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Operação contra jogo do bicho em São Gonçalo

Polícia Civil e MP cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 57 mandados de busca e apreensão. Policiais são investigados

Policiais atuam em Niterói e São Gonçalo

Foto enviada via WhatsApp OFLU

Dezessete pessoas foram presas durante a Operação Saigon, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público nesta segunda-feira (13), acusadas de envolvimento em grupo que opera o Jogo do Bicho e outras apostas ilícitas em São Gonçalo. Ao todo, foram expedidos 23 mandados de prisão e 35 de busca e apreensão contra denunciados por crimes de organização criminosa e peculato. Um dos chefes da quadrilha foi preso em um condomínio no Centro de Niterói com joias e cerca de R$ 50 mil em espécie. A organização atuava há mais de 10 anos, movimentando cerca de R$ 10 milhões mensais, através de aproximadamente 300 pontos de jogo.

Por volta das 5h desta segunda-feira (13), os policiais responsáveis pela operação, cerca de 35 delegados e 216 agentes policiais, deixaram a sede da Cidade da Polícia, no Rio, e se dividiram por diferentes pontos do Estado. Luis Anderson Azeredo Coutinho, apontado como líder, foi preso em um condomínio na Avenida Marquês do Paraná, no Centro de Niterói, na companhia de sua esposa. Seu irmão, também apontado como líder, Alexandre de Azeredo Coutinho, o Tioco, foi preso em sua casa em Cabo Frio.

Luis Anderson chegou a cumprir pena por homicídio, o que, segundo a polícia, não o impediu de comandar o jogo de dentro da prisão. Escutas autorizadas pela Justiça flagraram ligações de telefones celulares da cadeia. O suspeito obteve habeas corpus e respondia em liberdade até ser preso.

As investigações, que duraram cerca de um ano, constataram que a exploração do jogo do bicho era um negócio de família que passou por três gerações. Tanto o pai quanto a avó dos irmãos, a matriarca do jogo de bicho no município, identificada como Dona Renne, que morreu durante as investigações, já estiveram à frente da atividade. 

A organização criminosa tinha o objetivo de corromper funcionários públicos, especialmente agentes das Forças de Segurança, para viabilizar o funcionamento das apostas na cidade. Pelo menos oito policiais militares e três policiais civis, entre eles, agentes da ativa, reformados ou expulsos, sendo um lotado na 75ªDP (Rio do Ouro) e outro 82ªDP (Maricá), são investigados. Seis PMs e dois policiais civis foram presos nesta segunda. Ao todo, foram 53 pessoas denunciadas por organização criminosa nos crimes de corrupção ativa, passiva e peculato.

Segundo a investigação, os policiais atuavam no esquema como segurança ou cobrador e garantiam, através de propina, a atuação da organização criminosa no município, omitindo das instituições públicas a ação da quadrilha. O policial civil aposentado Allan Kardec Silva Menezes foi apontado pelas denúncias como o elo entre os criminosos e as delegacias de polícia. Ele aproveitava seu antigo cargo para transitar pelas unidades de polícia judiciária – unidade incumbida de reprimir a prática da contravenção do Jogo do Bicho.

Durante a ação, a polícia apreendeu cerca de R$ 50 mil em espécie, joias, um veículo e materiais de contabilidade que, para os investigadores, comprovam que o esquema de jogo do bicho está ativo. Os funcionários da organização tinham direito a planos odontológico e de saúde, com quarto privativo e cobertura nacional. Uma empresa, que pertencia a um dos policiais civis preso na operação, era usada de fachada para empregar os colaboradores da quadrilha e oferecer os benefícios. A Justiça determinou o bloqueio de bens e de senhas bancárias dos presos.

O grupo se dividia em arrecadadores (responsáveis pelo fechamento das apostas em cada ponto), seguranças, subgerentes, gerentes e donos do ponto de apostas, os bicheiros. O salário mensal de cada integrante da quadrilha era de R$ 6 mil em média. Ainda de acordo com as investigações policiais, há nos autos vastos elementos probatórios, como homicídios com características de execução; tentativas de homicídio; queima de arquivo; proteção territorial; peculato e corrupção a agentes públicos. 

A Polícia Civil e o Ministério Público darão continuidade a segunda parte da operação, que terá como foco a identificação dos policiais corrompidos pelo o esquema e também a lavagem de dinheiro. Além da denúncia por formação de organização criminosa e peculato, o MPRJ requisitou ainda o bloqueio das contas bancárias dos integrantes do alto escalão da organização.

 
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