Num mundo globalizado e com o mercado cada vez mais exigente as escolas técnicas podem ser um importante canal de acesso ao mercado de trabalho para os profissionais. O campo de atuação é vasto e conta com diversas áreas promissoras, como: petróleo e gás, indústria naval, construção civil, hotelaria, gastronomia etc. Já os salários, muitas das vezes superam o de profissionais graduados no Ensino Superior. Um técnico de segurança do trabalho, por exemplo, tem rendimento inicial R$ 1,5 mil podendo chegar até R$ 6 mil.
O gerente de marketing e operações do Senac Rio, Fábio Coelho, conta que o Estado do Rio corresponde a cerca de 80% da produção de petróleo, e com base nisso são gerados empregos diretos e indiretos. Além disso, há uma cadeia produtiva em volta oferecendo chances também na área de serviços para técnicos, como: gastronomia, hotelaria, construção civil etc.
"Estima-se que o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) vá gerar cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos até 2011. Sendo que ainda não há mão-de-obra qualificada para isso tudo. Portanto, é importante que as pessoas fiquem atentas e busquem uma especialização
Orientação profissional
Segundo o consultor e orientador de carreiras do Catho Online, Obadia Sion, há uma carência muito grande no mercado de profissionais de nível médio (técnico qualificado).
"Na sociedade brasileira existe um certo preconceito com o ensino técnico qualificado. Os pais, avós e estudantes precisam acreditar nessa possibilidade. Às vezes, um estudante passa anos tentando ingressar no curso de Odontologia, por exemplo, em uma universidade pública e acaba não conseguindo e sentindo-se desestimulado. Hoje em dia, o jovem não pode perder tempo. Ao invés disso, ele poderia adquirir uma qualificação técnica na área de informática, por exemplo, receber um salário de cerca de R$ 1,5 mil e arcar com os custos de uma universidade particular. Deste modo poderia financiar sua especialização, até mesmo em uma instituição de renome, posteriormente", explica o consultor.
Dica – Outro conselho importante, segundo Obadia, é o jovem fazer o teste vocacional para verificar suas aptidões antes de tentar entrar para um curso técnico ou até mesmo na universidade.
"É essencial definir um planejamento de carreira, mas antes é imprescindível um teste de vocacional, no qual serão identificadas as aptidões natas, as aptidões adquiridas, os desejos pessoais e a realidade de mercado. Vale ressaltar que a última só corresponde a 25% de um contexto."
Cefet e Faetec capacitam para diversas áreas
De acordo com o diretor de desenvolvimento e educação do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), Mauricio Saldanha, há um déficit de recursos humanos e uma grande dificuldade de contratação desses profissionais por parte das empresas, a ponto de haver um risco de faltar mão-de-obra qualificada suficiente para suprir a demanda.
"Sabemos que hoje em dia muitas destas organizações importam mão-de-obra qualificada por conta desta carência. A base da área industrial são os técnicos. Muitas vezes, um bom técnico tem o salário melhor do que um profissional graduado. E as próprias empresas ( cerca 2.750 cadastradas) buscam nossos alunos com perspectiva de contratação até mesmo antes deles completarem a graduação."
Segundo o diretor do Cefet, Mauricio Saldanha, o Plano de Aceleração do Crescimento ( PAC) está aquecendo as áreas de indústria, petróleo e gás, administração, gestão e logística, construção civil, entre outras. E existe grande possibilidade de ascensão profissional para os técnicos que dominam idiomas estrangeiros.
"Há grandes projetos em andamento, como por exemplo, o pólo gás químico, que gera oportunidade em diversas áreas. Portanto há uma necessidade de profissionais habilitados com um espectro mais variado possível. Além disso, o mercado tem grande interesse em técnicos que dominem idiomas estrangeiros, principalmente o inglês. Até mesmo as empresas proporcionam a eles cursos de capacitação nesse sentido. Hoje em dia, com a globalização, o domínio da língua estrangeira se tornou primordial. Pois os funcionários acabam trabalhando com estrangeiros, além de terem que ler documentos em outros idiomas", explica Saldanha.
Faetec - A coordenadora técnica da vice-presidência educacional da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec-RJ), Nadia Vilella, conta que a instituição tem cerca de 38 cursos técnicos, distribuídos por 23 escolas por todo o Estado do Rio. A instituição tem cerca de 16.615 alunos matriculados nos ensinos Médio e Técnico.
"A Faetec busca abranger todas as áreas profissionais. Os cursos mais procurados são estruturas e máquinas navais, área médica, serviços, eletromecânica, eletrônica, telecomunicações, mecânica, área de construção civil. A maioria de nossos alunos conseguem se inserir no mercado, pois temos empresas conveniadas que buscam a mão-de-obra técnica qualificada", conta a coodenadora Nádia.
A unidade da Faetec em Niterói, Escola Estadual Henrique Lage, no Barreto, tem 2.347 alunos e oferece cursos técnicos para o nível médio (três anos) e pós-médio (dois anos), distribuídos em áreas como edificações, eletrotécnica, máquinas navais, estruturas navais e eletrônica. Só é possível ingressar na escola por meio de concuro. O edital sai até o final do ano.
A Faetec em parceria com o Centro de Ciências e Educação Superior a Distância (Cecierj), está com inscrições abertas para 1.680 vagas, até o dia 7, para cursos técnicos a distância nas áreas de eletro-eletrônica e bombeiro hidráulico entre outros.
Cargos e salários
O guia de turismo tem remuneração inicial de R$ 1,2 mil. Já o técnico em hospitalidade recebe entre R$ 800 e R$ 1mil. Esses profissionais tendem a seguir carreira nos cargos de administração operacional de hotéis, chegando à função de gerente. Nesses casos, o salário pode alcançar R$ 6 mil.
Chef de cozinha - O piso inicial é de R$ 1, 5 mil, podendo até quadruplicar dependo da progressão da carreira e da experiência. Esses profissionais atuam dentro da cadeia produtiva do turismo, em bares , hotéis e restaurantes. As as redes internacionais de hotéis dão bônus aos funcionários por desempenho. Os funcionários podem receber de três a cinco salários extras por ano, além do 13°.