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Beleza dentro e fora dos mares

Projetos sustentáveis garantem praias mais limpas e orla de Niterói vira opção de lazer para toda a família

Uma das iniciativas da Águas de Niterói foi acabar com as ligações irregulares, melhorando a balneabilidade. Parceria garante retirada de resíduos flutuantes com barco

Foto: Evelen Gouvêa

Praias movimentadas não são mais sinônimo de poluição. Isso porque, em Niterói, as iniciativas públicas e privadas estão redobrando os esforços para garantir que as regiões litorâneas atraiam banhistas por abrigar belezas dentro e fora dos mares. Investindo em projetos sustentáveis que visam melhorar a gestão do manejo de resíduos e conter o despejo de materiais na bacia hidrográfica e nas áreas urbanas, a Prefeitura vem adotando medidas com metas baseadas na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Assumindo o mesmo compromisso, a concessionária Águas de Niterói continua intensificando a prática de ações socioambientais a fim de evitar que os poluentes provoquem danos irreparáveis ao ecossistema nas próximas gerações.

Uma das iniciativas sustentáveis de maior relevância no município é o projeto Águas Limpas, promovido pela concessionária Águas de Niterói, em parceria com o Instituto Rumo Náutico Projeto Grael e com o apoio da Clin. O programa tem a proposta de garantir o mapeamento, monitoramento e coleta de resíduos flutuantes, na Baía de Guanabara, entre a enseada de Jurujuba e Icaraí, o que abrange as praias de Charitas e São Francisco. Utilizando uma embarcação francesa, conhecida como Cataglop Light, a tecnologia armazena os resíduos em um contêiner com capacidade para 500 quilos e os combustíveis flutuantes são depositados em uma caixa separadora com potencial para abrigar até mil litros.

Outra iniciativa da concessionária foi acabar com as ligações irregulares, uma das principais causas das chamadas línguas-negras. Por meio dessa medida foi possível ampliar os índices de balneabilidade das praias, promovendo estudos que extinguiram esse problema e permitiram a evolução da limpeza nas águas da região. 

Segundo o superintendente da Águas de Niterói, Nelson Gomes, a empresa também construiu uma barreira nos canais para evitar o destino irregular dos efluentes. Para acompanhar a evolução da limpeza das praias, a concessionária, em parceria com o Inea, aumentou a periodicidade das análises de balneabilidade das praias, banhadas pela Baía de Guanabara.

“A concessionária opera nesses rios através de um sistema de bloqueio contra os poluentes. Em seguida, direcionamos todo o lançamento irregular nos canais para a estação de tratamento. E, com isso, não temos mais aquelas línguas-negras que víamos antigamente na cidade. Tanto que, hoje, as praias niteroienses estão com períodos balneáveis em diversas épocas do ano”, destacou.

Conforme estimativa divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), entre os materiais despejados no ecossistema marinho, o plástico é o que mais causa impactos e gera um prejuízo de até US$ 13 bilhões por ano, em todo o mundo. A bióloga Danielle Souza explica que o malefício provocado pelo despejo de resíduos gera um dano exorbitante na esfera econômica, porque afeta o equilíbrio ecológico, ocasionando a mortandade de tartarugas, pássaros e peixes que ingerem os materiais.

“Parte majoritária dos poluentes que chegam às águas é oriunda dos rios que recebem resíduos contaminantes e materiais jogados por banhistas ou pessoas em embarcações. Portanto, é fundamental que as entidades elaborarem planejamentos que freiem os impactos ambientais gerados pela população, por meio de medidas tecnológicas e também da conscientização ambiental,” esclareceu a especialista, ressaltando que “ao construirmos uma sociedade sustentável, evitamos que as águas das praias se tornem impróprias para banho nas próximas décadas, impedimos a contaminação dos animais marinhos consumidos pelos cidadãos e preservamos o equilíbrio do ecossistema, sem provocar a extinção das espécies nativas,” pontuou.

Com foco na responsabilidade ambiental, o município vem avançando nas políticas de combate aos problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do controle inadequado dos resíduos despejados em áreas impróprias. Neste contexto, a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) adere a uma série de iniciativas, nesta temporada de verão, com o objetivo de manter as orlas, areias e águas limpas. Durante toda a estação, a companhia entrega nas praias da cidade saquinhos para acondicionamento de lixo. Inclusive, o órgão também aumenta o número de contêineres nas areias e nos acessos às praias, sobretudo, em Itacoatiara, Piratininga e Icaraí, que recebem um movimento maior de frequentadores.

Entre as principais ações especiais desenvolvidas pela companhia está a limpeza das encostas, utilizando equipamento de rapel e a despoluição das praias com auxílio de maquinário específico. De acordo com a Clin, apenas em junho, mês de inverno, foram recolhidas 134.093 toneladas de lixo nas praias. A expectativa é que, na temporada de verão, esse número dobre consideravelmente, visto que as regiões litorâneas recebem um número maior de banhistas. Por isso, a limpeza das praias acontece diariamente, tanto de forma manual quanto com o aparato de mecanismos tecnológicos.

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Comentários

Flavio dos Reis Gonçalves
Agora essa ação deve ser extendida aos rios que deságuam no trecho da Baía GB na Zona Norte. Tomada a tempo seco e a ETE de Jurujuba, porque a prefeitura e as Águas de Niterói não fazem o mesmo. Alameda, Maruí e Bomba são verdadeiras linguas negras. Sei que haverá ainda o projeto de drenagem dos canais da região, mas porque só no C.Sao Bento e na enseada de Jurujuba na zona sul e que vcs propõem essa solução integrada? E os biodigestores em favelas, as Águas do Imperador já possuem 10 unidades, o grupo empresarial e umbilicalmente o mesmo???
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Roberto Cesar Pugliesi Portella
Nós Rio Vicência e São Lourenço são poluídos e desaguam na altura do Porto de Niterói, perto da ponte Rj-Niterói onde há um bom espaço para a construção de uma UTE. O ideal era não poluir esses rios, mas como isso é um pouco mais difícil, não deveríamos deixar o esgoto in-natura ir para a Baía de Guanabara.
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