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Sem Juridiquês

Hugo Leonardo Penna Barbosa é advogado e professor de Direito

Exército na praia de Icaraí? Chamem logo o Chapolin

Na primeira tentativa em colocar o exército nas ruas do Rio de Janeiro, o presidente Temer deu uma de Baloubet du Rouet e refugou. Mais insistente que o quadrupede que quase derrubou o cavaleiro Rodrigo Pessoa, agora ele não só traz o exército, como também, ao melhor estilo dos presidentes americanos que visitam suas tropas nas guerras, aproveita para tentar melhorar sua imagem.  

O desespero do carioca é tão grande que estamos assistindo a tudo e torcendo para que dê resultados. Ainda que não creia muito (tenho uma grande dificuldade em crer no que fazem nossos governantes) nesse momento o melhor a se fazer é torcer, rezar, fazer figa, pensamento positivo, abaixar ou o que você achar melhor para se proteger.

Pode ser que a segunda fase – já anunciada pelo ainda Ministro da Defesa (fico imaginando o que ele tem defendido ultimamente), surta algum efeito. Por enquanto, o que se tem visto é o mais do mesmo. Absoluta falta de organização e inteligência das forças de segurança. 

A impressão que dá é que nossas autoridades realmente não sabem o que está sendo feito ou que nós (meros mortais e sem qualquer proteção) não percebemos seus erros. E não chega a ser difícil de exemplificar. No último sábado no calçadão da praia de São Francisco, exatamente em frente ao túnel novo, avistei um grande caminhão do exército. Ao seu lado tinha uma viatura da polícia militar e outra da guarda municipal. Além de estragar a bela paisagem demonstra o que? Falta de inteligência!

Sem dúvida não somos especialistas em segurança. Estou incluindo aqui, você, meu caro leitor, com reserva àqueles que forem da área. No entanto, já estamos cansados de saber e perceber que poucas são as atividades conjugadas pelas áreas de segurança. É triste constatar que o desespero reside no fato de que a violência deixou de ser exclusividade da periferia. Agora ela chegou na Av. Sete de Setembro, na Alvares de Azevedo, dentre tantos pontos nobres e, parece que isso nos fará acreditar em qualquer coisa.

Onde estão e por onde entrar as armas, as drogas? A turma da inteligência deve saber. Espero que sim. Quais são os criminosos que dominam o tráfico em nossas comunidades? Onde estão as estatísticas ou como dizem os entendidos a mancha da criminalidade?

Esse desfile de militares fora de época não terá nenhuma valia se não resolverem usar, finalmente, a inteligência. Os policiais se aposentam, morrem ou reformam em nossas cidades e não há reposição. Além da falta de homens, dizem que os batalhões estão sem combustível, munição e, por vezes, é um corre-corre para montar uma simples operação ou simplesmente resgatar um guarnição cercada por criminosos.

Já passou da hora das autoridades perceberem que a cidade precisa de policiamento constante e isso é papel da Polícia Militar, que está abandonada pelos governos estaduais há décadas (por todos os partidos). Não se faz segurança sem dinheiro. A polícia, seja ela qual for, precisa ser estruturada e organizada, sobretudo, parar de ser utilizada politicamente como parece estar sendo agora utilizado o nosso brioso exército.

Se o governo federal quiser ajudar de verdade, deveria pensar em um programa real que envolvesse o envio para o Estado de dinheiro, equipamentos e homens. Se isso for possível, deveriam, de fato, reunirem-se (não para uma pífia coletiva de imprensa ... aquela do vaga-lume que deve ter dado vergonha aos coronéis, por exemplo) para criar uma estratégia que deve ser calcada, ao menos, com dados estatísticos e planejamento. Qualquer coisa diferente disso é engodo. 

Dúvidas sobre seu direito? Mande uma mensagem para nós –hugopenna@ch.adv.br e será um prazer ajudá-lo. Até a próxima, sem juridiquês.

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