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WhatsApp toma medidas contra envio em massa de fake news



Companhia que gerencia o aplicativo afirma ter banido contas associadas a empresas de marketing digital

O WhatsApp está tomando medidas contra empresas que atuam com envio em massa de mensagens com conteúdos falsos ou enganosos. A informação foi repassada nesta sexta-feira (19) à Agência Brasil pela assessoria da empresa. Na quinta-feira, o jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem segundo a qual empresas de marketing digital custeadas por empresários estariam disseminando conteúdo em milhares de grupos do aplicativo.

De acordo com a nota da empresa, o WhatsApp está “tomando medidas legais imediatas para impedir empresas de enviar mensagens em massa via WhatsApp”. A companhia também informou que baniu contas associadas a estas empresas.

No comunicado, a assessoria da empresa informou que foram canceladas também “centenas de milhares de contas durante o período das eleições no Brasil”. 

“Temos tecnologia de ponta para detecção de spam que identifica contas com comportamento anormal para que não possam ser usadas para espalhar spam ou desinformação”, acrescentou a nota.

A reportagem da Folha de S. Paulo apontou uma rede de empresas de marketing digital contratadas para efetuar os disparos em massa. Os contratos, que chegariam até R$ 12 milhões, seriam bancados por empresários próximos ao candidato, como Luciano Hang, da rede de varejo catarinense Havan. 

Ações – Na quinta-feira, o PT entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cobrando apuração do ocorrido. Além de investigação dos empresários e de seu vínculo com a candidatura Bolsonaro, o partido requereu que a Justiça Eleitoral dê ao WhatsApp 24 horas para promover um plano de contingência que bloqueie o envio das mensagens em massa pelas firmas de comunicação digital citadas na reportagem.

Pelo Twitter, Jair Bolsonaro afirmou que não tem controle sobre apoios voluntários e afirmou que o PT não está sendo prejudicado por “fake news”, mas pela “verdade”. Em seu perfil no Facebook, Luciano Hang disse que vai processar a Folha de S. Paulo e desafiou o jornal a mostrar os contratos de envio de mensagens em massa.

Preocupação – O fenômeno das notícias falsas vem marcando as eleições deste ano. A missão internacional da Organização dos Estados Americanos (OEA) manifestou preocupação com o fenômeno da desinformação durante o 1º turno. No balanço da votação do 1º turno, a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, também alertou para o problema, em especial vídeos e mensagens colocando em dúvida a lisura do processo eleitoral.

A rede social WhatsApp tem sido o foco de maior preocupação. Estudo de professores da USP e UFMG e Agência Lupa em 347 grupos na plataforma encontrou entre as imagens mais compartilhadas um índice de apenas 8% de caráter verdadeiro.

Filho de Bolsonaro, o senador eleito Flávio disse que seu WhatsApp foi bloqueado

Tânia Rego / Agência Brasil

 

Jair citou apoios dados pelo PT

Fernando Frazão/Agência Brasil

Bolsonaro rebate acusações. PT vai ao TSE

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, deixou nesta sexta para os filhos Flávio, senador eleito pelo Rio de Janeiro, e Carlos, deputado federal eleito por São Paulo, as reações às denúncias de disseminação de fake news anti-PT nas redes sociais e aplicativo. No começo da tarde de sexta o candidato respondeu às suspeitas com acusações.

“Apoio às ditaduras venezuelana e cubana; ex-presidente, tesoureiros, ministros, parlamentares, marqueteiros, presos e investigados por corrupção... quem precisa de fake news quando se tem esses fatos?.”‬

O candidato passou mais um dia em casa com correligionários. A novidade é que o condomínio onde Bolsonaro mora, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, amanheceu com grades cercando a portaria principal. Não houve explicações. Suspeita-se que a medida foi tomada em decorrência da presença constante de jornalistas e simpatizantes no local.

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), cotado para o Ministério da Casa Civil, no caso de eleição de Bolsonaro, visitou o canditado. 

Notícias falsas – No final da manhã, Flávio Bolsonaro movimentou as redes sociais ao informar que sua conta no WhatsApp tinha sido bloqueada. Ele postou mensagens de alerta e queixas, afirmando que havia sido banido sem explicações, inclusive afetando sua participação em “milhares de grupos”.

No começo da tarde, o senador eleito informou que o seu aplicativo havia sido desbloqueado. Não detalhou o que ocorreu. “Agora já foi desbloqueado, mas ainda sem explicação clara sobre o por quê da censura.”

Na quinta-feira, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que ele e seus correlegionários não precisavam “fazer fake news para combater o Haddad” e desafiou para que apresentassem provas.

Advogados de Bolsonaro prometem notificar empresas e processar o adversário petista Fernando Haddad. 

Medidas cautelares  – A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, reuniu-se nesta sexta-feira com a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, a quem pediu a aplicação de medidas cautelares urgentes para investigar notícias de que empresas em prol do presidenciável do PSL, estariam pagando por serviços de disparos de mensagens em massa contra o partido e seu candidato à Presidência, Fernando Haddad, via WhatsApp.

“Precisamos de uma atuação urgente quanto a isso, porque é verdadeiramente uma fraude do processo eleitoral”, disse Hoffman após o encontro. Também participaram o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e representantes de PCdoB, Pros e PCB.

Para a presidente do PT, o que houve no primeiro turno foi “uma boca de urna digital feita em grandes proporções que mudou o resultado da eleição praticamente no dia da votação”. Ela acrescentou que acionará a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que acompanhem mais de perto a lisura do processo eleitoral brasileiro.

Na quinta-feira, o partido pediu a abertura de uma ação de investigação judicial eleitoral para apurar o disparo em massa por WhatsApp de mensagens falsas contra o PT às vésperas do primeiro turno. 

Pedido de anulação – O PDT entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral pedindo a anulação da votação do primeiro turno, e de cassação da candidatura de Jair Bolsonaro,. A base do pedido é a denúncia do jornal Folha de S.Paulo em reportagem publicada na quinta-feira. Segundo o PDT, o episódio corresponde à conduta de abuso de poder econômico, vedada pelo Código Eleitoral. Para os advogados do partido, o emprego de sistemas de disparo em massa ocasionou desequilíbrio na disputa, com gastos e estrutura maiores beneficiando a candidatura de Bolsonaro, violando o princípio da “paridade de armas”.

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