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Esquema de Cabral pode ter ‘comprado’ voto para Jogos

Investigação internacional apura suposto pagamento de US$ 2 milhões a presidente da Federação de Atletismo

Procuradores deram entrevista para explicar a operação

Foto: Tânia Rego / Agencia Brasil

A cooperação internacional que resultou na Operação Unfair Play, deflagrada nesta terça-feira (5) pela Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal, investiga  suposta compra do voto do presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, por US$ 2 milhões, para que ele fosse favorável à escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. De acordo com o MPF, a compra pode ter sido feita por organização criminosa comandada pelo ex-governador  Sérgio Cabral.

Segundo o ministério, há “vasta documentação e provas robustas” para o caso. Foram emitidos pela 7ª Vara Federal no Rio de Janeiro mandados de prisão preventiva contra o empresário Arthur Soares, conhecido como “Rei Arhtur,” que mora nos Estados Unidos, e a sócia dele Eliane Pereira Cavalcante, presa nesta terça, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Também foi feita busca e apreensão na casa do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, que também foi conduzido para ser ouvido na Polícia Federal. 

Farra dos guardanapos - O episódio que ficou conhecido como “farra dos guardanapos” pode ter sido uma comemoração antecipada da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos 2016, “por quem mais lucrou com os jogos”, segundo avaliação do MPF-RJ que participou da Operação Unfair Play.

O caso aconteceu em setembro de 2009, em Paris, onde o ex-governador tinha recebido uma homenagem. Fotos da celebração em que Cabral aparece ao lado de outros com guardanapos na cabeça foi publicada em 2012 pelo ex-governador Anthony Garotinho. Dos que aparecem na foto, quatro estão presos, envolvidos em esquemas de corrupção investigados pela Operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato: além de Cabral, o dono da empreiteira Delta Construções, Fernando Cavendish, e os secretários de Cabral das pastas da Saúde, Sérgio Cortes, e de Governo, Wilson Carlos.

Segundo a procuradora Fabiana Schneider, foram identificados depósitos que somam US$ 2 milhões feitos pela empresa Matlok Capital Group, do empresário Arthur Soares Filho, conhecido como Rei Arthur, às empresas de Papa Massata Diack, filho do então presidente da Federação Internacional de Atletismo, o senegalês Lamine Diack, também membro do Comitê Olímpico Internacional (COI).

“Chama a atenção a proximidade dos depósitos com a escolha da cidade. Em 23 de setembro de 2009 ocorre a primeira transferência bancária de US$ 2 milhões da Matlok para Papa Massata Diack. Mas como não havia nenhuma relação entre eles, nenhuma justificativa para a transação, o banco francês devolveu o depósito no dia 28, de acordo com as regras francesas. No dia 29, a Matlok deposita US$ 1,5 milhão para uma empresa de Papa Diack, em Dakar (África), e US$ 500 mil para outra na Rússia. No dia 2 de outubro acontece o evento na Dinamarca, em que o Rio de Janeiro ganhou a posição para sediar a olimpíada, mesmo tendo as piores condições entre todos os candidatos”, disse Fabiana. 

Outro elemento apontado pela procuradora é o papel do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, que teria feito a ligação entre Soares e Diack.

“Antes da escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, as três esferas da federação, município, estado e União, traziam a informação e vendiam a ideia de que os jogos trariam grande desenvolvimento para cidade do Rio de Janeiro. Depois de tantas investigações e denúncias, o que a gente vê é que, na verdade, os Jogos Olímpicos foram usados como um grande trampolim para o cometimento de atos de corrupção de dimensões olímpicas. Formou-se uma triangulação de interesses e favores entre agentes políticos, esportistas e um seleto grupo privado, que cuidadosamente planejou cada passo para que os jogos olímpicos viessem para o Brasil e os lucros futuros que poderiam obter”, disse a procuradora. 

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