Assine o fluminense

Desfile das Campeãs fecha o carnaval 2019


Mocidade, Salgueiro, Portela e Vila Isabel pisaram novamente na Sapucaí

A escola da Zona Oeste do Rio de Janeiro mostrou a simbologia do tempo no cotidiano e em tudo o que permeia a vida dos homens

Foto: Douglas Macedo

A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira a entrar na Marquês de Sapucaí para comemorar o resultado do carnaval de 2019. A escola, que ficou em sexto lugar, apresenta novamente seu enredo sobre o tempo. Outras cinco agremiações melhores colocadas na apuração deste ano desfilam novamente neste Sábado das Campeãs, entre elas a vice-campeã Unidos do Viradouro e a grande campeã Estação Primeira de Mangueira.

O desfile deste sábado foi muito bem-vindo para a Mocidade, já que na segunda-feira a escola, que foi a última a desfilar, passou na Avenida já com o dia claro. Para os dirigentes da verde e branco, essa foi a oportunidade de mostrar melhor ao público o que prepararam para este carnaval.

A escola da Zona Oeste do Rio de Janeiro mostrou a simbologia do tempo no cotidiano e em tudo o que permeia a vida dos homens, como a evolução do ser humano, o tempo em família ou até mesmo a corrida para pegar um transporte público.

Assim como no desfile oficial, a Mocidade entrou nas Campeãs dividindo o tempo entre Cronos, que é o tempo cronológico, e o Kairós, que é o tempo das coisas, sobre o qual o homem não tem poder nem controle.

Uma máquina do tempo veio na Comissão de Frente, que encenou uma viagem de reencontro com o passado e com a história da própria Mocidade, convidando o público, mais uma vez, a viver uma eterna juventude.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho e Cristine Caldas, representou o Big Bang, a explosão cósmica.

Cronos ressurgiu no abre-alas, contando a passagem do tempo. Elza Soares, que no desfile oficial veio como destaque, não desfilou na alegoria neste sábado. A artista será homenageada pela escola no carnaval do ano que vem. O carro mostrou o Pégaso, símbolo da imortalidade, mostrando também que tudo passa, menos o tempo.

A escola começa a separar as coisas que demarcam a passagem do tempo, desde as observações do homem que identificaram as estações do ano, como a agricultura ajudou o homem a identificar a passagem cíclica do tempo, até a criação dos primeiros relógios que buscavam controlar e delimitar a passagem do tempo junto com as diversas formas de calendários desenvolvidos pelas mais variadas culturas ao redor do mundo.

Para garantir uma mensagem segura, a Mocidade apresentou a evolução do enredo em ordem cronológica. Representando os dias atuais, a escola mostra como o homem se tornou escravo do tempo e acaba sendo engolido pelo pela vida moderna suas formas de demarcar a passagem do tempo. Museus, que guardam o passado, e a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, foram lembradas.

Alguns antigos carnavais da Mocidade também foram relembrados no último setor, fechando o desfile.

Salgueiro - Sem se preocupar com a avaliação dos jurados, os componentes do Salgueiro entraram na Avenida para brincar carnaval. Homenageando seu patrono espiritual, Xangô, a escola foi a quinta colocada em 2019. Nem gesto simbólico, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Estácio de Sá, campeã da Série A, desfilou na coirmã.
O Salgueiro trouxe um clamor pelo fim da impunidade, trazendo o rei da Justiça como principal elemento do desfile. O primeiro setor veio retratando a criação do mundo.

Na comissão, o sucesso do domingo de carnaval se repetiu. No sincretismo religioso, a devoção a Xangô apareceu associada à figura de São Jerônimo. A união dessas entidades simbolizou a sabedoria e a justiça da virtude dos negros e dos seus ancestrais. Assim como no desfile oficial, a presença de Eri Johnson na comissão arrancou aplausos das arquibancadas.

O carro abre-alas trouxe para a Sapucaí um mito africano sobre a criação da Terra e a origem dos quatro elementos. As galinhas d'Angola faziam a terra, os pombos brancos o ar, o camaleão dourado fazia o fogo e os caracóis o mar.

O desfile da vermelha e branca passeou pela história de Xangô, desde a sua criação e toda a sua representatividade no candomblé.

À frente dos ritmistas, Viviane Araújo veio como “borboleta de Oyá”, numa fantasia em que tons de vermelho predominavam,  e levantou a Marquês de Sapucaí.

Assim como a comissão, o terceiro setor traçava a relação do orixá com os santos católicos, mencionando São João Batista, São Miguel, São Pedro e outros.

A relação de Xangô como patrono espiritual do Salgueiro também entrou em cena, relembrando antigos desfiles da escola.

O orixá, propriamente dito, vinha no último setor, mostrando a falta de ética na administração pública e a busca pela justiça e pela verdade.

Assim, a última alegoria representava a esperança de Xangô, em espírito de justiça e lealdade, pedindo proteção contra os ladrões, corruptos, maus políticos e de todos os tipos de malfeitores que assolam a terra.

Portela - Em seguida, veio a Portela, quarta colocada após a avaliação dos jurados, trouxe Clara Nunes mais uma vez para a Sapucaí. Em clima de festa, a azul e branca homenageou a vida, a obra e a brasilidade da cantora mineira.

Mostrando ao público a devoção da artista, a comissão de frente apresentou o ritual das Guerreiras de Iansã, abrindo os caminhos da Portela e reverenciando a orixá, que veio, mais uma vez, na figura da cantora Mariene de Castro. Esse foi um dos grandes momentos do desfile.

A Águia, grande símbolo da Portela, veio no abre-alas, representando a essência da brasilidade e planando sobre o azul e branco da escola.

Prestigiando a irmã e porta-bandeira Lucinha Nobre, o cantor Dudu Nobre deixou um camarote onde se apresentava para desfilar pela Portela. Ela, ao lado de Marlon Lamar, emocionou o público, vestida como a própria Clara Nunes.

Em todo o desfile, a Portela traçou relações entre a artista e Madureira, com referências como os quadros pintados por Tarsila de Amaral. A infância de Clara em Minas Gerais até a sua ascensão também pautaram o enredo.

Fechando o desfile, a última alegoria fez referência ao altar pessoal de Clara, com uma mistura entre elementos católicos e afro-sagrados, retratando o sincretismo da religiosidade brasileira.

Vila Isabel - A escola de Martinho da Vila foi a quarta a desfilar no Sábado das Campeãs. A azul e branca do bairro de Noel apresentou a cidade soberana de Petrópolis, promovendo o encontro da Vila Isabel com a coroa da Família Real.

Carros enormes e luxuosos marcaram a passagem da Vila pela Marquês de Sapucaí. A rainha Sabrina Sato, vestida como Maria Fumaça, levantou o público, que sambava e gritava seu nome. Sua fantasia ainda soltava fumaça, com um efeito que chamou a atenção.

A escola relembrou a construção de Petrópolis, mostrando sua trajetória de grande importância brasileira. Considerada sua grande riqueza, a água, por ser tão pura e cristalina, ganhou destaque no desfile.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comments

Veja também

Scroll To Top