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UFF revalida diploma de engenheiro sírio

Anas Abdulrjab se formou em Engenharia de Telecomunicações na Líbia

Anas Abdulrjab

Foto: Divulgação

Há 69 anos, no dia 10 de dezembro, era adotada e proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio  da resolução 217 A III, que estabeleceu a proteção universal a todos os cidadãos do mundo.  No próximo domingo, quando será comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos, o sírio Anas Abdulrjab poderá celebrar duplamente, por ter conseguido um país para se refugiar e fixar residência e pela conquista da revalidação do seu diploma de engenheiro.

Anas Abdulrjab nasceu na Síria (1985) e em 2004 se mudou para a Líbia, onde também se formou em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade de Tripoli. Como tantos outros refugiados, que fogem da calamidade, sofrimento, violência, injustiça e discriminação, que uma guerra impõe aos cidadãos, Anas encontrou no Brasil a oportunidade de sair dessas condições desumanas.

Chegou ao Rio de Janeiro, em 2015, trabalhou em um café e, em seguida, passou a cozinhar quitutes sírios, uma tradição de sua família. Em agosto de 2016, solicitou revalidação de seu diploma, mas a coordenação do curso de graduação em Engenharia de Telecomunicações indicou a realização de estudos complementares, com base na Resolução do MEC Nº 3, de 22 de junho de 2016, que dispõe sobre normas referentes à validação de diplomas estrangeiros. Anas optou por cursar três disciplinas presenciais,  no primeiro semestre de 2017, ao invés da realização de provas, como oportunidade de estreitar laços com a comunidade acadêmica e adquirir fluência na língua portuguesa.

A professora e coordenadora do curso de Graduação em Engenharia de Telecomunicações da UFF, Paula Brandão Harboe, informou que o refugiado “recebeu um número de matrícula para cursar disciplinas isoladas, frequentou a Escola de Engenharia, assistiu aulas, fez provas e trabalhos como os outros alunos regularmente inscritos nas disciplinas”. “Anas interagiu muito bem com os colegas de turma e professores, e foi aprovado com sucesso nas três disciplinas cursadas. Nesse período, o professor Paulo Pfeil, docente lotado no Departamento de Engenharia de Produção, se voluntariou para ser tutor de Anas na UFF, mostrando os campi universitários, suas bibliotecas, bandejões e outros espaços da universidade”, contou Paula Brandão Harboe.

O vice-reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, ressalta a importância da abertura das portas da universidade para o refugiado Anas e cita o trecho inicial do preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz “Considerando o reconhecimento da dignidade inerente e dos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é o fundamento da liberdade, justiça e paz no mundo...”. “Assim como todos que passam por uma guerra, o engenheiro sírio precisava encontrar a paz e ter seus direitos respeitados para seguir em frente na sua profissão. A UFF não podia cruzar os braços e ser insensível a situação de Anas, que superou as fronteiras continentais em busca de seu sonho. Não se trata de um favor, mas de uma ação institucional com base no direito, no mérito e na solidariedade. Estamos felizes em poder contribuir com essa nova realidade do refugiado”, afirmou Antonio Claudio da Nóbrega. 

“O Brasil foi o único país que me acolheu. Na UFF, recebi muito apoio da administração, dos professores e dos alunos também. Realmente fui bem acolhido na UFF, que simplificou o processo para eu revalidar o meu diploma. Só tenho a agradecer essa oportunidade. Obrigado”, enfatizou Anas Abdulrjab.

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Comentários

Pacato Cidadão
O vice-reitor está em todas kkkkk. O reitor sumiu e o vice responde tudo e por todos . O que uma campanha para reitor não faz, né?
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