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Professores mantêm greve até dia 22

Profissionais da Educação também fizeram manifestação em frente à Prefeitura após desencontro com chefe de gabinete

Profissionais da rede municipal de educação de São Gonçalo decidiram, por unanimidade, em assembleia realizada ontem, no Colégio Municipal Presidente Castelo Branco, no Boaçu, manter greve até o dia 22, quando será realizada nova avaliação do movimento. Os profissionais estão de braços cruzados desde 30 de julho. 

A assembleia contou com a participação de cerca de 400 professores. Eles alegam receber baixo salário e reclamam das condições de trabalho e da merenda precária para os alunos.

No início da tarde, cerca de 100 professores ocuparam a Prefeitura. Eles foram ao local para ter uma reunião com a chefe de gabinete Eliane Gabriel Nanci. Porém, foram informados pelo Executivo de que ela não estaria no local devido a um encontro com o secretário municipal de Educação, José Augusto Abreu Nunes, na Secretaria de Educação, para uma conversa sobre a situação dos profissionais. 

O desencontro motivou um protesto pacífico, em frente ao órgão administrativo, que resultou em paralisação, por 10 minutos, do trecho da Rua Feliciano Sodré. 

“Hoje foi mais uma lição de luta e organização, contra uma prefeitura que não cumpre a lei. Nenhum trabalhador pode receber abaixo do piso nacional e menos do que o salário mínimo. A Educação não aplica todo o dinheiro do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Onde está o dinheiro da Educação?”, perguntou a diretora do Sepe-SG, Maria Beatriz Lugão Rios.

Cobranças – De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), o município tem 4.800 profissionais da Educação, sendo 4 mil professores distribuídos em 104 escolas e creches. O sindicato ainda informa que o município possui capacidade para 70 mil vagas para alunos, mas disponibiliza apenas 30 mil. 

“A categoria está unida e presente na luta, realizando novos atos e cobrando mais respeito à Educação. Até o momento, nenhuma proposta diferente foi apresentada”, ressaltou a também diretora do Sepe-SG, Maria do Nascimento.

Para os próximos dias, estão previstos outros dois atos. O primeiro está programado para o dia 15, no Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais de São Gonçalo (Ipasg), às 10h. O segundo encontro acontecerá no dia 20, no Ministério Público de São Gonçalo, às 11h.

Proposta – Em nota, a Prefeitura de São Gonçalo alegou que está sendo estudada uma nova proposta junto ao Ministério Público (MP) e que os pagamentos atuais são realizados em dia, inclusive antecipação de metade do 13º salário. O Executivo não informou a quantidade de escolas municipais que aderiram à greve e o número de alunos que estão sendo afetados.

Questionado, o MP esclarece que a Prefeitura fez uma proposta aos profissionais, que não foi aceita, por não atender às categorias representadas pelo Sepe. Além disso, afirmou que a oferta foi aquém das perspectivas salariais da categoria, considerando que é grande o déficit entre o piso em vigor e o que está sendo remunerado. 

“Pelo Sepe foi feita a contraproposta nos patamares do acordo inicialmente feito em sede de reunião do MP. A Promotoria aguarda a resposta do poder público, e, por enquanto, analisa, em pedido de vista, os autos da ação ajuizada pelo Sepe, cujo objeto do pedido é o cumprimento do piso”, finalizou.

Acordo – A categoria aguarda desde maio, data do primeiro prazo, o cumprimento de um acordo entre o MP e a Prefeitura, que garante 11% de reajuste salarial. Segundo a categoria, esse acordo, que previa a adequação do salário ao piso nacional de professores ao longo dos meses, deveria ter sido cumprido até julho. Em maio, o aumento deveria ser de 2,25% e em julho, de 9,25%, o que não aconteceu em ambos os meses, o que foi considerado quebra de acordo. 

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