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50 anos de realismo nas artes em mostra no CCBB

Com curadoria de Tereza de Arruda, exposição reúne 92 trabalhos de 30 artistas

Trabalho do britânico Simon Hennessey que faz parte da mostra

Foto: Divulgação

A representação da realidade na arte está a serviço de diferentes propostas estéticas. Ela pode valorizar a natureza; pintar o cotidiano das grandes metrópoles ou mesmo expor a intimidade do próprio artista, que, muitas vezes, opta por criticar a sociedade, criar retratos iguais a fotos ou mesmo ser protagonista da própria arte. Com o intuito de mostrar a dualidade e o diálogo entre a realidade na arte e a arte na realidade, foi concebida para o Centro Cultural Banco do Brasil a exposição “50 anos de Realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual”, que abre ao público hoje. Com curadoria de Tereza de Arruda, brasileira radicada há 30 anos na Alemanha, a mostra reúne 92 trabalhos de 30 artistas, dos quais cinco são brasileiros. 

“É um trabalho gigante de uma pesquisa que se iniciou em 2012 e um mapeamento muito preciso para transpor ao público a autenticidade deste contexto. Por exemplo, no fotorrealismo dos primórdios, nós temos artistas históricos do primeiro movimento, tanto em pintura quanto em escultura, e de contemporaneidade nós temos do hiper-realismo, com artistas de diversos países e gerações. Assim, seguimos também com as novas mídias – vídeos, realidade expandida, realidade virtual e realidade mista”, comenta.

De acordo com a curadora, esse é um contexto da representação da realidade em si. Mas qual seria o interesse nessa realidade? Tereza explica que isso tudo não é nada diferente do que a gente vive hoje com as novas mídias. 

“O tempo todo estamos divulgando, compartilhando, é uma forma de valorar a própria vida, de rever a sua realidade, de se indagar: ‘esta é a realidade que eu quero?’ ou ‘qual é a realidade almejada por mim?’ ou, ainda, ‘qual o meu entorno?’. Essa exposição traz algumas respostas e talvez muitas questões para essa representação do que seria esse diálogo da realidade na arte”, justifica. 

Perguntada sobre os artistas fotorrealistas serem ofuscados pelos pop, já que ambos os movimentos surgiram nos Estados Unidos simultaneamente, embora em locais opostos – a pop art em Nova Iorque e o fotorrealismo na Costa Oeste –, Tereza argumenta que eles se complementam.

“Eu diria que eles foram parceiros porque os dois visualizavam uma certa representação crítico-social. O fotorrealismo estava rebatendo o abstracionismo. Surgiu nas décadas de 60 e 70 por um grupo de artistas que estava querendo uma narrativa figurativa porque, no período da guerra, houve uma manipulação muito forte da imagem, elas foram muito usadas como propaganda política, houve um desgaste generalizado de tudo, então, o primeiro movimento pós-guerra era o abstracionismo, com aquela amplidão de luz, aquela leveza espacial. Os artistas do fotorrealismo tiveram que ser fortes para rebater esse movimento, e a pop art era aliada deles nessa luta ‘contra’ o abstracionismo. Os dois ligados a uma representação sociocultural”, salienta.  

O CCBB-Rio fica na Rua Primeiro de Março 66, no Centro. De 22 de maio a 29 julho, de quarta a segunda, 9h às 21h. Classificação indicativa: livre. Entrada franca.

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