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Baía de Guanabara surpreende pela limpeza e águas cristalinas

Cartão-postal do Rio de Janeiro é palco das competições de vela dos Jogos e foi alvo de muitas críticas

Mar claro chama atenção de moradores e visitantes

Foto: Evelen Gouvêa

Contrariando as expectativas, as praias da Baía de Guanabara vêm apresentando mar claro desde o início dos Jogos Olímpicos Rio 2016. A situação surpreendeu atletas, turistas e moradores acostumados a ver e ouvir falar da poluição nas águas. Para o Governo do Estado, o cenário encontrado evidencia o resultado das obras de melhoria e o trabalho de contenção de lixo flutuante realizado na Baía de Guanabara. 

A utilização de recursos como ecobarcos, balsas e tecnologia para monitoramento contribui para que as águas da Baía de Guanabara estejam mais limpas, claras e com menos lixo flutuante

Foto: Marcelo Horn/Governo do Estado

Para melhorar o estado das águas da Baía, estações de tratamento de esgoto (ETEs) no entorno do espelho d’água, galeria de cintura da Marina da Glória, 12 ecobarcos, uma balsa e 17 ecobarreiras vêm sendo usadas na região. Segundo o Governo do Estado, durante os Jogos, o uso desses mecanismos foi intensificado. Diariamente, um software indica os possíveis locais de concentração do lixo flutuante e as informações são passadas para os ecobarcos. Durante as competições, os barcos realizam o trabalho de rotina das 6h às 11h. Entre 11h e 18h, os equipamentos fazem trabalho de mitigação no entorno das raias de vela para evitar que qualquer material flutuante atinja as raias e prejudique os atletas. As ecobarreiras estão na foz dos principais rios e canais que deságuam na Baía de Guanabara.

O velejador italiano Mattia Camboni, de 20 anos, participou da primeira etapa das competições de vela na categoria RS:X. Treinando no Rio desde 2015, durante eventos-teste, ele destacou a melhoria da qualidade da água nesse período.

“Estou treinando no Rio há cerca de um ano e percebi que a água melhorou muito desde então. Agora está boa para competição, como em diversos lugares do mundo”, disse.

Em Niterói, o mais recente boletim de balneabilidade divulgado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) apontou seis das 29 regiões de praia como impróprias para banho: Gragoatá, quase toda a praia de Icaraí e parte de Jurujuba. Ainda assim, moradores que veem de perto o mar de praias como a de Icaraí todos os dias ainda estão reticentes. Para o administrador Mauro Alicino, de 49 anos, a natureza contribui com as recentes águas claras. 
“Acho que foi uma coincidência o mar estar tão claro. Mas acho que a ausência de grandes embarcações por aqui também pode ter contribuído”, opinou.

O comerciante Eduardo dos Santos, de 40 anos, trabalha diariamente na praia e contou que os turistas têm se mostrado surpresos com a água clarinha dos últimos dias. 
“O pessoal comenta que está bonito. Acho que ajuda a nossa imagem com os turistas. Essa semana mesmo estava clarinho”, relatou. 

A fisioterapeuta Fernanda Melo, de 49 anos, também acredita em uma melhora na forma como a situação da Baía de Guanabara é vista por pessoas de fora. 

“Mesmo sendo uma coisa da natureza, acho que ajuda. Isso aqui é muito bonito, e fica ainda mais com o mar clarinho”, disse. 

Em passagem por Niterói durante cobertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, a repórter paulista Karolinny Valentim, de 23 anos, comentou que, pelas fotos que tinha visto da Baía de Guanabara, esperava encontrar o oceano em situação muito pior. 

“Fiquei surpresa de chegar aqui e ver o mar claro. Pelo que a gente que está longe ouve falar, parece que a situação é muito pior”, comentou. 

Contudo, o caminho para a despoluição da Baía de Guanabara continua longo. Em julho, o secretário estadual de Meio Ambiente, André Corrêa, chegou a dizer que a despoluição custaria R$ 20 bilhões e levaria 25 anos. Ele admitiu que o compromisso de despoluir 80% da Baía era ambicioso. Durante encontro com operadores dos ecobarcos que estão trabalhando na Baía, Corrêa informou que um dos desafios da secretaria é deixar um sistema de combate ao lixo flutuante como legado.

O Governo do Estado informou que, desde 2007, foram investidos R$ 2,5 bilhões em sete estações de tratamento de esgoto: Penha, Alegria, São Gonçalo, Pavuna, Sarapuí, Ilha do Governador e Icaraí. A Baía de Guanabara tem 380 quilômetros quadrados de área e banha 15 municípios, envolvendo um total de cerca de 10 milhões de habitantes. 

(Com Agência Brasil) 

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Comentários

lucilia botelho
Entao è do querer e amar mais um pouco o nosso pais e tudo se resolve
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