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Barreto: Ciep sem previsão de aulas

Apesar do anúncio de municipalização no ano passado, espaço ainda é usado pelo Estado para armazenar papelada

Vizinhos do Ciep reclamam de mato alto e da falta de conservação

Foto: Evelen Gouvêa

Anunciado para municipalização em agosto do ano passado pela Prefeitura de Niterói, o Ciep Roberto Silveira, no Barreto, na Zona Norte, segue como depósito de arquivos do Governo do Estado e sem previsão de abertura de novas turmas. Quem trabalha no local, denuncia a falta de estrutura. O espaço ainda vem sofrendo com furtos constantes. Questionado, o Executivo Municipal não deu certeza sobre a municipalização.

Na época do anúncio, o prefeito Rodrigo Neves divulgou que a escola receberia uma reforma completa e seria transformada em um Espaço Nova Geração, que ofereceria projetos de formação técnica, cultura, educação, esporte e lazer para crianças e jovens.

Sete meses depois, o terreno, com mato alto e aparência de abandonado, ainda está ocupado pelo Governo do Estado com documentos da Secretaria de Educação. Do lado de fora é possível ver caixas de documentos espalhadas pelo andar térreo e estantes organizadas em salas do primeiro andar. O segundo andar também dispõe de estantes, mas não há caixas organizadas.

Funcionários afirmam que cerca de 21 mil caixas recheadas de arquivos do Governo do Estado já chegaram ao local no período de 8 meses, desde quando foram encaminhados do Ciep Anísio Teixeira, no Fonseca, onde eram armazenadas. A escola, que passa por obras, foi esvaziada após também ser municipalizada pela prefeitura no ano passado.

“Os trabalhadores convivem com a falta de estrutura e constantes ameaças de usuários de drogas que invadem o local. Desde a saída do Pedro II que o CIEP está nesta situação. A escola não tem nenhuma segurança, vários locais escuros com falta de iluminação, falta sistema contra incêndios, são vários os problemas”, conta um dos funcionários.

Do lado de fora do Ciep é possível ver caixas de documentos espalhadas pelo andar térreo

Foto: Evelen Gouvêa

Mato alto e muitos furtos

Na última terça-feira, o local foi invadido e teve estantes de ferro, utilizadas para a organização, furtadas. Um funcionário chegou a ser ameaçado pelos invasores ao tentar interromper a ação. A ocorrência foi registrada na 78ª DP (Fonseca). De acordo com os trabalhadores, ao longo do tempo, também houve furtos de cabos de energia, persianas e até janelas. O fornecimento de água para o local está prejudicado, e os funcionários temem que os documentos sejam avariados, já que não há proteção nas janelas e no andar térreo.

O Ciep Roberto Silveira (CIEP 047) era ocupado pelo Campus Niterói do Colégio Pedro II, onde permaneceu até 2015, quando a nova sede da escola foi inaugurada no prédio ao lado. O ponto, então, voltou a ser ocupado no ano passado como depósito dos arquivos.

“Tanta mãe enfrentando dificuldade com vagas, e uma escola desse tamanho sendo usada para guardar arquivo. Seria bom para movimentar o bairro”, sugere a comerciante Daniela Rodrigues, de 49 anos, vizinha do espaço.

Questionada, a  Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) disse que o imóvel funciona como sede do arquivo geral da secretaria e que desconhece o processo de municipalização para a Prefeitura de Niterói, uma vez que o imóvel estava cedido ao Governo Federal, onde funcionava o Colégio Pedro II.

A prefeitura diz ter a intenção de municipalizar o Ciep, porém, afirma que é preciso concluir o levantamento da necessidade de vagas no ensino infantil e fundamental, bem como de novos espaços que ofereçam atividades no contraturno escolar. 

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Comentários

Elson Luiz
Basta o município fazer uma gestão compartilhada com a associação de moradores do bairro para verificar principais demandas para todas as faixas etárias. Espaço é o que não falta!
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