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Forças Armadas e polícia fazem megaoperação em Niterói

Um militar do Exército ficou ferido durante tiroteio no Caramujo

Desde cedo militares das Forças Armadas ocuparam pontos estratégicos da cidade e fecharam os acessos que levavam às favelas alvos da operação deflagrada em conjunto com as polícias Civil e Militar

Foto: Evelen Gouvêa

As ruas de Niterói amanheceram esta quarta-feira (17) tomadas por veículos e soldados das Forças Armadas, que cercaram várias favelas de Niterói para dar apoio às polícias numa operação para prender traficantes de drogas acusados de também roubar veículos e pedestres na cidade. Ao todo, 16 suspeitos foram capturados, entre eles três menores, em diferentes comunidades. 

Militares fortemente armados circularam por vários bairros de Niterói

Foto: Evelen Gouvêa

A Polícia Militar se concentrou no Complexo do Caramujo, que abrange oito comunidades. As Forças Armadas ficaram baseadas em pontos estratégicos e foram responsáveis pelo cerco. Algumas ruas foram interditadas e o espaço aéreo foi controlado.

A Operação se prolongou até o início da tarde. O objetivo era cumprir 26 mandados de prisão preventiva, dois de apreensão de menores e 34 de busca e apreensão em comunidades da cidade. Outros cinco investigados já se encontravam presos. 

Os alvos desta quarta eram comunidades das zonas Norte e Sul, como Atalaia, Ititioca, Igrejinha, Caramujo, Grota do Surucucu e Preventório. Além das prisões, foram recuperados oito veículos roubados e apreendidos oito carregadores de fuzis, dois coletes balísticos e um quilo de maconha.

Representantes de todas as instituições envolvidas na operação acompanharam as ações, em tempo integral, do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova.

O diretor do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI), delegado Celso Couto, comemorou o resultado da operação e adiantou que novas ações poderão ser realizadas em breve.

Operação foi desencadeada a partir de investigação da 79ª DP (Jurujuba)

Foto: Evelen Gouvêa

 “Concluímos um trabalho em que não tivemos baixas e conseguimos um número considerável de pessoas presas, comparando ao total de mandados. Continuamos a procurar delegacias do interior do Estado com investigações em fase avançada para podermos realizar novas ações deste porte, com a integração de forças, como aconteceu hoje ”, disse.

Para Celso Couto, o fato de nenhuma arma ter sido apreendida na operação não tirou seu mérito.

“Nem sempre a gente consegue prender e apreender algo. Talvez com a prisão destas pessoas possam começar a aparecer os locais onde possamos fazer novas investidas. Mas o objetivo de hoje era cumprir os mandados de prisão”, afirmou.

Todos os presos foram encaminhados para a Divisão de Homicídios (DH) de Niterói. O pai de um deles tentou interferir na detenção, ocorrida na Ititioca, e acabou detido junto ao filho. Ele também foi levado para a delegacia especializada. 

O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Márcio Rocha, reforçou a importância da operação integrada.

“Com a Operação, o Estado dá uma demonstração de que podemos alcançar melhores resultados no que se refere aos índices de violência”, disse.

“Acreditamos que essa integração é fundamental e mostra que, unindo esforços, temos condição de potencializar os nossos resultados”, acrescentou o general Adilson Katibe, comandante da AD/1, do Exército Brasileiro. 

Mais de 10 mil horas de interceptação 

A operação foi desencadeada a partir de uma investigação da 79ª DP (Jurujuba), iniciada há seis meses, que reuniu mais de 10 mil horas de inteceptação telefônica. A polícia conseguiu mapear a hierarquia e identificar 29 pessoas que atuam especificamente no Atalaia e na Igrejinha.

De acordo com o delegado titular da 79ª DP, Claudio Otero Ascoli, a polícia identificou nessa investigação traficantes que também atuavam em roubos de veículos, na prática de homicídios, ameaçando e constrangendo pessoas, negociando compras de armas de fogo, munições e atuando como receptadores de veículos.

“A operação foi denominada ‘Dose Dupla’ pois identificamos que o tráfico de drogas não está mais restrito à venda dos entorpecentes. Percebemos que esses elementos estão muito bem organizados e possuem toda um hierarquia. Eles têm uma liderança, um segundo escalão bem delineado que dava ordens para o escalão rasteiro, os traficantes e roubadores. Ao todo 11 roubos de veículos, além de três homicídios estão relacionados a esses elementos que identificamos”, declarou.

Segundo as investigações, o dono dos morros seria Fábio Luiz Vieira, o Mano. No segundo escalão, estariam quatro soldados do tráfico: Rafael Freitas de Andrade, acusado de vender armas; Carlos Eduardo dos Reis Oliveira, o Dois; e Luis Fernando Oliveira da Silva de Souza, o Bobói ou Filhão, apontados como gerentes; e Cosme Chagas da Silva, o Gordinho, que era considerado o faz-tudo da quadrilha e segundo o delegado foi a prisão mais importante da operação.

O restante dos procurados era dividido em três grupos. Eles eram considerados pela polícia os maiores responsáveis por cometer os crimes na ruas. São eles: Natanael Freitas de Andrade Júnior, o Tael; Walter Marques de Oliveira Marinho, o Valtinho ou Mocotó; Gabriel Gomes dos Santos, o GB; Lucas Ramos Silva, o Cinza; Luis Felipe Oliveira da Silva de Souza, o Bigu; Raphael Antônio da Silva, o Cobrador; Jonatha Marinho de Morais Pereira, o Piloto; Wallace Costa Bras, o Loirinho; Luro Vieira da Silva Neto, o Da Bala; Higor Siqueira de Arruda Ribeiro, o Dentinho; Washington da Silva Soares, o Macaco Louco; Rodrigo Assis da Silva, o Coquinho; Alan Lima de Melo, o Menor Bom; Bruno Ribeiro de Paiva, o BR; Anderson Tavares dos Santos, o Maninho; Cícero Martins Fernandes, o Come e Dorme; Carlos Eduardo Nunes da Silva; Róbson Alexandre Carvalho da Cunha, o Zoinho; Leonardo Guimarães Laurentino, o Léo; Adriano Silva da Cruz, o Rato; e Luis Paulo da Silva Passos, o Bodinho. A lista ainda contém três menores.

Ruas são interditadas 

Durante a operação desta quarta, militares fecharam o trânsito em vários pontos da cidade, causando grandes congestionamentos. A Alameda São Boaventura chegou a ser interditada por alguns minutos, por volta das 9 horas, para a realização de uma blitz. O trânsito na via seguiu com lentidão em ambos os sentidos durante toda manhã. No sentido Niterói, o congestionamento chegou até o bairro de Tribobó. As ruas Desembargador Lima Castro e São José, também no Fonseca, foram parcialmente interdidatas.

Motoristas também enfrentaram problemas no Centro de Niterói. Na Praça Renascença, um bloqueio das Forças Armadas causou grande congestionamento. O mesmo ocorreu na Estrada Francisco da Cruz Nunes e na Rua Mário Viana. Pelas redes sociais, moradores relataram o medo de sair de casa devido ao risco de confrontos.

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Comentários

Elson Luiz
Excelente a operação conjunta!!!!! Continuem assim!
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eduardo augusto santos da silva
Ótimo! vão dar uma limpada na nossa cidade, tirando algumas ratazanas de circulação. mas temos que ficar atentos porque ainda tem muito lixo pra ser removido! Valeu! tem alguem do nosso lado.
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