Assine o fluminense

Atos pela educação tomam as ruas de Niterói

Em todo o país estudantes e centrais sindicais protestam contra o corte de verbas e o programa Future-se

Estudantes da UFF tomam ruas de Niterói e seguem em direção ao Centro do Rio

Divulgação

Por Matheus Falcão e Marcelo Almeida

Estudantes e centrais sindicais tomaram as ruas de Niterói em mais um ato pela educação nesta terça-feira (13). Com a presença de professores, servidores e alunos de diversas universidades, institutos e escolas federais, as manifestações já tomam conta de todo o país. Em Niterói, estudantes da Universidade Federal Fluminense, que se concentravam desde às 15h,  partiram às 17h em direção ao Rio de Janeiro, para um ato em frente a Igreja da Candelária, no Centro do Rio. 

De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), As escolas públicas estaduais de vários municípios, universidades públicas (estaduais e federais) e demais instituições federais de ensino (Colégio Pedro II, Escolas Técnicas Federais) realizam esta nova greve com o objetivo de denunciar os cortes do MEC nas verbas da Educação e a reforma da Previdência, que foram feitos sem nenhum diálogo com a comunidade acadêmica, e que ameaçam a aposentadoria dos trabalhadores dos setores público e privado.
 
O Conselho Universitário da UFF aprovou nesta segunda (12), por unanimidade, a participação no ato em repúdio ao programa Future-se, que foi apresentado no mês passado pelo ministro da Educação Abraham Weintraub, que pretende que as organizações sociais (OSs) possam atuar na administração direta das universidades, gerindo recursos educacionais e gastos com pessoal. Segundo o MEC, um comitê vai definir os novos critérios para eleição dos reitores, que poderiam ainda segundo a proposta sem de escolha das OSs. A comunidade acadêmica não recebeu bem as medidas anunciadas pelo programa. 

De acordo com a UNE, os protestos também são contra a proposta do Ministério da Educação (MEC) de instaurar o programa Future-se, que, segundo a pasta, busca o fortalecimento da autonomia administrativa, financeira e da gestão das universidades e institutos federais. Para as entidades sindicais e movimentos estudantis, o projeto transfere atribuições dos governos para o mercado.

Durante todo o dia, atividades tomaram as ruas e praças da capital de diversos municípios, com aulas públicas, atos de protesto, distribuição de panfletos e abaixo-assinados contra a reforma da previdência e o corte nas verbas da educação. Apesar das manifestações, a Secretaria Estadual de Educação informou que a rede estadual de ensino funcionou normalmente e todas as unidades escolares abriram.

Maricá

A respeito das manifestações nesta terça-feira, a prefeitura de Maricá emitiu a seguinte nota:

"A Prefeitura de Maricá informa que a paralisação desta terça-feira (13/08) atingiu 60% das 63 unidades de ensino básico da rede municipal. Ao todo, 37 aderiram à paralisação e 26 funcionaram, total ou parcialmente. Vale ressaltar que o cenário na cidade está longe do que ocorre em outros municípios: a rede municipal de Maricá atende a 23 mil alunos matriculados em 2019 e conta com unidades modernas com quadro completo de professores e de equipamentos. Os alunos também recebem kit escolar com livros, cadernos e uniformes. O piso salarial do magistério em Maricá também vem sendo reajustado trazendo ganhos reais para a categoria. Em 2019, o reajuste concedido aos professores municipais foi de 11% contra 4,17% do piso nacional. “

Distrito Federal

Um pequeno grupo de manifestantes começou o dia fechando parte da Rodovia DF-075, também conhecida como Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), que liga o centro da capital federal a outras regiões administrativas no sentido de Goiânia. Portando faixas e cartazes com palavras de ordem contra o bloqueio de verbas para a educação, o grupo queimou pneus, interrompendo parcialmente o tráfego de veículos.

Pouco antes das 9h, profissionais da educação, estudantes, sindicalistas e outros manifestantes começaram a se concentrar no Conjunto Cultural da República, na Esplanada dos Ministérios. Devido à concentração de pessoas, três faixas do Eixo Monumental tiveram que ser bloqueadas ao tráfego de veículos enquanto os manifestantes caminhavam em direção ao Congresso Nacional. A certa altura, participantes da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, que também protestavam na Esplanada dos Ministérios, uniram-se ao ato.

A Secretaria de Educação do Distrito Federal não suspendeu as aulas nas quase 700 escolas públicas da rede de ensino, mas ainda aguarda informações das coordenações regionais para fazer um balanço do impacto dos atos. “A pasta terá o balanço no decorrer do dia e reitera que as aulas não ministradas durante a paralisação deverão ser repostas, em datas a serem definidas pelas direções das escolas, ainda neste semestre, garantindo o cumprimento dos 100 dias letivos por semestre”, informou a secretaria, em nota.

Principal instituição universitária da capital, a Universidade de Brasília (UnB) suspendeu as atividades. A paralisação dos docentes foi aprovada em assembleia geral realizada nesta segunda (12), pela associação que representa a categoria, mas a adesão efetiva caberá a cada professor. 

Pernambuco

No Recife, embora a Universidade Federal de Pernambuco não tenha suspendido as aulas, professores e técnicos de vários departamentos dos três campi (Recife, Caruaru e Vitória de Santo Antão) da instituição aderiram ao movimento e não compareceram ao trabalho. Alunos de outras instituições, como o Instituto Federal, também não tiveram aulas. Um grande ato está agendado para as 14h, na Rua da Aurora, em frente ao Ginásio Pernambucano. Além da capital, manifestações foram agendadas em, pelo menos, outras quatro cidades do estado: Arco Verde, Caruaru, Garanhuns e Petrolina, de acordo com a CNTE.

Bahia

Em Salvador, manifestantes se reuniram no Largo do Campo Grande, de onde saíram em caminhada até a Praça Castro Alves. Expondo faixas e cartazes, o grupo pediu mais investimentos em educação. No mesmo horário (10h), uma manifestação semelhante ocorria em Feira de Santana.

Ceará

Em Fortaleza, os manifestantes se concentraram na Praça da Gentilândia, no bairro Benfica. Participam professores, estudantes e outros trabalhadores da educação. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ao menos 12 cidades cearenses devem sediar alguma atividade alusiva à mobilização ao longo do dia, entre elas Juazeiro do Norte, Sobral e Itapipoca.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Veja também

Scroll To Top