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Vida e obra de um visionário

Fazendo jus ao seu legado, o artista plástico acaba de ganhar uma exposição inédita na América Latina com 120 obras

Estão expostas 16 pinturas, 39 papéis, 58 desenhos, gravuras e fantoches, além de alguns objetos pessoais do artista

Divulgação

O artista suíço Paul Klee (1879-1940) participou do processo de transformação da arte na virada do século XX e, por isso mesmo, é considerado um mentor da arte moderna.

Fazendo jus ao seu legado, o artista plástico acaba de ganhar uma exposição inédita na América Latina com 120 obras: “Paul Klee – Equilíbrio Instável”, no CCBB-RJ, de hoje até dia 12 de agosto. São 16 pinturas, 39 papéis, 58 desenhos, cinco gravuras e cinco fantoches, além de alguns objetos pessoais do artista – tudo armazenado em quatro salas do centro cultural a 21ºC (para preservar as obras), mais uma sala com uma linha cronológica de sua vida.

De acordo com a curadora, a suíça Fabienne Eggelhöfer, a mostra tem a função de dizer como as pessoas reagem à vida e à obra de Klee, um artista mutável, que, embora tenha feito obras de diversos estilos, como Cubismo, Expressionismo, Construtivismo, Surrealismo e Abstracionismo Geométrico, não se encaixa em nenhum. 

“A produtora Expomus deu a ideia de fazer no CCBB, onde a entrada é gratuita, e muitas pessoas poderão ver. Com isso, nosso objetivo será alcançado. A exposição é praticamente toda feita a partir da coleção de Berna (Suíça), com 4 mil obras, das 10 mil que ele deixou. No nosso arquivo, temos toda a biblioteca dele, cartas, música e mais. Selecionei o que mostrava a diversidade da atuação de Klee nas artes”, conta a curadora.  

O Zentrum Paul Klee, de Berna, é responsável por zelar por mais de 4 mil obras de Klee, e foi de seu acervo que vieram algumas para o Brasil patrocinadas pelo Banco do Brasil e BB Seguros, com apoio da Cateno.

A primeira sala traz desenhos de infância de Paul Klee. Fabienne comenta que escolheu essas obras não porque ele tivesse uma promessa de ser um gênio no futuro. 

“Pode parecer muito com os dos seus filhos, inclusive. Nós iniciamos assim, porque, em 1911, ele começou a catalogar seus trabalhos e tinha alguns da infância. Ele fez isso porque buscava uma nova forma de expressão artística. E ele também tinha a ideia de que os desenhos das crianças eram mais simples, frescos e criativos, um contraste com o que se aprendia em uma academia de arte”, ressalta. 

Outros subtítulos da mostra são “Estudos da Natureza”; “Invenções”; “Retratos de Família”; “Caminhos para a abstração”, “Professor na Bauhaus”, “Desenhando a Realidade”; “Anjos e outras criaturas”; e “Trabalhos Tardios”. Klee foi perseguido politicamente, teve o nome adicionado na lista dos “artistas degenerados” pelos nazistas, perdeu emprego, teve que provar que não era judeu e, em 1933, fugiu da Alemanha voltando para Berna. 

“Ele não falava de política abertamente, mas mostrava algumas críticas. Em “von der liste gestrichen”, de 1933, mostra com o “x” como se sentia riscado, apagado... Mas tudo aquilo que ele ansiava e tinha dúvidas ele encontrou. Podemos dizer que se encontrou no fim da vida. Temos tantos desenhos na exposição, porque a maioria da obra de Klee – cerca de 10 mil obras assinadas – foi desenhada no papel”, ressalta. 

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