Assine o fluminense

Vacinas, escudo contra doenças

Prevenção é palavra-chave, mas cerca de 31,5 milhões de brasileiros ignoram importância da imunização

Médicos alertam que, assim como em outras fases da vida, a imunização de crianças e adolescentes deve ser um hábito reforçado na população.

Foto: Divulgação

Inúmeras doenças que já assolaram a população e mataram milhares de pessoas já foram erradicadas do Brasil, mas isso não significa que o risco não exista mais. A reintrodução de doenças como difteria e sarampo, por exemplo, podem ser uma realidade no país, com a entrada de venezuelanos não vacinados, segundo infectologistas. A prevenção é a palavra-chave. Para isso, é imprescindível que o calendário de vacinação esteja sempre em dia. O Ministério da Saúde estima que existam 31,5 milhões de não vacinados no País. A imunização contra HPV e febre amarela são as com menos procura. 

De acordo com a pasta, o número não significa a quantidade exata de pessoas e, sim, a soma de doses. Isso porque uma mesma pessoa pode não ter tomado as duas doses da tríplice viral, por exemplo, entrando para essa estatística duas vezes. Os dados preliminares foram colhidos pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) até setembro do ano passado.  

A imunização deve ser um cuidado tomado desde os primeiros dias de vida. Em média, um bebê toma mais de 20 vacinas até os 2 anos de idade. Segundo o médico-infectologista Alberto Chebabo, nos primeiros dias de vida, o sistema imunológico ainda está em formação. Por isso, os bebês estão mais suscetíveis a doenças graves.

O Infectologista Edimilson Migowski esclarece sobre a dose fracionada da vacina contra febre amarela.

Foto: Lucas Benevides

“É exatamente nesta fase que precisamos proteger as crianças de doenças comuns e que podem ter consequências graves, podendo levar até a morte. Como o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento, são necessárias várias doses da mesma vacina durante os primeiros 2 anos para que a imunidade seja duradoura”, recomenda o infectologista. 

Médicos alertam que, assim como em outras fases da vida, a imunização de crianças e adolescentes deve ser um hábito reforçado na população. Entre as vacinas mais importantes que devem ser tomadas até os 15 anos, algumas registram grande baixa na procura nos postos de saúde. A maior delas é a que protege contra o papilomavírus humano, o HPV: mais de 9,2 milhões de doses não foram aplicadas. Essa imunização é direcionada para meninas de 9 até 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, sendo aplicadas duas doses, com intervalo de seis meses entre elas. 

Mesmo com os recentes casos de febre amarela silvestre, ainda há um grande déficit de vacinados contra a doença: quase 5,2 milhões de pessoas. A Vacina Oral Poliomielite (VOPb), que é um reforço da vacina inativada poliomielite, deve ser aplicada em crianças a partir dos 15 meses a menores de cinco anos. No entanto, foram registradas mais de 3,1 milhões de doses não aplicadas. 

Para reverter esse quadro, o Ministério da Saúde tem apostado em campanhas de multivacinação para crianças e adolescentes, para resgatar esse público e atualizar a caderneta de vacinas. 

“Outras estratégias para resgate de não vacinados têm sido estimuladas junto aos municípios, como o Monitoramento Rápido de Coberturas Vacinais, busca ativa de faltosos, campanhas de intensificações de vacinação e a sensibilização dos gestores estaduais e municipais sobre o assunto”, explica o Ministério da Saúde, através de nota. 

Os adultos também não estão isentos dessa responsabilidade. Tomar vacinas durante a infância e adolescência não significa estar protegido durante toda a vida. O Sistema Único de Saúde disponibiliza vacinas gratuitas nos postos para a população entre 20 e 59 anos. Entre elas, hepatite; febre amarela; tríplice viral; dupla  adulto; e dTpa (difteria, tétano e Pertussis acelular) para gestantes. 

“Na infância, a criança é acompanhada e tem consultas frequentes com o pediatra, que tem uma preocupação de checar a carteira de vacinação e mantê-la atualizada. Na idade adulta, além da preocupação diminuir, normalmente a pessoa não tem um médico que faça uma consulta de rotina”, aponta o infectologista.  

Chebabo ainda explica que algumas vacinas recomendadas na fase adulta são mais recentes. Isso acontece porque a expectativa de vida está aumentando e, com isso, perdemos a imunidade adquirida com as vacinas tomadas na infância, sendo necessária uma dose de reforço.  

De acordo com ele, alguns cuidados são necessários na hora de tomar a vacina. Por isso, é importante observar a aplicação, vendo se a seringa e a agulha são descartadas na frente do paciente e se a dose está dentro da validade.  

“Deve ser observado se a vacina que será aplicada é a indicada pelo médico ou compatível com a idade da pessoa que receberá a vacina. Questionar sempre sobre a conservação da vacina, uma vez que as vacinas necessitam sempre estar em temperatura entre 2 e 8 graus”, alerta Chebabo. 

Febre amarela – Mais uma vez, durante este verão, os postos de Niterói e São Gonçalo, assim como em todo o Estado do Rio de Janeiro, lotaram com a procura pela vacina contra a febre amarela. A novidade é que os postos de saúde de 15 municípios da Região Metropolitana oferecem agora a dose fracionada, que protege contra a doença por oito anos. 
O infectologista e presidente do Instituto Vital Brazil, Edimilson Migowski, esclarece que a dose fracionada (0,1 mL) tem a mesma eficácia da dose plena (0,5 mL). A dúvida de muitas pessoas é em relação ao certificado internacional de vacinação para febre amarela, exigido por alguns países, que não aceitam essa nova configuração.

“Quem recebeu a dose fracionada durante a campanha e posteriormente decidir viajar deve ser imunizado com a dose padrão. Mas o intervalo entre as duas vacinas tem que ser de, no mínimo, 30 dias, de acordo com o Ministério da Saúde. Os postos estão aplicando a vacina apenas nos viajantes que comprovarem, com a passagem aérea, que estão indo para um destino que exija o certificado internacional”, explica o infectologista. 

Também houve a mudança na recomendação da vacina pelo Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). A imunização, antes equivalente a 10 anos, hoje é válida por toda a vida. De acordo com Migowski, a mudança foi necessária por causa do alto percentual de pessoas não vacinadas e da quantidade restrita de vacinas. Ele não descarta uma nova mudança na recomendação, futuramente.

“É sabido que uma dose protege de 92 a 95% das pessoas, um resultado excelente sob o prisma da saúde pública, que não ‘enxerga’ diferenças entre 92, 95 ou 100%. No momento, urge assegurar que cada um dos brasileiros tenha, pelo menos, uma dose da vacina, para (talvez) depois se propor uma segunda dose. Assim, todos os vacinados estarão (virtualmente) 100% protegidos”, conclui Edimilson.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comments

Veja também

Scroll To Top