Assine o fluminense

Revendo conceitos

Quarteto de Cordas da UFF participa do ‘Brasil: A Margem’, que acontece até dia 25, no Centro de Artes UFF

Os músicos Tomaz Soares no 1º violino, David Chew no violoncelo e violino, Ubiratã Rodrigues no 2º violino e Nayran Pessanha na viola e violino se apresentam nesta quarta (18), às 19h30

Foto: Divulgação

O Quarteto de Cordas da UFF apresentará nesta quarta (18), um programa inusitado desta formação com obras de dois compositores pianistas, que também tocavam instrumentos de corda. É rara a oportunidade de se ouvir nos palcos fluminenses uma das joias para quarteto de cordas composta por Felix Mendelssohn-Bartholdy, também autor da famosa “Marcha Nupcial”, tocada em cerimônias matrimoniais no mundo todo.

Atualmente, fazem parte do Quarteto de Cordas da UFF os músicos Tomaz Soares no 1º violino, Ubiratã Rodrigues, no 2º violino, David Chew no violoncelo e Nayran Pessanha na viola. Eles estarão acompanhados pelo músico convidado Jessé Máximo Pereira, que toca viola.

“São dois grandes compositores que iremos homenagear. O quarteto nº 6, em fá menor, foi uma das últimas obras compostas por Mendelssohn num momento de luto pela morte da sua irmã Fanny, que era exímia musicista, assim como o irmão. Mendelssohn intitulou esta obra como ‘Requiem para Fanny’. Neste ano, devido aos 30 anos de seu falecimento, celebramos o legado do brasileiro Radamés Gnatalli. Ele transitava sem nenhuma limitação artística ou técnica pelo clássico e o popular, colocou na pauta a linguagem popular brasileira dentro da estética de quarteto de cordas”, revela Deivison Branco, diretor geral do quarteto de cordas.

O Quarteto Popular, antigo nome do grupo da UFF, fundado em 1940, reflete as influências recebidas de Gnatalli na dualidade de sua carreira de arranjador de música popular na Rádio Nacional e de pianista, violinista, violonista, cavaquinista e violonista com sólida formação clássica. O Quarteto de Cordas foi integrado a UFF em 1984, por iniciativa do então reitor Raymundo José Martins Romêo, com o intuito de expandir as formações musicais de câmara da UFF. A partir de 1985, o violoncelista David Chew, o violista Nayran Pessanha e os violinistas Paulo Bosísio e Paulo Keuffer passaram a se apresentar como os mais novos membros da área musical da universidade.

“O quarteto era um grupo que a gente tinha na cidade do Rio de Janeiro e nos anos 80 foi incorporada a UFF. A partir daí começamos a desenvolver pesquisas musicais sobre o mercado de quartetos, tanto nacionais quanto internacionais. O conjunto tem em seu currículo uma vasta lista de apresentações no Brasil e no exterior, entre as quais estão estreias de obras para o público. Nossa prioridade é composições de músicos brasileiros, sem deixar de lado os clássicos europeus e as novas gerações de artistas latino-americanos”, revela.

De acordo com Deivison, o ato de compor para um quarteto de cordas é um desafio que vários compositores enfrentam, tamanha a dificuldade artística musical somada as sutilezas tímbricas que esse conjunto exige.

“Mozart, Beethoven e Schubert, cada um deles passou por ter em frente a página em branco, como primeiro obstáculo,  mas nada que os impediram de ter na cabeça a ideia original que serviu de material para lapidação”, explica o diretor do grupo.

A apresentação do Quarteto de Cordas da UFF faz parte do evento “Brasil: A Margem”, que acontece nesta quarta (18) até dia 25 de abril, promovido pelo Centro de Artes UFF para rever conceitos, usando a arte e a cultura como ferramentas de reflexão. Uma semana inteira repleta de debates, filmes, exposições, feira alternativa, concertos e shows de música popular. Com essa programação, o projeto aponta para o reconhecimento e a afirmação das margens de um Brasil efervescente e que necessita se conhecer melhor. A metáfora da margem, expressa nos eventos de traz à tona um País de impasses e indefinições, um campo de possibilidades em que conflitam forças reativas, com seus aparatos de contenção e repressão, e, por outro lado, forças ativas de criação, reação e emancipação.

O evento também contará com Nelson Sargento, mestre do samba, no show “Nelson Sargento com vida”, nos dias 21 e 22, às 20h, no Teatro da UFF; Robertinho Silva e Foguete, como atração do Música Instrumental Brasileira, no dia 20, às 20h; e no dia 24 de abril, no Teatro da UFF, às 15h, o UFF Debate Brasil traz o tema “Intervenção Militar e Criminalização da Pobreza”, com transmissão ao vivo pelo YouTube do Centro de Artes UFF.

O Teatro da UFF fica na rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, em Niterói. Quarta (18), às 19h30. Preço: R$ 14 (inteira). Classificação: livre. Telefone: 3674-7512.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comments

Veja também

Scroll To Top