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Coração deve ser bem tratado

Cuidar da alimentação e praticar exercícios é a melhor forma de prevenir doenças de origem vascular ou arterial

Dor no peito pode ser um sinal de alerta de alguma doença cardíaca. Homens ainda lideram as estatísticas, mas os problemas aumentaram muito entre as mulheres.

Foto: Douglas Macedo

Somente neste ano, de janeiro até o dia 27 de março, mais de 82,1 mil pessoas morreram por doenças cardiovasculares no Brasil. Por dia, são cerca de 900 óbitos. As estimativas são do Cardiômetro, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Tecnicamente, o número de mortes de homens e mulheres por Acidente Vascular Cerebral (AVC) está empatado, sendo o placar de 50.251 para eles contra 50.252 para elas. No entanto, pela primeira vez, o índice feminino vem aumentando em maior proporção do que o dos homens, que demonstram tendência de queda.

De acordo com a SBC, analisando os dados de mortes por AVC de 2010 a 2015, os homens têm seguido uma tendência de queda no número de casos, ao contrário das mulheres, cujas ocorrências passaram de cerca de 49 mil para pouco mais de 50,2 mil no período. Segundo o cardiologista Fernando Costa, essa mudança é consequência da vida cada vez mais corrida que as mulheres levam, acumulando funções domésticas, mercado de trabalho, estresse e outros fatores determinantes.

Valdênia Pereira, Coordenadora do CHN Cardiovascular.

Foto: Douglas Macedo

“Se a gente analisar as duas curvas de mortalidade por AVC entre homens e mulheres, a curva do homem é decrescente e a da mulher é ascendente. A quantidade de óbitos em 2015 é praticamente igual, o grande problema é que a mulher tem se descuidado da saúde, não por conta da própria mulher, mas das obrigações. Uma jornada de trabalho de uma mulher que trabalha fora é dobrada. A pressão que ela sofre com a pontualidade de serviços, o estresse, falta total de exercícios, alimentação irregular com excesso de sal, associado ao álcool e cigarro, acabam trazendo para ela a condição pra um AVC”, justifica o cardiologista.

Além da mudança de hábitos, como uma alimentação mais balanceada e com menos sal, é preciso mudar, segundo o especialista, o tipo de atendimento prestado às mulheres, já que elas vivem em condições diferentes das do sexo oposto.

“O tratamento da mulher não pode ser igual ao do homem, no sentido geral. Mulheres precisam de uma atenção maior e de carinho, e de um tempo maior para entender as necessidades dela. Os ambulatórios têm que ter um pouquinho mais de atenção nesse sentido, com consultas que perguntem sobre a vida dela. Esses altos índices são muito fruto da sociedade não acolhedora das mulheres”, aponta o cardiologista Fernando Costa.

Cuidados essenciais - Uma pesquisa da Universidade de Oxford aponta que o consumo diário de frutas frescas pode reduzir, em até 40%, os riscos de desenvolver uma doença cardiovascular. Praticar exercícios físicos também é fundamental, de acordo com a médica Valdênia Pereira de Souza, coordenadora do CHN (Complexo Hospitalar de Niterói) Cardiovascular.

“Prevenção é tudo! A atividade física regular de intensidade moderada deve ser perseguida, com a tradicional recomendação de durar não menos que 30 min/dia em 5 dias na semana. De acordo com a OMS, 1 em cada 3 habitantes não pratica atividade física nenhuma e isso leva ao aumento do peso e outras consequências para outros órgãos, como por exemplo os ossos”, alerta a médica Valdênia.

De acordo com a especialista, além do AVC, as doenças isquêmicas do coração, como o infarto agudo do miocárdio - que pode levar à insuficiência cardíaca -, e as doenças vasculares periféricas, como a obstrução arterial, são as doenças do sistema cardiovascular consideradas mais graves. O infarto, insuficiência cardíaca e o AVC representam uma grande parcela das internações, óbitos e sequelas nos pacientes.

Fatores hereditários aliados ao estilo de vida que a pessoa leva podem contribuir para algum problema no sistema cardiovascular. Além disso, conforme a população vai envelhecendo, os casos vão sofrendo um aumento.

“Com o envelhecimento da população, ocorre um somatório de doenças que a sociedade terá que se preparar. Felizmente, algumas iniciativas são sucesso, como, por exemplo, a distribuição gratuita de medicamentos anti-hipertensivos, que acredito que acarretará mais controle da pressão, repercutindo em menos AVC ou insuficiência renal”, prevê Valdênia.

Principais doenças cardiovasculares

Fatores hereditários aliados ao estilo de vida podem favorecer males cardíacos. O envelhecimento também contribui, o que reforça necessidade de prevenção

Endocardite  - É uma infecção do revestimento interno do coração, chamado de endocárdio. Acontece quando uma bactéria ou germe de outra parte do corpo se espalha pelo sistema sanguíneo, ligando-se ao coração doente. Se não for tratada, pode danificar e destruir as válvulas do coração.

Doença vascular periférica - Ocorre quando as artérias periféricas do corpo ficam obstruídas por causa do depósito de gordura. Nos membros inferiores, há redução do fluxo de sangue para as pernas, causando dor e dificuldade para caminhar.

Infarto agudo do miocárdio - Provocado pela falta de sangue e oxigênio no músculo cardíaco, devido à obstrução da artéria coronária. Pode causar dor no peito, falta de ar e mal-estar. Buscar ajuda médica é essencial, pois a cada minuto sobem as chances de óbito aumentam em 10%.  

AVC - É causado pela falta de sangue em determinada área do cérebro, decorrente da obstrução dessa artéria (isquêmico) ou por sangramento devido ao rompimento de um vaso sanguíneo (hemorrágico). Ocasiona a perda de funções neurológicas.  

Insuficiência cardíaca - O coração não consegue mais bombear sangue suficiente para o corpo. É uma doença crônica, mas pode se desenvolver rapidamente e afetar os dois lados do coração. Pode haver acúmulo de sangue, faltando oxigênio para órgãos e comprometer funções vitais.

Arritmia - É uma alteração no ritmo do coração, causada por distúrbios elétricos. Pode ser um aumento na frequência cardíaca (taquicardia), uma redução (bradicardia) e batimentos a mais (extrassístoles).

 

Foto: Divulgação

Ocorrência de infartos sobe no inverno

Segundo especialistas, os casos de infarto podem aumentar em até 30% durante o inverno. Estima-se que a cada um grau de queda na temperatura, o risco de infarto aumenta em 2%. Isso afeta, principalmente, a população idosa, devido à sua vulnerabilidade.

“No inverno, você precisa manter-se aquecido, então seu trabalho cardíaco aumenta. Quando você expõe uma pessoa ao frio subitamente, acontecem duas coisas importantes: a manutenção do calor, o coração vai bater mais rápido, ou seja, o sangue vai circular mais rapidamente para manter o corpo aquecido”, diz o cardiologista, que completa:

“A segunda coisa é que, quando você se expõe ao frio não agasalhado, os vasos periféricos se fecham para não perder calor”, explica o cardiologista Fernando Costa, acrescentando que esse fechamento, chamado de vasoconstrição, também aumenta a força que o coração precisa fazer para suportar a perda do espaço transitório e a pressão arterial.
Quem tem alguma fraqueza no sistema cardiovascular ou doença preexistente, segundo o médico, pode ter uma condição maior de sofrer um ataque cardíaco nessas condições.

Vacinas reduzem riscos

Pesquisas no campo do sistema cardiovascular já comprovaram que a imunização, principalmente contra a gripe, evita de forma significativa problemas do coração em idosos. Isso acontece porque, de acordo com o presidente do Departamento de Doença Coronária da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), Fernando Bassan, a vacina estimula o fortalecimento imunológico, evitando que o paciente contraia gripe ou pneumonia, por exemplo.

“Pacientes portadores de insuficiência cardíaca são de alto risco para infecções, que podem descompensar o quadro clínico, exigindo internações e podendo levar até a óbito. As vacinas contra quadros infecciosos respiratórios como o vírus Influenza (anualmente) e a bactéria Pneumococos (a cada cinco anos) devem ser feitas periodicamente nestes pacientes”, recomenda Fernando Bassan.

De acordo com ele, as vacinas não atuam diretamente no coração, mas sim no sistema imunológico. Se um idoso contrai uma gripe, isso gera mais esforço para todo o organismo, inclusive o coração, podendo ter consequências.

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