. As taxas de ocupação ficaram de 35 a 40% abaixo dos últimos anos”, ressaltou.

De acordo com Alfredo Lopes, em conjunto com o Ministério da Cultura e a Fundação Getúlio Vargas, foi montado um calendário de eventos, de janeiro a janeiro, que pretende alavancar a m­ovimentação turística do Rio. Nele, estão incluídos eventos esportivos e musicais, maratonas e feiras.

Para além das belezas inquestionáveis da capital do Estado, municípios do interior oferecem atrativos naturais e históricos capazes de tirar o fôlego dos turistas

Foto: Pixabay

Aposta nos eventos 

O município do Rio, através da Riotur, não realiza pesquisas anuais com fluxo geral de turistas, apenas em grandes eventos, como Carnaval e Réveillon. Neste ano, foram 1,62 milhão de turistas dos 7 milhões de foliões aproveitando a festa do samba, atingindo um recorde para o período. Já no Ano-Novo, foram 2,8 milhões de pessoas na praia de Copacabana, sendo 1,4 delas turistas - 155 mil deles estrangeiros - movimentando R$ 3 bilhões na economia.

O tempo de permanência dos visitantes durante o carnaval também aumentou esse ano. Enquanto no ano passado o turista permaneceu de 6 a 8 dias na cidade, esse ano a média foi de 7 a 11 dias. Desta forma, a ocupação hoteleira registrou recorde do período, com taxa de 90,6%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), alta de 3,6% ante 2018, quando a ocupação foi de 87%.

Já em relação ao Ano Novo, foi realizado um estudo durante a virada com 303 pessoas, entre cariocas e turistas de idades entre 18 e 55 anos de ambos os sexos. A Riotur destacou que, pela primeira vez, o número de turistas curtindo a festa foi superior ao de cariocas, 56% para 44%. Dentre os 155 mil turistas estrangeiros, os argentinos e os chilenos são os destaques. Já os nacionais, o principal emissor é São Paulo, seguido por Minas Gerais.  

As praias das zonas Sul e Oeste do Rio atraem milhares de turistas no verão, assim como balneários do interior do Rio

Foto: Pixabay

“A Riotur está em busca de investimento para seguir com a participação em feiras nacionais e internacionais para prospectar a cidade do Rio de Janeiro em diversas frentes. Além disso, os postos de informação espalhados pela cidade com recepcionistas bilíngues, material de divulgação (como os mapas) e o Deck de Experiências com a venda de ingressos para pontos turísticos do Rio também são importantes artifícios para a atração e operação do fluxo de turistas na cidade”, disse nota divulgada pela secretaria.

Números apontam estagnação 

Estudo do Ministério do Turismo registrou que cerca de 6,62 milhões de turistas estrangeiros visitaram o Brasil em 2018, número que aponta uma estagnação no fluxo turístico dos últimos três anos. A análise partiu de entrevistas em 25 pontos (como aeroportos e fronteiras) para avaliar o perfil dos visitantes, incluindo motivação, forma de chegada ao Brasil e avaliações sobre a estadia.

A América do Sul é a principal origem dos visitantes estrangeiros, com quase 60% (4 milhões). O segundo continente com mais turistas foi a Europa, com 20% (1,46 milhão). O terceiro foi a América do Norte, lar de 10,4% (689 mil) de pessoas que viajaram para cá no ano passado. O Rio de Janeiro é o principal destino dos turistas de ‘Lazer’ (29,7%), seguido de Florianópolis/SC (17,1%) e Foz do Iguaçu/PR (12,9%). Já no motivo ‘Negócios’, de eventos e convenções, o destino destacado é São Paulo (48,7%), seguido de Rio de Janeiro (19,7%). (Agência Brasil)

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