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Hildete Pereira de Melo e Lucilene Morandi: 8 de março, Dia Internacional da Mulher

Hoje, as mulheres no mundo inteiro celebram mais um dia das inúmeras histórias das lutas feministas pela igualdade, contra o sexismo e as condições de inferiorização do feminino transformadas em práticas rotineiras de subordinação das mulheres. O movimento de mulheres se constituiu numa poderosa narrativa de desconstrução das desigualdades históricas, estabelecidas entre homens e mulheres, denunciando a invisibilidade feminina nos espaços domésticos e sua posição secundária na sociedade.

Esta data é um momento de júbilo, ao rememorarmos aquelas vidas que resistiram ao arbítrio do poder patriarcal. É uma memória composta pelo mosaico de mulheres de diferentes origens, grupos sociais, raças e gerações, que lutam por um futuro de liberdade e autonomia.

A História esqueceu as mulheres, mas a memória coletiva das mulheres tem um dia especial para revisar seu legado de luta, refletir sobre o presente e projetar o futuro – 8 de março. São muitas as histórias sobre a origem da data, umas referem-se ao incêndio da fábrica têxtil Tringle Shirtwaist Company em 25 de março de 1911, em Nova York, no qual morreram 125 operárias, outras que a data é uma homenagem à greve de 1917 das trabalhadoras russas. Não importa a origem, o fato foi que a ONU, em 1975, reconheceu a importância e oficializou a data como o Dia Internacional da Mulher.

As comemorações deste dia no Brasil remontam às lutas das mulheres trabalhadoras brasileiras e ressurgiu nos anos 1970 com as organizações feministas, em consonância com a mobilização das mulheres nos EUA e Europa. É preciso resgatar os acontecimentos que marcaram a história no Brasil para reconhecer que muitas vitórias foram alcançadas, mas a igualdade ainda é um processo em construção.

Seguramente o aumento da educação e da participação feminina no mercado de trabalho foram as mais significativas mudanças na trajetória das mulheres nas últimas décadas, mas ainda permanecem, no espaço social do trabalho, discriminações e desigualdades. A inserção econômica de milhões de brasileiras continua precária, em postos de trabalho com menor proteção social e mais vulneráveis, seja pela falta de carteira assinada ou até mesmo pela falta de remuneração pelo trabalho realizado. O trabalho doméstico ainda é a principal ocupação das mulheres, sendo a maioria destas negras.

Além disso, as mulheres exercem atividade de importância crucial para a sociedade, o trabalho de cuidado e de reprodução das famílias, que ainda não é considerado atividade econômica. Ressalte-se que, em 2016, mais de 85% das brasileiras dedicavam-se à realização de afazeres domésticos – comparadas a cerca de 45% dos homens. O acúmulo dos trabalhos de cuidados com o de mercado, sobrecarrega as mulheres e exprime-se na desigualdade salarial entre os sexos.

Por último, não se pode esquecer a questão da violência contra as mulheres. Há elevados percentuais de violência doméstica no país, cometidos contra meninas e mulheres, no geral dentro de suas próprias casas, por pais, maridos ou companheiros e ex-companheiros. Mesmo após a aprovação da Lei Maria da Penha, em 2006, as mulheres continuam sendo espancadas e mortas.

Este olhar histórico sobre a efetivação das ideias libertárias feministas na sociedade brasileira evidencia que mudanças culturais foram alcançadas de forma mais acentuada na educação e no trabalho. Mas ainda são tímidas nos espaços de poder e decisão, bem como no acesso a direitos e oportunidades.

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