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Campanha em prol da educação

Comunidade acadêmica da UFF se mobiliza para defender a instituição frente ao corte de 30% no orçamento

Com diversos campi espalhados pela cidade, milhares de estudantes e funcionários estão preocupados com a falta de recursos

Foto: Douglas Macedo

Professores, alunos e funcionários da Universidade Federal Fluminense (UFF) estão fazendo uma campanha nas redes sociais com a hastag #OrgulhoDeSerUFF para defender a instituição frente ao bloqueio de 30% do orçamento de custeio definido na última terça-feira (30) pelo Ministério da Educação. Com a hastag, páginas oficiais da instituição e também estudantes compartilham depoimentos sobre a importância e o impacto da universidade na sociedade e expõe o que poder ser perdido com o corte de verbas.

O reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega irá a Brasília nesta semana para uma reunião com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, com o objetivo de apresentar a UFF ao ministro e evidenciar que, caso a medida não seja revertida, terá um impacto muito negativo não só nas atividades acadêmicas, mas em toda a sociedade.

Para o reitor, há um desconhecimento por parte do ministro sobre a importância da UFF, que é atualmente a maior universidade federal do Brasil em número de estudantes matriculados, 43 mil no total, contando com unidades em nove cidades do Rio de Janeiro, além de um campi em Oriximiná, no Pará. Onde são oferecidos 130 cursos de graduação, 8 mil de pós-graduação, com uma equipe de mais de 3,3 mil professores e mais de 2,6 mil servidores técnicos e administrativos. A universidade hoje figura entre as mais bem colocadas em rankings nacionais e internacionais do ensino superior e se destaca como “universidade plena”, oferecendo cursos em todas as áreas do conhecimento.
Apesar de justificar o corte de verba alegando “baixa qualidade”, o próprio MEC qualificou a UFF com o conceito máximo (5) no Índice Geral de Cursos (IGC) de graduação, que mede a eficiência na formação de profissionais. Isso se deve à cooperação com mais de 330 outras universidades. 

Impacto na universidade - A UFF dobrou sua produção científica nos últimos 10 anos e, caso o corte não se reverta, inúmeros projetos de valor científico e tecnológico podem ser prejudicados. Como os de alunos da Escola de Engenharia que foram selecionados para participar de uma competição da NASA que incentiva jovens de todo o mundo a criar, construir e testar tecnologias. 

Na área da Saúde, o corte prejudica a continuidade de iniciativas como o Projeto Reach, que desenvolve próteses robóticas de baixo custo para deficientes. A também o projeto de alunos e professores de Medicina e Engenharia que, em parceria com as Forças Armadas, desenvolveram tecnologia de telemedicina para realizar atendimentos clínicos à distância, beneficiando populações da região Norte do Brasil. Essa metodologia pode ser a solução frente à escassez de profissionais de saúde em locais de difícil acesso. O corte pode parar grupos de pesquisadores que vêm obtendo avanços importantes em soluções para o combate ao câncer. 

Impacto da sociedade - A UFF tem grande tradição nas áreas de humanidades, ciências sociais, artes e cultura que são fundamentais para compreender o ser humano, nossa história e a sociedade como base para nossa evolução e o enriquecimento humano. Tudo isso se reflete em projetos sociais como o Centro de Assistência Jurídica da UFF Macaé, que presta atendimento e consultoria gratuitos para a população.

Entre os atendimentos que podem ser paralisados estão o de Nova Friburgo, onde surdos eram atendidos na Clínica-Escola de Fonoaudiologia, e o atendimento realizado na Faculdade de Odontologia, que beneficia a população de Niterói com o desenvolvimento de novos produtos como implantes dentários, substitutos ósseos e membranas sintéticas. 

Empreendedorismo - A UFF também desponta na questão da inovação da economia, como por exemplo o grupo “Minor em Empreendedorismo e Inovação”, que chegou a ser destaque na Revista Forbes pela criação de aplicativo médico que pode ser utilizado em todo o país, como também em diversos países da Europa, África e América Latina. Além disso, a Agência de Inovação possui diversas startups incubadas com projetos revolucionários em diversas áreas. 

Na noite de sábado, o Coletivo Direito Popular postou cartaz colocado na frente da Faculdade de Direito

Foto: Reprodução de Facebook

Ações em defesa da Educação 

Pequenos atos vêm sendo realizados desde o anúncio do corte. Estudantes colocaram uma projeção em um dos prédios do campus Gragoatá com a frase “Não somos balbúrdia”, em referência às declarações do Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Para esta quarta-feira, o Conselho de Centros Acadêmicos está convocando uma série de novos atos em defesa da Educação. Em Niterói, a concentração está marcada para as 16h na entrada do campus Gragoatá e irá seguir em direção à reitoria, em Icaraí. Em Macaé, às 17h, estudantes se reunirão em frente ao Polo Universitário da cidade.

15 de Maio - Com o objetivo de apresentar a UFF para a sociedade, a instituição está preparando um evento em defesa da universidade, para que ela siga gratuita, com alta qualidade e inclusiva. Essas atividades serão abertas ao público demonstrando e divulgando os projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos pela instituição. Estão previstas ações sociais nas praças, estandes acadêmicos, abrir as portas dos laboratórios, bibliotecas e outras repartições da universidade.

Nacional - Também no dia 15, o Andes está convocando a Educação Pública para uma paralisação nacional. A Greve Nacional da Educação foi definida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A diretoria do sindicato classificou como perseguição as declarações do Ministro da Educação e do Presidente da República que incentivam a filmagem de docentes por alunos.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) está convocando todo o movimento estudantil a se mobilizar para uma paralisação nacional da Educação também no dia 15 de maio contra o governo Bolsonaro, ao qual classificou como “inimigo da Educação”, por demonstrações o que considera desconhecimento do funcionamento da educação brasileira e a necessidade da autonomia das universidades para a produção de um pensamento crítico e científico, que contribua para consciência do povo.

Em nota, a UNE afirmou que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, tem como motivação a perseguição e retaliação ao ensino superior por ser um local onde estudantes, professores e trabalhadores pautam o debate político expressando opiniões, quase sempre contrárias ao governo. 

Prefeito Rodrigo Neves reforçou a importância da UFF para a sociedade

Foto: Evelen Gouvêa
 

Repúdio ao corte 

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) repudiou ao anúncio de corte no orçamento das universidades federais. O presidente Antonio Gonçalves classificou a medida como ilegal e reforçou a importância social das universidades federais. 

“A Universidade deve ser um espaço de formação emancipatória do sujeito, por isso tem que ser um espaço de criticidade e autonomia. O governo, para impor sua política educacional de retrocesso, de pensamento único, elege como prioridade o contingenciamento de verbas das universidades, usando uma argumentação ilegal e inaceitável”, afirmou.

UNE - Em nota, a União Nacional dos estudantes (UNE) afirmou que o governo Bolsonaro tem dado novas demonstrações do completo desconhecimento e uma absurda falta de seriedade no trato com a educação brasileira. A instituição estudantil afirma que não se irá tolerar que “continuem minando a autonomia de nossas universidades e a possibilidade de que exista produção de um pensamento crítico e científico” e chamou de “discurso mentiroso” as declarações proferidas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Niterói - Na última quinta-feira, a Câmara Municipal de Niterói aprovou uma moção de repúdio à decisão do Governo Federal de bloquear a verba da UFF, assim como de todas instituições educacionais federais. A iniciativa partiu do vereador Paulo Eduardo Gomes (Psol), mas vereadores de todos os partidos se colocaram em defesa das instituições públicas de ensino. 

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), também se posicionou contrário à decisão do MEC através das redes sociais. “A UFF é a maior universidade do país. Considerada uma das melhores, é a mais interiorizada do estado do Rio de Janeiro, presente em várias cidades. Niterói defende a UFF e tenho certeza que a bancada federal do Rio não vai deixar avançar essa irresponsabilidade que ameaça a universidade!”, postou. 

 

Outras instituições são atingidas 

O anúncio do corte de verbas das universidades federais foi feito pelo Ministério da Educação (MEC) nesta terça-feira (30), quando afirmou o bloqueio de 30% do orçamento da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade de Brasília (UNB) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A justificativa foi a “balbúrdia” das instituições. 

Na ocasião, o ministro Abraham Weintraub, em entrevista ao jornal “Estado de São Paulo”, afirmou que as três universidades que tiveram seu orçamento bloqueado permitiram a realização de eventos políticos e manifestações partidárias em seus espaços.

Na última sexta-feira a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciou que o Governo Federal bloqueou 41% das verbas da instituição, num total de  R$ 114 milhões. O corte nas duas universidades atinge diretamente despesas ordinárias de custeio, como consumo de água, energia elétrica, contratos de prestação de serviços de limpeza e segurança. Já o bloqueio de recursos para investimentos impede obras e compra de equipamentos utilizados em laboratórios e hospitais.

Ainda na sexta-feira, o MEC anunciou também um corte de mais de 30% da verba do Colégio Pedro II (CPII) e do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (IFRJ). Em nota, o CPII afirma que a redução do orçamento inviabilizará o planejamento elaborado pela unidade de ensino, que desde 2014 convive com a redução do orçamento.

 
 
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Comentários

Elson Luiz
Cadê o Ministério Público, cadê os parlamentares do RJ prá defender os interesses do estado do Rio de Janeiro, cadê a população prá protestar contra esse atentado à Educação Pública?
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