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Do real à ficção

Rodrigo Pedrosa empresta sua arte para o filme ‘Dano Moral’, thriller psicológico com inspiração noir do diretor niteroiense Marcos Pimenta, que será rodado esse ano

Ao lado, Rodrigo Pedrosa ao lado do diretor Marcos Pimenta, que utilizará de obras do amigo para a criação da personagem Katarina, vivida por Francisca Queiroz. Além disso, o artista plástico ainda fará uma pinta no thriller, que aborda a psicopatia e feminicídio

Foto: Lucas Benevides

Hoje, nos quatro cantos da Terra, homens e mulheres têm se levantado e usado como “ferramenta” as mais diversas manifestações artísticas para desmascarar e gritar contra as persistentes formas de violência enraizadas em nosso meio. Entre elas, está o feminicídio, que reafirma sua urgência ao rankear o Brasil entre os cinco países com as maiores taxas de homicídio contra o sexo feminino no mundo, de acordo com dados da ONU de 2015.

A morte sistemática de mulheres será denunciada através do filme “Dano Moral”, do diretor niteroiense Marcos Pimenta, que, também aborda outro assunto que ele considera negligenciado no território nacional: 

“Na legislação brasileira, não existe um termo específico para tratar de quem comete crimes em série, os chamados serial killers. Para isto, é urgente que a psicopatia seja tratada como problema de saúde pública no Brasil. É preciso reconhecer um psicopata antes que crimes aconteçam, para isto, é necessário que se fale sobre o assunto, se divulgue”, explica.

Com lançamento previsto para novembro de 2018, Marcos adianta que “Dano Moral” é um thriller psicológico com uma atmosfera noir contemporânea e uma trama onde a tensão marca presença a todo momento.

“Eu digo noir contemporâneo por algumas caraterísticas: um protagonista desesperado num universo sem piedade, consecutivos assassinatos e a fotografia que se utiliza de sombras dramáticas, alto contraste e planos de câmera mais elaborados”, explica Marcos. 

Na história, as três mulheres com que o dentista Leonardo têm envolvimento são misteriosamente assassinadas, incluindo sua esposa, a artista plástica Katarina. Abalado e solitário, ele ainda tem que arcar com a suspeita da delegada Dora Siqueira, que acredita em sua culpa. 

Por ser uma proposta séria, Marcelo comenta que o filme causou um certo impacto ao ser apresentado ao mercado nacional.

“A dificuldade em se fazer um gênero que não seja comédia no Brasil é imensa. Fui levar o filme para um produtor e a primeira pergunta que ele me fez foi: ‘É comédia, né?’ . Eu perguntei a ele: ‘Porque, você só produz comédia?’. Ele, muito sem graça, quis atrelar o fato de eu estar na época dirigindo um programa de comédia”, conta.

Quem interpretará Katarina Kovalenko é a atriz Francisca Queiroz, que, para se familiarizar e incorporar a personagem, passará por um laboratório com o artista plástico e escultor niteroiense Rodrigo Pedrosa, amigo de infância do diretor. 

“Pedrosa é meu amigo há cerca de 40 anos. Estudamos juntos desde a terceira série do antigo primário. Frequentava a casa do Rodrigo. Meu falecido avô, Mario Siqueira, era companheiro de Rotary de Rodolfo Pedrosa, pai do Rodrigo. Acho Rodrigo um dos maiores artistas plástico de sua geração no Brasil. Quando definimos que a Katarina seria artista plástica, não tive dúvida alguma que era a obra do Rodrigo que ela ia mostrar no filme”, comenta Marcos, que, não satisfeito em apenas expor as obras de Pedrosa no filme, foi além. “No desenrolar dos tratamentos, mais exatamente no quarto, resolvi colocar uma cena que se passa numa exposição de arte. Pensando em como fazê-la, decidi que colocaria a exposição do próprio Rodrigo e que ele, então, estaria em cena como ele mesmo”, conta.

Rodrigo acredita que o alinhamento de sua pesquisa e estética com o roteiro é muito significativo.

“Sempre trabalhei na temática da natureza humana com seus conflitos existenciais e nossa relação com o próximo. O filme é um drama muito forte e intenso e tem um ar de mistério, assim como minhas obras”, compara Pedrosa.

O laboratório e as gravações começarão em breve, mas Rodrigo já está super animado com a oportunidade de divulgar seu trabalho. Ao saber que também faria uma ponta no longa, o artista admite ter sido tomado por um misto de alegria, surpresa e tensão. 

“Esta experiência é realmente incrível e indescritível, porque sempre fui um amante da sétima arte. Agora, soma-se a isto o fato do filme ser dirigido por um grande amigo e de eu ainda fazer uma participação em um papel de mim mesmo, em uma exposição dos meus trabalhos. Certamente este presente que tive a honra de receber do Marcos Pimenta irá contribuir muito para impulsionar e enriquecer minha carreira” pondera o artista.

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