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CDL: foco na inovação e diálogo

Entidade aposta na tecnologia para fazer frente ao e-commerce e reivindica menos tributos para gerar mais empregos

“O comércio é o que mais emprega e gera riqueza na cidade, e não somos respeitados à altura”, ressalta Luiz Vieira

Evelen Gouvêa

Inovação, políticas públicas e valorização do comércio local. Esses são os três pilares que a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói se baseia, hoje, para acompanhar as mudanças no cenário mercadológico. A entidade completou, na última quarta-feira, 61 anos de atuação na cidade, em defesa da classe. Além de olhar para atrás e rever todas as conquistas que a associação acumula em prol dos lojistas, e do próprio município, a CDL se projeta agora para o futuro, investindo em novas ações. Pensando em atualizar o mercado varejista de Niterói, o presidente da CDL no município, Luiz Vieira, quer usar a tecnologia e a inovação como aliadas. Segundo ele, as relações de consumo de 61 anos atrás, quando a entidade surgiu, já não são as mesmas. Mostrar ao empresário como usar a tecnologia para atrair movimento ao comércio físico é o objetivo.  

“Hoje, grande parte da população, principalmente a mais jovem, compra através do celular, não vai às lojas. Isso cria uma mudança de comportamento muito grande no que diz ao comércio digital e comércio físico. Então, hoje a gente precisa preparar o empresariado para essa nova realidade”, ressalta Vieira, que aposta na capacitação de gestores. 

Com a prerrogativa da renovação, a CDL está elaborando um aplicativo para que os associados acessem os serviços prestados pela associação. A ideia, segundo o presidente, é criar um contato direto com os lojistas, como uma forma de incentivar o empresariado a se renovar em relação a isso também.  

Diálogo com empresários

Já o projeto CDL no seu Bairro vem abrindo um canal direto com os empresários da cidade, ouvindo seus anseios e solicitações. Assim, a entidade busca discutir propostas em políticas públicas na defesa do empresariado, participando de audiências públicas na Câmara de Vereadores de Niterói, na Alerj e até na Câmara dos Deputados, em Brasília. 

“Já estivemos no Fonseca e na Região Oceânica. Está na programação ir ao Centro. E é isso: ouvir o comércio local, saber o que está pensando, quais são suas dificuldades, o que está precisando em termos de políticas públicas, para defender e melhorar a ambiência de negócios na cidade”, explica Luiz. 
 

Valorização ao comércio

A CDL também lançou uma campanha de valorização do comércio niteroiense, já em prática no Dia das Mães, com o slogan “Valorize! Quem compra aqui, desenvolve aqui”. Segundo Luiz Vieira, é preciso criar em Niterói uma ambiência de negócios próprios da cidade.  

“Precisamos entender que, quando você compra de outra cidade, estado ou país, você está mandando recursos para aquele local. Com isso, aqui na cidade, você deixa de ter certos retornos, no que diz respeito a um comércio mais pujante, melhor, como também na questão dos impostos. Estamos trabalhando para que as pessoas comprem no seu bairro, na sua cidade e valorizem o que é seu”, explica. 
 

Reivindicações no IPTU

Uma das principais lutas da CDL Niterói é em relação ao IPTU. No fim do mês passado, diretores e conselheiros da entidade se reuniram com a secretária de Fazenda Giovanna Victer, para discutir os valores e correções do IPTU, a cobrança do imposto em áreas não averbadas e as multas aplicadas às empresas.  

A prefeitura passou a cobrar pelo jirau de lojas – área destinada ao estoque de produtos –, o que vem sendo veementemente questionado por lojistas, já que é uma estrutura desmontável.  

“Cada negócio é um estilo, um layout. Se você tem uma farmácia, você tem um layout. Se tiver um restaurante naquele mesmo ponto, é outro. Muda tudo. O jirau é removível. Se é removível, não faz parte do escopo do IPTU e não pode ser cobrado por isso”, explica Luiz, que aguarda, ainda, um retorno de Victer sobre o assunto.  

A CDL também busca a implantação de uma fiscalização orientadora, que de início procure um diálogo com os empresários, dando orientações sobre a mudança de leis e decretos, dando prazo para adequação para que, só então, aplique a multa necessária, caso as exigências não sejam cumpridas.  

“Não podemos ter a percepção de que multando e onerando o empresário vamos rentabilizar e ser fonte de receita do município, porque você está prejudicando o investimento, o emprego. O comércio é o que mais emprega e gera riqueza na cidade, e não somos respeitados à altura”, reivindica o presidente da CDL, propondo mais diálogo entre o setor e o poder público.  

Outra reivindicação é a suspensão da tarifa energética da Enel, de 19%, para o comércio. A taxa, considerada abusiva pela CDL, é alvo de uma ação civil pública que tramita na Justiça Federal do Rio e ainda não foi sentenciada.   
 

Impostos: redução da carga tributária 

A redução da carga tributária também é uma demanda da classe. Em forma de protesto, a CDL Niterói, junto a um movimento em todo o País, vai promover, no próximo dia 30, o Dia Livre de Impostos. Os lojistas que participarem poderão escolher alguns de seus produtos para retirar os impostos incidentes. Os descontos podem chegar a 70%.  

Segundo Luiz Vieira, num posto de gasolina, por exemplo, o imposto correspondente chega a 40% do valor do combustível. Num item de perfumaria, essa taxa chega a 70%. O Plaza Shopping, além de outras lojas na cidade, já confirmou sua participação no movimento.   

“Nesse dia, vamos organizar um grande movimento. Ao invés de protestar cantando na rua, colocando fogo em pneu, vamos nos manifestar de outra forma. Vamos mostrar para a população o quanto ela paga de imposto. Com isso, o consumidor vai ter uma noção do quanto ele pagaria se não tivesse imposto”, esclarece.  

O objetivo, com isso, é discutir a reforma tributária no Brasil. A CDL Niterói recebeu o convite para ir à Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 28, para falar sobre o Dia Livre de Impostos, entrando numa discussão prévia da reforma.

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