Um assalto audacioso mobilizou 12 policiais do Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM) e um helicóptero, na manhã de ontem, em São Gonçalo e na Avenida do Contorno, no Barreto, Zona Norte de Niterói. Dois bandidos armados com revólveres levaram quase R$ 21 mil, em espécie, de uma empresa de serviços navais que usava uma lancha privada do estaleiro Renavi/Enavi, em plena Baía de Guanabara. Na fuga os bandidos roubaram o Espace Fox prata, placa LPL-4770, de um funcionário do Cemitério do Maruí, no Barreto. A dupla foi perseguida pelas equipes do GAM até São Gonçalo, onde os policiais encontram apenas o automóvel da vítima, na Favela do Gato, no Gradim.
O crime chocou as testemunhas pela desenvoltura dos ladrões, que aparentavam ter entre 40 e 45 anos e estavam bem vestidos. A quantia de dinheiro levada pelos assaltantes, segundo um empresário, de 42, que estava na lancha atacada, era para pagar funcionários da empresa Company Santana Serviço Naval, que presta serviços para o estaleiro Renavi/Enavi.
O empresário seguia para a Ilha Renavi, acompanhado de uma auxiliar administrativa, de 20, e de mais oito colaboradores das empresas, em uma lancha, por volta das 9 horas. Já no meio da Baía de Guanabara, próximo à ilha, os dois assaltantes, que haviam entrado na embarcação fingindo ser funcionários, anunciaram o assalto e ordenaram que o piloto voltasse para terra firme.
Quando saíam do estaleiro com o dinheiro em uma mochila, os bandidos se depararam com um policial militar à paisana, que tentou render a dupla. Eles fugiram pulando o muro do Cemitério do Maruí, onde renderam o funcionário Getúlio Alves Cardoso, de 63, que chegava ao trabalho.
"Não deu tempo de fazer ou pensar em nada. Eles queriam fugir e quase nos levaram junto", contou o servidor municipal, que estava acompanhado do filho.
Outros funcionários do cemitério teriam presenciado o roubo do veículo.
"Até tinha um guarda municipal, mas imaginem dois revólveres apontados para vocês. Não há tempo hábil de se fazer nada", disse outra testemunha.
GAM - Depois de acionados, três equipes do GAM se dividiram e diligenciaram pelos possíveis locais da fuga dos ladrões. Por céu e por terra, com um helicóptero e viaturas, os policiais estiveram em Vila Lage, Neves e Gradim, em São Gonçalo. O carro do funcionário municipal foi encontrado em uma favela do Gradim.
Segundo o capitão PM Rodrigo Duton, do GAM, a operação durou até às 12 horas.
"Realizamos diligências por quase três horas sem disparar um tiro e conseguimos recuperar o carro de uma das vítimas", concluiu.
Caixa roubado com guincho
Em agosto, dez homens armados roubaram um caixa eletrônico do banco Bradesco de dentro do Estaleiro Enavi/Renavi, na Avenida do Contorno, no Barreto, na Zona Norte de Niterói. A quadrilha invadiu o local com um caminhão guincho, que foi usado para içar o caixa. O assalto, que durou cerca de 40 minutos, começou quando um dos ladrões ligou para o caminhoneiro Sérgio Sally, de 45 anos, que possui um caminhão guincho, simulando precisar do serviço de reboque. Quando Sérgio chegou ao local, acompanhado da mulher, foi algemado e levado, junto com o caminhão, para o estaleiro.
De acordo com o caminhoneiro, ele, a mulher e mais 16 funcionários do estaleiro, entre eles quatro estrangeiros que aguardavam a chegada de uma embarcação, ficaram presos em um vestiário, enquanto o bando arrancava o caixa eletrônico com marretas e talhadeiras.
Depois de retirar o equipamento, os bandidos não conseguiram colocá-lo no veículo e obrigaram o caminhoneiro seguir para o Rio, onde o casal só foi liberado com o veículo na Favela do Muquiço, em Guadalupe. Lá, o caminhoneiro ainda foi obrigado a colocar o equipamento na caçamba de uma picape Dakota cinza.
Dois dias depois, o delegado que investiga o crime, Roberto Gomes, da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), afirmou que o caixa eletrônico roubado estava vazio.