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Artigo: Jogos Olímpicos 2016, orgulho brasileiro



Por General Marco Aurélio Costa Vieira

Artigo: Jogos Olímpicos 2016, orgulho brasileiro

Foto: Divulgação

No último dia 5 de agosto, fez três anos que o mundo assistiu, deslumbrado, à abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma cerimônia impecável e que não ficou devendo a nenhuma outra de Olimpíadas anteriores. Naquela histórica noite de sexta-feira, cerca de 4 mil brasileiros integrantes do Comitê Organizador dos Jogos, os verdadeiros artífices do maior evento logístico de “não guerra” já realizado no Brasil, começavam a ver materializados os resultados de um trabalho de sete anos, não sem um enorme peso nos ombros. As expectativas todas eram muito pouco favoráveis, principalmente por parte da mídia, e as previsões apontavam para despesas excessivas, falhas na operação e ameaças à imagem do Brasil. 

Uma observação: o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos foi uma empresa estruturada com fim específico de realizar os Jogos, decorrência natural da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. O chamado COJO foi criado em 2010 e nada teve a ver com o Comitê de Candidatura Rio 2016, cuja missão (encerrada em 2009) era exclusivamente de trabalhar para que o Rio vencesse as outras cidades postulantes, na ocasião Madrid, Tóquio e Chicago. 

Passados três anos daquelas intensas emoções, é no mínimo didático lembrar primeiramente o que foi vivido nos meses que antecederam às Olimpíadas. É importante também ressaltar o que conseguimos realizar, apesar de todos os problemas do País, e o que ficou como herança dos Jogos. 

Recordemos que em 17 de abril de 2016, três dias antes do início do revezamento da Tocha Olímpica, em Olímpia na Grécia, a Câmara de Deputados aprovou o prosseguimento do processo de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. Ainda, em 17 de junho, faltando apenas 49 dias para o início das Olimpíadas, Francisco Dorneles, governador em exercício na ocasião, decretou a “calamidade pública” do Estado do Rio de Janeiro. A “grave crise financeira” era o motivo alegado, e os compromissos vinculados aos Jogos Olímpicos a própria comprovação da necessidade do decreto. 

Naqueles momentos críticos, a mensagem dos Governos para os patrocinadores, fornecedores, imprensa, e mesmo para os profissionais da organização, não poderia ter sido pior. A ameaça de suspensão dos Jogos, a insegurança financeira e os ataques implacáveis da imprensa atingiram um nível insuportável, que só foi superado pela firme convicção própria da excelência do trabalho desenvolvido até aquele momento, pelo Comitê Organizador. 

A verdade é que, apesar de todas essas condições reconhecidamente desfavoráveis, nós brasileiros fizemos acontecer Jogos Olímpicos memoráveis, com uma organização impecável, em um ambiente de congraçamento universal, com recordes de medalhas e público. Ao falar sobre a cerimônia de encerramento, que aconteceu na noite de domingo (21), Tom McGowan, da rede de TV “CNN”, disse que “foi uma noite para o Rio comemorar. Apesar de preocupações sobre segurança e zika, os Jogos ocorreram em grande parte sem problemas”. No “Wall Street Journal”, Paul Kiernan afirmou que “os Jogos Olímpicos de 2016 não foram o desastre épico que muitos temiam... Para a maioria dos visitantes, foi um evento esplêndido”. 

Ainda que o reconhecimento da mídia internacional, normalmente muito rigorosa em suas críticas, tenha sido excepcional, um considerável contingente de cidadãos brasileiros, e até da imprensa nativa, continuam argumentando que os bilhões investidos nas Olimpíadas não trouxeram qualquer retorno significativo para os brasileiros. E há alguma razão nessas afirmativas, afinal as obras e projetos públicos na verdade proporcionaram condições para que paralelamente fossem legitimados procedimentos ilícitos e não éticos, atos de corrupção e superfaturamento em construções, o que tem servido para aumentar a descrença sobre a validade da realização dos Jogos no Brasil. A relação espúria entre os governos e determinados agentes econômicos (grandes construtoras em particular), que resultou inclusive na prisão do governador do Rio de Janeiro e de alguns empresários, manchou a imagem e até hoje tem dificultado os brasileiros de reconhecerem o enorme feito dos Jogos Olímpicos Rio 2016.  

Entretanto, isso não invalida os resultados. Não há como negar que graças às Olimpíadas, por exemplo, hoje temos um Laboratório de Controle de Dopagem dos mais modernos do mundo, a Linha 4 do Metrô carioca existe, e a Baía da Guanabara apresenta as melhores condições ambientais em 50 anos, ainda que em índices abaixo do prometido quando da candidatura. O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o Parque Olímpico da Barra, o Complexo Olímpico de Deodoro, o Parque Radical, a duplicação do Elevado do Joá e do Viário do Parque Olímpico, a revitalização da Região do Portuária (Porto Maravilha) são também intervenções urbanísticas e esportivas que dificilmente aconteceriam sem o catalisador olímpico. 

Por outro lado, a herança imaterial também tem sido muito pouco considerada. As críticas não costumam lembrar o know how adquirido no planejamento e operação do maior evento esportivo do mundo pelas áreas de segurança pública, transportes, city operations, logística, e tecnologia. Nem sequer valorização da imagem do Brasil ou mesmo a exposição dos locais e aspectos turísticos brasileiros para bilhões de pessoas ao redor do mundo foi devidamente aproveitada.

Entretanto, é muito justo o nosso orgulho de, sob as mais difíceis circunstâncias políticas e econômicas, ter conseguido operar simultaneamente, ao longo de mais de dois meses, mais de 160 instalações - sendo 36 arenas esportivas, 6 estádios de futebol, 6 aeroportos e o porto do Rio de Janeiro - atendendo mais de 11 mil atletas e 500 mil espectadores.
É gratificante ver concretizadas grandes obras e termos colaborado para um novo rosto da cidade do Rio de Janeiro. É compensador termos sido capazes de influir na percepção dos brasileiros sobre temas como acessibilidade, inclusão e sustentabilidade, e na melhor visão dos estrangeiros sobre o Brasil. E é um enorme prazer profissional receber o reconhecimento do mundo esportivo sobre a capacidade brasileira de organizar o megaevento Olímpico, uma conjugação peculiar e única – em âmbito mundial – de esforços políticos, esportivos e sociais.

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