Assine o fluminense

Ação tenta remover algas que tomaram a Lagoa de Piratininga

Segundo especialista, vegetação deve ter se soltado de um costão da praia, chegando à lagoa por uma comporta

O morador de Piratininga Paulo Oberlander ajuda uma agente da Prefeitura de Niterói na retirada das algas de dentro da Lagoa de Piratininga

Evelen Gouvêa

Há cerca de duas semanas, algas tipicamente salinas do tipo ulva (alfaces do mar) começaram a aparecer na Lagoa de Piratininga, na Região Oceânica, assustando moradores e protetores do ecossistema. Após análises, a Prefeitura de Niterói trabalha na remoção da vegetação, que pode prejudicar o sistema lagunar da cidade. Nesta segunda-feira (24), equipes visitaram o lugar, mas não havia o material necessário para a remoção. Uma nova data será marcada. 

Um mutirão, entre moradores e gestores da Prefeitura de Niterói, havia sido marcado na tentativa de remover as algas na manhã desta segunda. Apenas um morador compareceu, porém, não havia materiais suficientes para a remoção, apesar da Clin ter emprestado uma rede e o morador ter cedido um barco de pesca. A expectativa é que, em outra oportunidade, haja mais ajuda, uma rede apropriada e mais barcos. 

De acordo com a especialista em meio ambiente e gerenciadora do programa Pró Sustentável, Camille Alves, a hipótese levantada para a aparição das algas é de que elas teriam se soltado de um costão rochoso do mar de Piratininga e chegado à lagoa através da comporta que liga os dois ambientes, já que a vegetação é tipicamente salina. Além disso, a área da lagoa em que a vegetação se concentra - próximo à ponte do Tibau -, é salobra, justamente por conta da abertura.

“Precisamos remover esta vegetação. Tentamos hoje (Segunda-feira), mas não foi possível, vamos nos organizar internamente para que ocorra o mais rápido. As algas não são da lagoa, além de prejudicar visualmente, elas ficam ‘fotossintetizando’ e, quando morrerem, vão dar mau cheiro e diminuir o oxigênio dissolvido da água, prejudicando o ecossistema”, explicou. 

Morador de Piratininga desde que nasceu, o autônomo Paulo Oberlander, de 45 anos, percebeu a aparição das algas e mobilizou a gestão lagunar. Ele relembra que de início eram poucas unidades, mas a vegetação foi se aglomerando e formando grandes placas verdes no espelho d’água. 

“Antigamente a lagoa possuía algas, limo, mas, desde que abriu a comporta, não havia mais, por isso é preocupante. Acredito que o trabalho de tirar a alga é enxugar gelo, precisa de um estudo da água. Quando vi, fiz vídeo e foto para ver se mobilizava as autoridades, pois tem vida aqui e sozinho não consigo fazer nada. São poucas as pessoas que têm essa preocupação”, acredita.

Monitoramento - Em julho, a Prefeitura de Niterói anunciou o início dos Estudos de Monitoramento do Sistema Lagunar de Piratininga e Itaipu com previsão de entrega para 16 meses. O trabalho analisa aspectos de qualidade das águas, sedimentos, flora e fauna e questões físicas em relação à circulação dentro dos sistemas lagunares, com objetivo de traçar procedimentos e reger as prioridades de intervenção para a despoluição e recuperação ambiental das duas lagoas.

Ainda de acordo com a gerenciadora do programa Pró Sustentável, Camille Alves, o estudo está sendo realizado, com monitoramento quinzenal da qualidade da água e outros parâmetros. Procurado, o Executivo Municipal informou que a retirada das algas será realizada nos próximos dias, em conjunto com os pescadores locais, usando redes de pesca, e que a aparição das algas, provavelmente ocorrida durante recentes períodos de ressaca marítima, está sendo acompanhada pela equipe de monitoramento. 

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Veja também

Scroll To Top