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Alerta sobre exploração da água

Dia Mundial da Água acende o alerta sobre o uso inteligente do recurso que um dia pensou-se ser inesgotável

Dia Mundial da Água acende o alerta sobre o uso inteligente do recurso que um dia pensou-se ser inesgotável

Marcelo Feitosa / Arquivo

O Relatório Mundial das Nações Unidas (ONU) sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, lançado nesta semana na Suíça, aponta que 2,1 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável, apesar de ser reconhecido internacionalmente como um direito humano. No Dia Mundial da Água, comemorado nesta sexta-feira (22), o documento levanta um alerta sobre a exploração do recurso. Para especialistas, a região abastecida pelo sistema Imunana-Laranjal não está preparada para uma estiagem.  

Há décadas atrás, a água era considerada um recurso natural inesgotável. Mas, o que vem sendo comprovado é que seu mau uso pode, sim, levar à escassez. Esse quadro já se tornou uma realidade nos municípios abastecidos pelo Rio Macacu e seus afluentes. Segundo o oceanógrafo da Universidade Federal Fluminense (UFF) Julio Wasserman, o Macacu-Caceribu-Guapiaçu tem uma limitação severa de disponibilidade de água, já que a bacia é muito pequena e afetada pela quantidade de chuva que cai na região. Além disso, há apenas uma pequena represa no Laranjal, em São Gonçalo. Todos esses fatores levam a uma constatação: haverá déficit de água em Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Ilha de Paquetá.  

“Em um quadro de mudança climática é esperada uma redução e modificação no regime climático e a disponibilidade de água para estas regiões vai ser um problema, principalmente nas regiões onde o crescimento populacional é excessivo. É o caso da região Leste da Baía de Guanabara que deve gerar déficit de água. É importante ter em mente que poucas avaliações da disponibilidade de água no longo prazo têm sido realizadas. Nos períodos de maior pluviosidade pode-se retirar muita água do manancial, mas é preciso abastecer as populações em todas as situações e quando chega a estiagem, vai faltar água, o que é muito grave”, alerta o oceanógrafo.

Para Wasserman, poucas avaliações de disponibilidade de água a longo prazo têm sido realizadas, o que dificulta se preparar para a seca. Segundo ele, a região ainda não enfrenta grandes estiagens, como a que já ocorreu entre 1950 e 1960, apenas período de um ou dois anos com pouca chuva.  

“Quando esta estiagem ocorrer novamente, teremos um problema realmente grande!! Se vai ser o ano que vem ou daqui a 3 ou 10 anos, não podemos afirmar, mas seria bom que estivéssemos preparados. Sou categórico, não estamos preparados”, prevê Júlio.  

Uma das soluções apontadas, além das previsões de cenários de restrição hídrica, é o uso da tecnologia para a captação de águas subterrâneas, captação de chuva e dessalinização da água do mar. Essa mesma opinião técnica é compartilhada por Adacto Ottoni, professor associado do Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  

“Temos que recuperar a saúde da bacia hidrográfica para ela produzir mais água. Uma bacia saudável reduz a magnitude das enchentes, porque a floresta vai segurar a água da chuva e não deixar ir para o rio. Quando chegar na estiagem, o rio vai ter mais água, porque quem vai alimentá-lo é a água subterrânea. Essa é uma forma de regularizar o rio muito mais ecológica e sustentável do que uma barragem”, explica Adacto.  

Segundo o professor, a construção da barragem não é uma solução viável, porque além de gerar um impacto negativo na natureza, depende do regime de chuvas. Em uma longa estiagem, não haveria água para aumentar a vazão dos rios.

Programação especial - O Dia Mundial da Água também está gerando mobilização em Niterói, que tem uma programação especial voltada para o uso consciente do recurso natural. Um seminário será realizado nesta sexta, a partir das 9h, pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade.

Com o tema “Água para todos sem Exceções”, o evento tem o objetivo de lembrar a importância da preservação dos mananciais hídricos do planeta e discutir as melhores formas de gestão e tratamento de chorume, segurança hídrica, entre outros assuntos. O seminário, que acontecerá no auditório da Prefeitura, no Centro da cidade, contará com profissionais da área.

A concessionária Enel e o Sesc, parceiros do evento, estarão com tendas em frente à Prefeitura de Niterói, com iniciativas de educação ambiental.

A Enel estará disponibilizando a troca de uma lâmpada comum por uma de LED, mais econômica, sendo necessário apresentar a conta de energia elétrica referente ao mês de fevereiro de 2019.

Fontes escondidas - Em Niterói, o Projeto Águas Escondidas vem trabalhando na recuperação das Áreas de Preservação Permanente de Nascentes da cidade e já identificou 23 fontes nas 36 bacias hidrográficas do município, desde setembro de 2016. Essas áreas agora passam por um processo de georeferenciamento e análise da potabilidade. 

A Prefeitura agora faz uma campanha para identificar outros locais com a ajuda da população, que pode enviar fotos de nascentes encontradas na cidade através do e-mail  acheinascente@gmail.com.

A ideia é, além de localizar as fontes, eliminar fatores de degradação, que inclui a presença de espécies invasoras, erosão, descarte irregular de resíduos ou mesmo ação de formigas.

No mês passado, também foi apresentada pela prefeitura de Niterói a proposta de criação do Parque Natural Municipal da Água Escondida e a previsão é que o projeto seja encaminhado ainda neste semestre para a Câmara de Vereadores, sendo mais uma opção para os niteroienses.

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