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‘Investir na bolsa é para todos’



Ex-publicitário criou um canal na internet para ajudar e incentivar pessoas a entrarem no mercado financeiro

Ricardo Brasil dá dicas para ‘democratizar’ o investimento na Bolsa de Valores

Foto: Alex Ramos

Com o objetivo de atrair e ensinar mais pessoas a investirem no mercado financeiro, o ex-publicitário Ricardo Brasil resolveu criar um canal no YouTube para, segundo ele, “democratizar” o acesso à Bovespa, mostrando que qualquer um tem a possibilidade ganhar dinheiro com ações. Há cerca de dois anos, ele posta vídeos semanalmente no canal “Ganhando a Vida Adoidado”, através do qual, com uma linguagem simples e descontraída, dá dicas e explica o quase sempre difícil “economês” dos bancos e dos jornais especializados. 

Carioca de nascimento, Ricardo se mudou para São Paulo para trabalhar como publicitário, mas sempre foi encantado pelo mundo da Bolsa de Valores, começando a investir há quase 15 anos. Sua primeira experiência foi um programa do governo chamado PIBB11, baseado nas 50 ações com mais liquidez da Bolsa. 

“Em três meses já deu 47% de lucro e meu início foi assim. Ligava para a corretora e queria comprar ações e eu não sabia nada, não havia tanta informação na internet como existe hoje”, disse. 

Brasil conta que passou a viver apenas de transações em Bolsa de Valores após se mudar para o Rio de Janeiro, para cuidar de sua mãe que estava doente, em 2006. Como tinha que ficar  acompanhando-a no hospital e em casa, envolveu-se ainda mais com o mundo financeiro.

“Depois ainda voltei a trabalhar como publicitário atuando em campanha política, mas ia toda hora verificar quanto estavam as ações. Percebi que precisava me dedicar mais ao assunto e resolvi focar apenas no mercado de ações, passando a trabalhar apenas com isso”, contou. 

“Não posso indicar compra de ações, pois não sou analista, mas posso dar o caminho das pedras. Eu explico o que é ação ordinária, o que é um ‘mico’, explico o que é uma ‘sardinha’, o que é um ‘tubarão’, que são expressões que usamos na Bolsa. Eu tirei o terno do negócio e mostro que qualquer pessoa pode entender e investir”, declarou. 

Trocando em miúdos - Ricardo Brasil também montou cursos para ensinar as pessoas a entenderem como funciona e como investir na Bolsa de Valores, sendo o mais famoso o Long&Short,  um sobre Ofertas Públicas, que ocorre quando empresas ofertam ações na Bolsa, e ainda tem o curso para iniciantes, que estará disponível a partir do fim do ano ou no mais tardar no início de 2020, com dicas para quem quer começar no mercado de ações e ir além dos vídeos postados no canal do YouTube. Todos os cursos estão disponíveis no endereço eletrônico ganhandoavidaadoidado.com.br. 

“O Long&Short é uma operação em que você tira o risco de mercado. Long é uma operação comprada, Short é uma operação vendida. Então esse é um processo onde você compra uma ação para vender outra, Coca-Cola e Pepsi estão sempre no mesmo valor, quando elas ficarem diferentes é hora de entrar com a operação porque você tira o risco de mercado com duas ações que tem uma relação de mercado. A Oferta Pública acontece quando uma empresa oferece ações na Bolsa, quando ela abre capital, ou quando uma empresa já está no mercado e vai lançar novas ações na Bolsa. Quem fez isso recentemente foi a BR Distribuidora, que em 2017 abriu capital e agora a Caixa, que era dona de 6% das ações da BR, resolveu vender sua participação”, disse. 

Como começar? - Para quem se interessou e quer entender um pouco mais sobre a Bolsa de Valores, Ricardo Brasil recomenda que o primeiro passo é encontrar uma corretora séria e investir aos poucos para se habituar com o dia a dia das negociações e sentir as formas de fazer investimentos. 

“Pode ser um valor entre R$ 3 mil a R$ 5 mil, hoje a corretagem está muito barata e funciona como um teste. Mas para quem quer começar a sério, vale a pena investir  uns R$ 25 mil para ter a possibilidade de ganhar até R$ 1 mil em um mês. O melhor que posso recomendar é começar  pequeno, para entender e se acostumar com o mercado”, aconselha. 
Ricardo Brasil acredita que a bolsa tende a ganhar força no futuro. Para ele,  o Estado brasileiro pode continuar com o controle acionário de muitas empresas, mas não ter a mão do governo em tudo é a melhor opção no ponto de vista do investidor,  um gestor privado pode gerar mais lucro até para o próprio governo que terá parte das ações. 

“As pessoas não precisam viver de Bolsa, mas investir na Bolsa é para todos. Rende mais que deixar o seu dinheiro na poupança. O Brasil tem 0,29% da população na Bolsa e 0,3% na prisão. Alguma coisa está errada nessa conta. Nos Estados Unidos mais de 50% da população têm investimentos na Bolsa. Claro que a maioria não vive só de Bolsa, eles trabalham tem seus empregos e aplicam na Bolsa como forma de investimento, para comprar um carro, pagar a faculdade do filho. Recentemente a Bovespa alcançou um milhão de CPFs, mas ainda é muito pouco em relação à população do Brasil”, concluiu. 

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