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Dom José Francisco

Dom José Francisco Rezende Dias oferece uma reflexão sobre a evolução da sociedade e como a fé contribui para essas mudanças de maneira positiva

As chaves da Revolução Cristã

Por que os seres humanos se tornaram a espécie dominante no planeta? 

Esse assunto tem dominado boa parte das inteligências. A centelha divina é certamente uma resposta que me agrada. Mas pode não agradar a muitos de meus leitores. Então, temos de pensar em algo que alcance a todos. Precisamos examinar quais foram as aptidões específicas que conferiram à nossa espécie sua posição vantajosa. 

Desde sempre a produção de ferramentas e a inteligência foram indicadas como os fatores decisivos na nossa ascensão. Mas as duas respostas não contemplam a extensão da questão. Há 1 milhão de anos já éramos inteligentes e já fabricávamos ferramentas, e ainda continuávamos insignificantes no ecossistema circundante. 

Acontece que no decorrer dos últimos 200 mil anos, algo aconteceu que determinou nossa subida ao pódio. O fator crucial de nossa conquista do mundo foi a nossa capacidade de nos conectarmos uns aos outros. Chimpanzés também se conectam, mas apenas em pequena escala, com os elementos de seu próprio grupo. Só os humanos criaram cooperação em larga escala. Se não tivéssemos aprendido a cooperar em larga escala, nossos cérebros astutos e nossas mãos hábeis provavelmente ainda estariam quebrando lascas de pedra e não átomos de urânio. 

Cooperação é a chave. 

Mas se cooperação é a chave, porque as formigas e as abelhas não chegaram à lua antes de nós? Elas aprenderam a cooperar em escala maciça milhões de anos antes de nós. O problema é que elas continuam fazendo as coisas do mesmo jeito, há milhões de anos. Apesar de seu sofisticado sistema de cooperação, elas não foram capazes de reinventar seu sistema social. Nenhuma colmeia, até hoje, foi capaz de guilhotinar sua rainha para estabelecer uma república.

Cooperação é a chave. Mas flexibilidade é a chave da cooperação. 

Porém, mamíferos sociais como elefantes e chimpanzés cooperam uns com os outros de maneira mais flexível que as abelhas. O que aconteceu que eles também não expandiram seus conhecimentos como os humanos? O problema é que eles cooperam apenas com um número pequeno de amigos e membros da própria família. Eles não conseguiram estabelecer uma rede de cooperação além dos próprios conhecidos. 

Diferentemente, os humanos são capazes de cooperar uns com os outros com extrema flexibilidade e com um grande número de estranhos. É essa a capacidade que explica nosso domínio e nossa permanência. 

Cooperar com flexibilidade: essa é a chave.

Três anos depois da Morte e do evento da Ressureição de Jesus, Paulo de Tarso se preparava para iniciar o maior processo de transformação social dos últimos 20 séculos: uma nova religião transformaria a vida de 2,18 bilhões de pessoas no planeta. 

Neste mês de outubro, Mês das Missões, quero refletir com vocês sobre essa transformação. Mas sobretudo, como a cooperação e a flexibilidade, que foram as chaves da evolução humana, foram também as chaves da revolução cristã.

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