Mesmo sem um prazo certo para sair do papel, a Prefeitura de Niterói garante que tem um projeto para a construção de novas ciclovias na cidade. Duas delas, na Região Oceânica, já teriam um trajeto definido, faltando apenas receberem pavimentação. A informação foi divulgada ontem, após reportagem de O FLUMINENSE, publicada no domingo, trazer críticas de diversos ciclistas sobre a falta de espaços adequados para as bicicletas no município.
Niterói dispõe atualmente de um total de 70 vagas em sete bicicletários, que ficam na Praça Araribóia (junto à Estação das Barcas) e na Rua Almirante Teffé, ambas no Centro. Em Icaraí, os bicicletários ficam na Rua Miguel de Frias e em quatro pontos da Rua Gavião Peixoto. De acordo com a Prefeitura, o Plano Diretor de Transportes do município prevê a construção de ciclovias ao longo de toda a orla.
O secretário de Urbanismo e Controle Urbano, Emmanuel Sader, disse que há diversos projetos e estudos em andamento, como a construção de uma ciclovia que integraria as regiões do Centro, Icaraí e Santa Rosa. Segundo o secretário, na Região Oceânica, as lagoas de Itaipu e Piratininga também vão receber vias para bicicletas, sendo que a segunda já dispõe de um caminho a ser pavimentado.
"Temos a preocupação de estimular o uso das bicicletas como meio alternativo de transporte e estamos trabalhando no sentido de viabilizá-lo", garantiu Sader.
O Governo do Estado também prepara a implantação de um programa de incentivo ao uso da bicicleta, previsto para começar em Niterói. Entre outras ações, o "Rio - Estado da Bicicleta" prevê a construção de mil quilômetros de ciclovias em todo o Estado, dos quais dez seriam em cada um dos 92 municípios e 80 na extensão do Arco Rodoviário Metropolitano, cujas obras já começaram.
Ainda segundo o programa, serão instalados bicicletários em pontos de parada ou terminais de transportes coletivos de cada cidade, para uso através do sistema de integração. O valor da utilização será integrado à passagem do meio de transporte.
Poluição – Se usasse um carro movido à gasolina, o estudante Felipe Leite, de 26 anos, despejaria no ar cerca de 710 gramas de gás carbônico para percorrer os 3,5 quilômetros entre a sua casa, no Vital Brazil, e o campus do Valonguinho da Universidade Federal Fluminense (UFF). Por mês, seriam 2,3 mil gramas da substância.
"Eu só uso bicicleta, pedalo por toda a cidade, não ando de ônibus. Sempre vou de bicicleta para a faculdade. Se construíssem uma ciclovia, seria bem interessante, pois traria segurança, porque às vezes passamos no meio de carros", explicou Felipe.
Bruno Gonçalves, de 21, que também é aluno da UFF, só que do campus Ingá, também é adepto das pedaladas e prefere não andar de ônibus.
"Eu acho o preço da passagem exorbitante. Ter que pagar R$ 2 de Icaraí até o Ingá não dá. Além de não gastar dinheiro, aproveito para gastar energia e ficar em forma. Se o governo fizesse uma ciclovia bem feita, valorizaria a cidade e estimularia mais gente a andar de bicicleta. Outra coisa que me preocupa é a segurança com as bicicletas, pois não temos bicicletários. Ano passado mesmo, roubaram minha bicicleta", disse o universitário.
A Polícia Civil não dispõe de números oficiais sobre roubos e furtos de bicicletas em Niterói. No último dia 31, policiais da 76ª DP (Centro) prenderam em flagrante Willian Garcia, de 28, acusado de praticar mais de 15 furtos de bicicletas no Centro e no Ingá, nas semanas anteriores.
De acordo com os agentes, as vítimas compareceram à delegacia para prestar depoimento e o reconheceram como o autor dos crimes. Ainda segundo a polícia, Willian Garcia foi detido na Rua Coronel Gomes Machado, no Centro, quando seguia com mais uma bicicleta que havia roubado.