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Chacina: DH investiga ação de milícia

Delegada analisa imagens de câmeras de segurança próximas ao local do crime, e pede que testemunhas denunciem

Delegada Bárbara Lomba investiga a chacina em Itaipuaçu

Foto: Marcelo Feitosa

Os cinco jovens que foram executados na madrugada de domingo no condomínio “Minha Casa Minha Vida”, em Itaipuaçu, Maricá, podem ter sidos assassinados por milicianos. A informação é da delegada Bárbara Lomba, titular da Divisão de Homicídios (DH) de Niterói, que investiga o crime. Segundo a polícia, os jovens não tinham antecedentes criminais. A Prefeitura de Maricá decretou luto por três dias por conta da chacina e custeou as despesas dos enterros. Os corpos de três jovens foram sepultados no fim da tarde desta segunda-feira (26), no cemitério Municipal de Maricá. Outros dois serão enterrados no Rio e em Magé.

“Tudo indica a atuação de milicianos que prestariam a segurança do local do condomínio. Estamos apurando a hipótese de que os mandantes ou autores não gostassem das vítimas, pois alguns dos jovens faziam raps propagando alguma ideia que fosse contrária à atuação do grupo criminoso”, afirmou. 

A delegada disse ainda que no condomínio em que ocorreu o crime não há disputas por apartamentos, como já aconteceu em outros conjuntos do “Minha Casa Minha Vida”. No entanto, há um informação sobre a existência de uma “prestação de segurança”. 

Ainda segundo a delegada, a polícia procura testemunhas que possam fornecer informações mais detalhadas sobre o crime. 

“Estamos com todo o nosso pessoal empenhado em resolver esse caso. Esperamos receber denúncias, pois certamente alguém viu. Essas denúncias podem ser até anônimas. A ajuda da comunidade é muito importante nesse momento. Podem ligar para a delegacia ou para o Disque-Denúncia (2253-1177)”, solicitou. 

De acordo com a delegada, as vítimas foram executadas com armas de calibre 380. 

“Todos morreram com tiros na cabeça. Existe a hipótese de que pelo menos dois homens mandaram os jovens deitarem enfileirados no chão e depois atiraram. De início, falou-se em moto. No entanto, pelo modus operandi da ação, é impossível pessoas em motos fazerem isso”, explicou.

Polícia já está com imagens de câmeras nas proximidades do condomínio. 

“O local era precário em relação às imagens, mas ao longo da rua principal da cidade há câmeras. Vamos analisá-las e ver o que podemos descobrir”, afirmou.

Prefeitura custeia enterros 

A Prefeitura de Maricá informou em nota que três dos jovens assassinados faziam parte do Roda de Rima, projeto das secretarias de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher e da Cultura. A nota diz ainda que “além de custear os funerais, a prefeitura, através da Secretaria de Assistência Social, destacou três psicólogos (especializados em trauma) e três assistentes sociais para dar apoio psicológico às famílias. Todas passarão a ser acompanhadas por equipes do Centro de Referência em Assistência Social (Cras). A prefeitura está acompanhando as investigações e cobrará providências para que o caso seja esclarecido rapidamente pelas autoridades policiais”.

Minuto de silêncio 

Na sessão plenária desta segunda, vereadores  de Maricá fizeram um minuto de silêncio em homenagem aos mortos na chacina. O pedido veio do vereador Dr. Richard (PT), e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, que também criticou o fato de não ter visto nenhuma intervenção federal em Maricá. 

“Dias atrás eu disse que a sociedade está banalizando a vida. Não é porque é pobre que é bandido. Não é porque é jovem que é bandido. Não é porque mora em conjunto habitacional que é bandido. Foram cinco jovens executados. São membros de roda cultural. Alguns produziam rap. Eles não foram só vítimas de uma covardia, mas de um Estado degradado financeiramente e moralmente. Não sei se foram vítimas de uma intervenção fajuta. Não vi um militar em Maricá”, questionou. 

Já o líder do governo na câmara, Fabrício Bittencourt (PTB), informou que vai cobrar uma unidade móvel de segurança para cada condomínio popular. 

“Já estão sendo providenciados os módulos para o ‘Minha Casa Minha Vida, MCMV’ e um Proeis ostensivo com quatro policiais por dia nos condomínios”, informou.

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