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Marielle: polícia promete empenho

Chefe da Polícia Civil teve encontro com familiares da vereadora e do motorista, assassinados há um mês

Deputado Marcelo Freixo, a viúva de Marielle, Mônica, e a filha da vereadora, Luyara, na sede da Polícia Civil

Tânia Rego/Agência Brasil

O chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Rivaldo Barbosa, recebeu as famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes, na tarde desta segunda-feira (16), e prometeu empenho máximo na resolução do caso. Após a reunião, que durou cerca de uma hora e meia, Rivaldo falou à imprensa, mas não deu detalhes sobre as investigações, que correm sob sigilo. O pai, a mãe, a filha e a viúva de Marielle, além da viúva de Anderson, participaram do encontro.

“Nós estamos nos empenhando ao máximo na elucidação deste fato criminoso. Estamos lidando com um crime bastante complexo, que exige uma apuração mais detalhada e isso demanda um tempo. Traz um desafio maior, mas estamos enfrentando esse desafio dia a dia, e a gente tem uma expectativa muito boa que possa resolver isso o mais rápido possível”, disse Rivaldo.

O delegado evitou comentar a informação, divulgada mais cedo, pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, de que os indícios apontam para crime com envolvimento da milícia. 

“A Polícia Civil do Rio de Janeiro só vai comentar a autoria e a motivação no final da investigação. É bom que se diga que a polícia já entendeu a grande parte do cenário do crime. Faltam alguns procedimentos que serão feitos posteriormente. Mas o que eu peço que a sociedade entenda é que nós estamos utilizando todos os meios e nós não vamos descansar enquanto não resolvermos esse caso”, afirmou. de seu último compromisso político.

A viúva de Marielle, arquiteta Mônica Benício, considerou positivo o resultado do encontro. 

“A gente teve uma excelente reunião aqui hoje. Acho que, de alguma forma, nos tranquiliza. Entendemos que todos estamos aflitos por uma resposta. Mas não há ninguém mais aflito, querendo uma resposta para o que aconteceu com a Marielle e o Anderson, que a família. Estamos todos cientes de que não é um caso fácil, mas estamos diante de uma equipe altamente qualificada cuidando das investigações”, disse Mônica.

Sem esquecimento – O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) acompanhou o grupo e ressaltou que o objetivo é não deixar que o caso caia no esquecimento: “É claro que a gente vai continuar cobrando, mas há entendimento de que este tempo é necessário para que a investigação aconteça. Nós estamos aqui para cobrar resultado. Para deixar claro que este caso não será esquecido, que não será apagado por uma outra tragédia. Há, tudo indica, uma motivação política para esse homicídio”.

Freixo teme perda de escolta. Alerj se defende

Freixo comentou ainda a decisão, publicada nesta segunda-feira (16), no Diário Oficial do Estado, de retorno obrigatório de dezenas de policiais militares que trabalham na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), fazendo a escolta de deputados. 

A medida, se levada a cabo, vai reduzir a escolta que Freixo tem direito desde que presidiu a CPI das Milícia, há dez anos. Ele disse que ia falar com o secretário de Segurança do Rio, general, Richard Nunes, sobre o assunto.

“Eu tenho certeza que vai prevalecer o bom senso. Porque não é possível que, neste momento, nesta situação, se retire qualquer policial da minha escolta. Adoraria poder viver sem escolta, é o que eu mais desejava para a minha vida pessoal. E só tenho escolta por causa da minha vida pública, porque investiguei as milícias há dez anos. Depois da CPI das Milícias, depois da morte da Marielle, é evidente que eu não posso perder dois policiais qu fazem a minha escolta”, disse Freixo. 

Determinação – O interventor da segurança no Rio, general Braga Neto, decidiu pelo regresso de 87 dos 140 PMs cedidos à Alerj. Mas a decisão ainda não está fechada e depende de negociações entre os poderes.

Sobre a decisão da secretaria de Estado de Segurança de convocar 87 policiais militares que estavam cedidos ao Legislativo, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) esclareceu, através de nota oficial publicada em seu site, que:

“A Casa não teve nenhuma ingerência na elaboração da lista de agentes convocados. Trata-se de uma decisão unilateral da secretaria baseada em critérios definidos por ela mesma.

Na última quarta-feira, a presidência da Casa se reuniu com a chefia de gabinete da secretaria e apresentou uma proposta de financiar um reforço de 300 agentes por dia nas ruas, por meio do Regime Adicional de Serviço (RAS), além da devolução de 10% dos policiais cedidos, mesmo percentual exigido de outros órgãos. O reforço no policiamento pelo RAS seria imediato, com policiais que já estão atuando nas ruas.

Quanto à questão financeira, é importante ressaltar que desde 2015 a Alerj não recebe na íntegra seu orçamento de pessoal via duodécimos, como ocorre com os outros poderes. Com a crise, a Casa passou a enviar sua folha de pagamento ao Estado e receber o valor exato para quitar seus salários. Nesse período, a diferença entre o orçamento aprovado e o executado chega a R$ 378 milhões, valor muito superior à alegada dívida. A Casa já está em tratativas com a Fazenda Estadual para promover um encontro de contas e esclarecer a questão.

A Alerj jamais deixou de contribuir com a superação da maior crise que o Estado já viveu. A Casa votou matérias duras que permitiram a adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal, como aumento da alíquota previdenciária de servidores, reajuste em impostos estaduais, teto de gastos para os poderes, entre outros. Além das medidas votadas, a Alerj economizou, só em 2017, R$ 306 milhões de seu orçamento, entre custeio e pessoal, recursos que ficaram nos cofres do Estado”.

 
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