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Índices de violência desafiam Niterói

Novo comandante do 12º BPM terá árdua tarefa para reduzir crimes

 

Infografia: Wemerson Marreiro / Fonte: FogoCruzado

O tenente-coronel Sylvio Guerra assumiu o comando do 12º BPM (Niterói) na última semana com uma árdua missão. Reduzir os índices da violência que têm assolado o município. No último ano, as forças policiais não mediram esforços para tentar conter o avanço da criminalidade. Mesmo assim, o Instituto de Segurança Pública (ISP) apontou que  em 2018 houve aumento de vários índices, em comparação com 2017.

Segundo os dados, de janeiro a dezembro de 2018 foram 111 casos de homicídios contra 108 (+2,8%) em 2017. Mortes por intervenção policial foram 68 casos em 2018 contra 55 (+23,6%) no ano passado. Roubos a pedestres foram 3.700 contra 3.619 (+2,2%). Em relação aos roubos de estabelecimentos comerciais, foram 404 de janeiro a dezembro de 2018, contra 346 (+16,8%) em 2017. Roubos de carga foram 241 contra 90 (+167,8%). Por fim, roubo de veículos subiu de 2.154 para 2.206 (2,4%). Houve ainda aumento no número de roubos de celular (+5,8%), roubo de rua (+10,5%) e roubo a coletivo (33,1%). 

Os poucos índices que caíram foram furto a transeunte. Em 2018 foram 942 casos, enquanto no mesmo período de 2017 foram 946 casos (-0,4%). Foram dois latrocínios (roubo seguido de morte) no ano passado contra 9 em 2017 (-77,8%). Roubos a residências caíram de 97 para 89 (-8,2%). 

Para o especialista em Segurança Pública Paulo Storani, mestre em antropologia social pela UFF e ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), os índices de criminalidade mudam constantemente por diversos fatores. Um deles é a atuação da PM para diminuir a mancha criminal nos locais em que os crimes acontecem. 

No entanto, o dinamismo da violência faz com que sejam necessárias também medidas preventivas.

“O criminoso muda conforme a mancha criminal. É de extrema importância que o novo comandante aja para enfraquecer o poderio bélico do tráfico de drogas, bem como mapear de onde vêm essas armas. Criar canais oficiais com a população, além do Disque-Denúncia, entendendo que quanto mais informações a PM obtiver, mais certeiras serão as ações, sem esquecer, obviamente, das ações ostensivas nas ruas, integrando PM, Polícia Civil e Guarda Municipal, integrando as forças de segurança e agindo com inteligência”, apontou Storani.

A PM foi procurada para comentar sobre os números do ISP e quais ações serão tomadas para diminuir os índices de criminalidade em Niterói, mas até o momento não se pronunciou.

 

Infografia: Wemerson Marreiro / Fonte: OndeTemTiroteio (OTT)

Aplicativos alertam contra o crime

Para tentar evitar localidades em que crimes estão acontecendo, a sociedade civil tem criado ferramentas que alertam a população. Umas dessas ferramentas são aplicativos que informam ao cidadão, em tempo real, as localidades em que tiros estão sendo disparados ou onde estão acontecendo assaltos.

Segundo a plataforma Onde Tem Tiroteio (OTT), que já conta com mais de 4,7 milhões de downloads em todo o Brasil, Niterói ocupou o segundo lugar no mês de dezembro, em todo o estado do Rio, entre os municípios com mais registros. Foram 28 casos. Em primeiro lugar ficou Belford Roxo, na Baixada Fluminense, com 41. Neste mês já foram sete registros, colocando Niterói, por enquanto, em 10º lugar no Estado. 

Uma outra plataforma, o Fogo Cruzado, informou que em 2018 Niterói registrou 554 tiroteios, perdendo apenas para a capital (5.713), São Gonçalo (913) e Belford Roxo (734). Ainda segundo a plataforma, o bairro em que aconteceram mais mortes por arma de fogo foi o Fonseca, na Zona Norte, com 22 registros. No município, Santa Rosa, na Zona Sul, com 75 registros no ano passado, foi o bairro com maior número de tiroteios. Santa Rosa abriga comunidades que integram o Complexo do Viradouro. Lá, a Rua Mário Viana é fechada com frequência por causa de tiroteios. 

Já através do aplicativo “Onde fui roubado”, que tem como objetivo registrar os crimes, bem como o modus operandi dos criminosos, também é possível se informar até sobre quais são os objetos mais roubados. O app, que registra os bairros, e dependendo da quantidade de denúncias aponta até localidades mais específicas como ruas e avenidas onde aconteceram os crimes, mostrou que no período de um ano o bairro Baldeador foi o mais violento, seguido do Barreto, Boa Viagem, Centro e Charitas. Completam o ranking Engenhoca, Engenho do Mato, a região de Pendotiba (Estrada Caetano Monteiro), Bairro de Fátima e Icaraí (Avenida Roberto Silveira). 
A justificativa pela escolha dos bairros se deu após a soma dos registros dos crimes no aplicativo. A plataforma não informou o número de ocorrências de cada bairro.
O “Onde fui Roubado” também informa quantas pessoas fizeram registro de ocorrência nas delegacias. No período de um ano, pouco mais da metade (57%) foi até uma distrital da região para informar o roubo.

“É importante lembrar que os registros nesses aplicativos são subnotificações. Pode ser que os números sejam maiores, já que nem todos vão ao site registrar”, ressalta a especialista em segurança Ranieri Santos. 

 

Foto: Divulgação

Especialistas apontam medidas

O mestre em antropologia social pela UFF e ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Paulo Storani elogiou a chegada do tenente-coronel Sylvio Guerra, a quem chamou de “grande combatente”. Ele alertou sobre os fatores que levam à mudança da mancha criminal e de que forma o comandante pode diminuir alguns índices de criminalidade, como roubo de rua. Para o especialista, é necessário que o novo comandante foque em operações ostensivas no momento e nos locais em que agentes do Niterói Presente não atuam (6h30 às 22h). Além disso, Storani  afirmou que os inquéritos policiais vão nortear algumas ações.

“Quando algumas prisões e apreensões são feitas, logicamente que os índices de criminalidade naquele lugar tendem a diminuir. Mas quando esse mesmo criminoso volta às ruas, isso se torna um problema. Bandido não busca emprego de carteira assinada. Se houver o reforço policial onde ele atua, logo ele muda de lugar. Ele vai para onde não há policiamento”, disse Storani.

Já para o sociólogo Artur Mendetta, da UFRJ, é primordial para a PM focar na dinâmica dos crimes. Para ele, sufocar o tráfico de drogas vai fazer com que os criminosos passem a atuar nas ruas.

“É importante ter inteligência, criando canais de contato entre a sociedade e a PM, além do famoso 190. A polícia de proximidade, que deu certo em outros países, traz esse case de sucesso”, apontou. 

 

Foto: Divulgação/Luciana Carneiro/Prefeitura de Niterói

Niterói Presente reforça segurança

Para tentar conter o aumento nos índices de criminalidade, a Prefeitura de Niterói garantiu no início do mês a permanência dos agentes do programa Niterói Presente nas ruas da cidade por mais um ano. O programa, que é totalmente custeado pelo município, com um investimento anual de R$ 25 milhões, completou um ano no último dia 15 de dezembro, e disponibiliza diariamente o reforço de 300 homens nas ruas de Icaraí, Santa Rosa, Centro e Fonseca (Alameda São Boaventura), liberando o efetivo do 12º BPM para atuar em outras regiões da cidade. 

Apesar de Segurança Pública ser atribuição do Governo do Estado, a Prefeitura de Niterói investiu, nos últimos cinco anos, mais de R$ 100 milhões no apoio ao combate à violência. Nos próximos dois anos, serão mais R$ 304 milhões em 18 projetos do Pacto Niterói contra a Violência, um Plano Municipal de Segurança Pública que prevê ações de prevenção e inteligência. A prefeitura também disponibiliza, diariamente, 250 vagas no Proeis. 

O programa permite que policiais militares lotados em qualquer batalhão da PM no estado possam, voluntariamente, trabalhar em seus dias de folga em Niterói e receber gratificação por conta da adesão.  

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quem
Tem que ter política habitacional séria. Acabar com as favelas. Incentivo ao controle de natalidade. Reduzir especulação imobiliária, limitando o número de imóveis por CPF. Imóveis residenciais não podem ser adquiridos por empresas.
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