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Aula magna de um Nobel da Paz



Adolfo Pérez Esquivel, premiado em 1980, falou sobre compromissos da educação superior na UFRJ

Professor universitário na Argentina, Esquivel foi aplaudido na UFRJ. Ele queria visitar Lula, mas teve o pedido negado

Tânia Rego/Agência Brasil

Aplaudido a todo momento por um auditório lotado, o Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, defendeu nesta quarta-feira (18) uma educação superior comprometida com a liberdade e os direitos humanos em aula magna ministrada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  Estudantes, servidores e professores ocuparam todo o auditório, ficaram de pé e sentaram no chão para ouvir as palavras do ativista que faz parte da história da defesa dos direitos humanos na América Latina.

“A universidade tem a capacidade de transmitir consciência crítica e valores e de formar homens e mulheres para a liberdade, e não escravos de um sistema. Esse é o desafio das universidades”, disse Esquivel, que é professor da Universidade de Buenos Aires. 

“A universidade tem de ser rebelde frente às injustiças e ao sofrimento do povo. Temos de trabalhar para a vida e não para a morte”.

Pérez Esquivel lembrou da militância na época das ditaduras militares da América Latina, ao lado do arcebispo católico Dom Helder Câmara e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou como “um preso político”. 

“Lula não é um delinquente, é um preso político”, afirmou Esquivel, que pretendia  visitar Lula na prisão, em Curitiba, mas o pedido foi negado pela  juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela custódia do ex-presidente. Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal desde o último dia 7, onde cumpre pena por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. 

Além da sala onde está Lula, Esquivel solicitou autorização para inspecionar as demais instalações da superintendência, na condição de presidente da organização não governamental Serviço de Justiça e Paz (Serpaj).

“Efetivamente, não há fundamento legal a amparar a pretensão deduzida”, disse a juíza no despacho, justificando que o direito dado a órgãos internacionais não são estendidos a órgãos sociais de caráter não governamental, já que, embora seja entidade consultiva das Nações Unidas, a Serpaj não a integra.

A juíza disse ainda que não há indicativo de violação a direitos dos presos na carceragem da PF. 

“Especificamente em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reservou-se, inclusive, uma espécie de Sala de Estado Maior, separada dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”, disse.

Na terça-feira, o ex-presidente recebeu visita de uma comitiva da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, fato também citado no despacho da juíza. 

“A repetida efetivação de tais diligências, além de despida de motivação, apresenta-se incompatível com o regular funcionamento da repartição pública e dificulta a rotina do estabelecimento de custódia. Acaba por prejudicar o adequado cumprimento da pena e a segurança da unidade e de seus arredores”.

 
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