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Massacre em escola deixa 10 mortos em Suzano, São Paulo



Atiradores encapuzados mataram cinco estudantes, duas funcionárias, um comerciante e depois se suicidaram

Perícia analisa veículo utilizado pelos assassinos

Rovena Rosa/Agência Brasil

Cinco estudantes, entre 15 e 17 anos, e duas funcionárias da Escola Estadual Raul Brasil, na cidade de Suzano, em São Paulo, a 57 quilômetros da capital, foram mortos na manhã desta quarta-feira (13) por atiradores encapuzados que invadiram o colégio e se mataram depois do ataque. De acordo com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, os assassinos são ex-alunos do colégio.

Pouco antes de invadirem a escola os criminosos também mataram o proprietário de uma locadora de automóveis próxima ao local. A vítima, Jorge Antônio de Moraes, seria tio de um dos atiradores. Vinte e três pessoas foram levadas para hospitais da região, entre elas, pessoas que passaram mal após o ataque. O governador João Doria decretou luto oficial de três dias no estado.

Os autores do massacre são Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos. Guilherme estudou no colégio até o ano passado. Os dois atiradores chegaram à escola por volta das 9h30 da manhã desta quarta, durante o intervalo de aulas, e atiraram contra funcionários e estudantes.

Os alunos assassinados eram do ensino médio: Pablo Henrique Rodrigues, Clayton Antonio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquiades Silva de Oliveira e Doulas Murilo Celestino, que morreu no deslocamento para o hospital. Já as duas eram funcionárias da escola eram Eliane Regina de Oliveira Xavier e Marilena Vieira Umezo.A escola reúne estudantes do ensino fundamental e médio. No local, também funciona um centro de línguas estrangeiras. 

Ex-alunos da escola

Em entrevista coletiva concedida na tarde desta quarta-feira, o secretário estadual da Educação de São Paulo, Rossieli Soares, disse que um dos atiradores, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, não tinha histórico de problemas na escola estadual Raul Brasil. 

“A informação que temos sobre o Guilherme é que ele foi aluno por dois anos no primeiro e no segundo ano do ensino médio, e ele nunca trouxe problemas. Não há registros de problemas desse aluno. Era um aluno muito quieto, calmo e não teria mais problemas. Mas vamos levantar mais informações”, disse o secretário.

Segundo Soares, Guilherme chegou nesta quarta à escola dizendo que iria procurar a secretaria. Os funcionários imaginaram que o aluno iria tentar voltar a estudar, já que ele não havia comparecido aos estudos no ano passado. “Trata-se de um ex-aluno que estava sendo inclusive monitorado por um processo da secretaria para que retornasse à escola. O aluno é conhecido. Era para ele ter estudado no ano de 2018 e hoje [quarta] voltou à escola, alegando que iria para a secretaria para retomar os estudos. A informação que a gente tem é que a escola estava aberta para receber um ex-aluno que queria voltar a estudar. E aí, do nada, começou o ataque”, disse o secretário.

Quanto ao segundo atirador, Luiz Henrique de Castro, Soares disse que ainda não foi possível levantar o histórico escolar dele.

O comandante-geral da Polícia Militar, Marcelo Salles, informou que os autores do massacre usaram um revólver calibre 38, uma machadinha e uma arma medieval semelhante a um arco e flecha. 

Tiroteio em escola deixa mortos em SP

Foto: Reprodução / TV Globo

Autoridades se solidarizam

Ao tomar conhecimento do ataque, o governador de São Paulo, João Doria, cancelou sua agenda desta quarta e seguiu para o local com autoridades estaduais e municipais. Ele disse estar chocado com o ocorrido. “Estou muito impactado”, afirmou o governador. “A cena mais triste que assisti em toda a minha vida”, disse, informando prestar solidariedade às famílias das vítimas.

O presidente Jair Bolsonaro postou mensagem na rede social Twitter em que prestou condolências aos parentes das vítimas do massacre , em Suzano, na Grande São Paulo. Na mensagem, o presidente chama a tragédia de “monstruosidade e covardia sem tamanho”.

“Presto minhas condolências aos familiares das vítimas do desumano atentado ocorrido hoje (quarta) na Escola Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Uma monstruosidade e covardia sem tamanho. Que Deus conforte o coração de todos!”. 

Jovem atingido por machadinha 

O estudante José Vitor Ramos Lemos, 18 anos, do 2º ano do Ensino Médio, foi atingido por um dos atiradores com uma machadinha. Mesmo ferido, ele correu para o Hospital Santa Maria, que fica a uma quadra da escola. Aliviada depois de saber que o filho já tinha sido atendido, a dona de casa Sandra Regina Ramos disse que o estudante está bastante abalado. 

“Ele está chorando muito. A pressão está subindo demais. Ele não quer ficar sozinho”, afirmou. “Ele me disse: ‘Mãe, não aguento fechar o olho que eu vejo tudo que aconteceu’”, relatou a mãe do jovem.

Para a mãe, José Vitor contou que ouviu muitos tiros e correu para o lado errado, indo ao encontro dos atiradores. “Ele me disse que soltou a mão da namorada e saiu correndo. Só que ele correu para o lado oposto. Em vez de correr para tentar pular o muro, ele correu para a porta onde estavam os meninos. Quando ele chegou à porta, um [dos atiradores] segurava a porta e de longe ele jogou a machadinha. Pegou entre o ombro e a cervical [de José Vitor]”, descreveu.

Segundo Sandra, os atiradores moram perto de sua casa e, provavelmente, seu filho deveria conhecê-los. 

Até a noite desta quarta-feira 11 feridos continuavam internados em hospitais. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou ainda que foram enviados dois psiquiatras e um psicólogo para dar apoio no atendimento às famílias e demais envolvidos .

Esconderijo na despensa  

A estudante Quelly Mileny, 16 anos, sobreviveu ao massacre escondendo-se com outros colegas na despensa do colégio. “A gente estava indo merendar no refeitório, quando ouviu os tiros. No segundo tiro, a gente saiu correndo, e o lugar mais perto era a cozinha. Da cozinha, as tias nos colocaram no armazenamento de alimentos”, contou.

Quelly disse que havia pelo menos 30 alunos no local e que ficaram escondidos por cerca de 15 minutos.

A Prefeitura de Suzano informou que decretou luto oficial de três dias na cidade (Decreto Municipal nº 9.312/2019) em razão do atentado ocorrido na manhã desta quarta-feira, 13 de março, na Escola Estadual Raul Brasil, bairro Parque Suzano, que acarretou na morte de dez pessoas, entre estudantes, funcionários e os acusados do ataque.
 
O Executivo se solidariza com familiares e amigos das vítimas e reitera que presta todo o apoio e serviços necessários neste triste momento a todos os envolvidos no episódio. O atendimento, inclusive, terá prosseguimento nos próximos dias a quem for necessário.

A administração municipal também já liberou a utilização da Arena Suzano, no Parque Max Feffer, para a realização do velório coletivo. O horário ainda será definido.

Nesta quarta-feira, mais de 150 profissionais da rede municipal e 80 voluntários atuaram no Centro de Acolhimento às Famílias montado na sede da Associação Cultural Suzanense, o Bunkyo, das Secretarias Municipais de Saúde, Educação, Assistência e Desenvolvimento Social, Administração, Transporte e Mobilidade Urbana e Segurança Cidadã, do Fundo Social de Solidariedade, da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros

Quem procurava informações a respeito de familiares que estavam na escola no momento do atentado eram recepcionadas, acolhidas individualmente, comunicadas por representantes do governo do Estado e da Prefeitura de Suzano se seus parentes estavam entre as vítimas e encaminhadas para assistentes sociais, psicólogos, médicos psiquiatras, enfermeiros e terapeutas ocupacionais. Até o final da tarde desta quarta-feira, cerca de 200 pessoas passaram pelo local.

 Este serviço, inclusive, terá continuidade nos próximos dias, mas na sede de uma das unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), localizado na rua Otávio Miguel da Silva, 187, no Parque Suzano. Haverá plantões com os profissionais no local e também em instituições parceiras. Um dos objetivos, inclusive, é trabalhar psicologicamente o retorno dos alunos à rotina escolar em breve.

Com a publicação do decreto, a Secretaria de Educação de Suzano comunica que as aulas na rede municipal de ensino foram suspensas nesta quinta e sexta-feira, 14 e 15 de março, em memória às vítimas do massacre na Escola Estadual Raul Brasil.
 
Na sexta-feira, os educadores se reunirão para definir as ações que serão tomadas junto aos 26 mil alunos das escolas públicas municipais, a partir da próxima segunda-feira (18/03), para conscientizar e combater a violência e o assédio moral, visando estabelecer uma cultura de paz.

O trabalho será realizado com equipes de psicólogos. Eles irão atuar junto aos colegas das vítimas e familiares, bem como estudantes das demais unidades das redes estadual e municipal, de forma continuada.

Da mesma maneira, atividades nos equipamentos da Secretaria Municipal de Cultura estão suspensas. As aulas serão retomadas também na segunda-feira (18/03), assim como as programações nos Centros Culturais, Teatro Dr. Armando de Ré e Cineteatro Wilma Bentivegna.

A Prefeitura de Suzano também repudia veementemente a circulação de notícias falsas que conturbaram a apuração de informações e causaram ansiedade e preocupação na população, em especial em familiares e amigos das vítimas.

Também denuncia a falta de sensibilidade e de humanidade de pessoas que aproveitaram do ocorrido para invadir a página oficial da administração municipal na Internet e plantar um simulacro de explosivo em uma escola municipal no Jardim São Bernardino no mesmo dia.

Segue abaixo a relação atualizada com os nomes das vítimas fatais e feridas, de acordo com o governo do Estado:

 
VÍTIMAS FATAIS (10)

- Marilena Ferreira Vieiras Umezo (funcionária)
- Eliane Regina Oliveira Xavier (funcionária)
- Jorge Antônio Morais (proprietário da agência de veículos)
- Kaio Lucas da Costa Limeira (estudante)
- Claiton Antonio Ribeiro (estudante)
- Samuel Melquiades Silva de Oliveira (estudante)
- Douglas Celestino (estudante)
- Caio Oliveira (estudante)
- Guilherme Tancci Monteiro (homicida)
- Luiz Henrique de Castro (homicida)

VÍTIMAS FERIDAS (11)
 
- Letícia de Melo Nunes (Hospital Santa Marcelina – Itaquaquecetuba)
- Samuel da Silva Félix (Hospital Santa Maria – Suzano)
- Beatriz Gonçalves Fernandez (Santa Casa de Misericórdia de Suzano)
- Anderson Carvalho Brito (Hospital das Clínicas de São Paulo)
- Murilo Gomes Lauro Benites (Hospital das Clínicas de São Paulo)
- Jenifer da Silva Cavalcante (Hospital Luzia de Pinho Melo – Mogi das Cruzes)
- Leonardo Vinícius Santa Rosa (Santa Casa de Misericórdia de Suzano)
- Adina Isabella Bezerra de Paula (Santa Casa de Misericórdia de Suzano)
- Guilherme Ramos do Amaral (Santa Casa de Misericórdia de Suzano)
- José Vítor Ramos Lemos (Hospital Santa Maria – Suzano)
- Leonardo Martinez Santos (Hospital Luzia de Pinho Melo – Mogi das Cruzes)

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