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Por outro lado

Ozéas Lopes Filho é doutor em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

E um ano se passou...



Julho de 2015, assumia o comando do 12º BPM/RJ, o Cel. Fernando Salema, policial voluntarioso e dedicado, apresentado pela imprensa como “linha-dura”, na ocasião, em diagnóstico, prometeu de pronto enfrentar o tráfico de drogas, dizia: “Todo tipo de roubo que está ocorrendo está ligado diretamente aos casos de drogas”. 

O novo Comandante pretendia encarar o desafio da segurança pública a partir desta premissa; fincado em seu tirocínio e propalada capacidade operacional, todavia, também os métodos anunciados repetiam mandamentos vagos, objetivamente resumidos em: presença e confronto. 

Em entrevistas, o Policial Militar destacava que cobraria as atividades fins de seus subordinados: “...ver quantos flagrantes, apreensões de drogas o cara está fazendo (...) não dá para ficar com preguiça, dormindo, se estiver com sono, levanta e vai dar uma dura no malandro ali na esquina para ver se a adrenalina sobe”. 

Decorrido um ano e afastada toda pirotecnia inicial, os números coletados junto ao Instituto de Segurança Pública/RJ, comprovam: mais que confrontos, disputar com crime requer estratégia, seja na correta escolha do alvo ou nas ações executadas. 

Em maio de 2015: ocorreram 9 homicídios dolosos; 563 roubos; 637 furtos; 79 apreensões de drogas; e, o total de 3.070 registros de ocorrências na cidade. 

Contrapondo, em maio de 2016, os números foram os seguintes: 14 homicídios dolosos; 693 roubos; 745 furtos; 64 apreensões de drogas; e, o total de 3.037 registros de ocorrências em Niterói. Se cotejado mês a mês o período, não há oscilações significativas ou indicativos de declínio. (veja o quadro, clique aqui) 

Com “natural” variação majorante, as cifras seguem nos mesmos patamares de um ano, ou seja, o insucesso na empreitada – baixar os índices – revela que alvo, estratégia e ações não estavam corretos. 

Embora, ninguém tenha uma resposta certeira sobre o que fazer, no entanto, estatísticas e a realidade mostram que permanecemos no caminho errado, persistindo em acreditar nos especialistas da causa e seus dogmas pessoais, porém, o que precisamos é de uma política de segurança consistente e afinada com a vontade dos afetados, coisa própria de estado democrático de direito. 

Assim, cabe a sociedade dizer qual o tipo de segurança pública quer, apontar seus opostos e como fazer esse modelo funcionar, fora isso, o que resta são alguns homens de boa vontade, seguindo suas convicções e manuais.

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