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Chikungunya é ameaça no verão

Região de Niterói e municípios vizinhos teve aumento de 815% no número de casos em relação ao ano passado

Municípios estão focados no combate ao mosquito transmissor da doença para reduzir números de infestação

Arquivo/Agência Brasil

Uma recente pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que o Estado do Rio de Janeiro conta com 37 mil casos de chikungunya registrados de janeiro até outubro, caracterizando assim uma epidemia. Desses casos, segundo o levantamento, os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Silva Jardim e Tanguá – que compõem a Região Metropolitana II – estão entre os em situação mais crítica, com aumento de 815% em relação ao ano passado. 

A uma semana do início do verão, a população teme que a situação se agrave ainda mais, visto que os mosquitos se proliferam mais nessa época do ano e os desafios para o combate aumentam. 

São Gonçalo – Em todo o ano de 2017, foram registrados 1.115 casos da doença no município. Já em 2018, até o mês de outubro, 7.808 pessoas foram infectadas. Segundo a prefeitura, a Vigilância Ambiental realiza ações diariamente, com visitas domiciliares para prestar orientações e localizar possíveis focos do Aedes aegypti, realizando orientações aos moradores e procurando focos do Aedes, além de palestras em escolas, condomínios e unidades de saúde, a fim de orientar a população, que deve verificar diariamente focos do mosquito em suas residências. 

Maricá – De acordo com a prefeitura, foram 591 casos confirmados de chikungunya de janeiro a outubro de 2018 no município. A prefeitura informou que realiza ações de identificação e tratamento dos focos localizados, além da circulação de carros fumacê em rotas estabelecidas conforme as notificações de casos.

Para auxiliar na redução dos índices de infestação pelo mosquito Aedes Aegypti no município de Itaboraí, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da subsecretaria de Vigilância em Saúde, lançou o Projeto “Brigada contra as arboviroses”. A iniciativa consiste em realizar parcerias com as empresas privadas do município para formação de funcionários e habilitá-los na função de brigadista contra as Arboviroses, para que, dentro de suas respectivas empresas, sejam capazes de encontrar possíveis focos do mosquito transmissor dos vírus da dengue, febre amarela, zika e chikungunya. 

O projeto também foi apresentado a diretores de todas as escolas municipais com a intenção de formar os funcionários e habilitá-los na função de brigadista contra as Arboviroses, para que, dentro de suas respectivas escolas, sejam capazes de encontrar possíveis focos do mosquito transmissor dos vírus.

Itaboraí – Segundo a prefeitura, aos sábados a Secretaria Municipal de Saúde realiza mutirões de combate ao mosquito Aedes aegypti em diversos bairros da cidade. Os agentes de endemias percorrem os bairros com ações de combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Durante os trabalhos também são intensificadas as vistorias nos imóveis fechados. Além da distribuição de material educativo, visitas domiciliares e mutirões de limpeza.

Niterói – A Prefeitura de Niterói não se pronunciou sobre o combate ao mosquito até o fechamento desta edição. 

Na última quarta, caminhonetes foram entregues para várias regiões

Divulgação/Rodrigo Nunes

Combate no País 

Apesar do aumento de casos na Região Metropolitana II do Rio de Janeiro, de acordo com o Ministério da Saúde, até 3 de dezembro, foram notificados 84.294 casos de chikungunya em todo o País, redução de 54% em relação ao mesmo período de 2017 (184.344). Em comparação ao número de óbitos, a queda é de 81,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 191 mortes em 2017 para 35 neste ano.

Na última quarta-feira (12), o presidente Michel Temer e o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, entregaram mil caminhonetes para diferentes regiões do país, como força efetiva no combate ao mosquito, por conta do atual cenário de risco dos municípios, em relação ao mosquito Aedes aegypti.
Ao todo, o Ministério da Saúde investiu R$ 109,4 milhões na aquisição dos veículos.

Com essas caminhonetes os estados e municípios podem acoplar os equipamentos de fumacê para ações locais. 

Na ocasião, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, apresentou os dados do LIRAa e lançou o Sistema Integrado de Controle de Vetores (SIVector), que substituirá o Sistema do Programa Nacional de Controle da Dengue (SISPNCD) com informações georreferenciadas para o controle do Aedes aegypti e Aedes albopictus.

O presidente Michel Temer reforçou que a conexão entre Governo Federal, municípios e estados tem favorecido a melhora da saúde no País e a redução de casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Confira os sintomas e formas de transmissão 

A febre chikungunya é uma doença viral transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. No Brasil, a circulação do vírus foi identificada pela primeira vez em 2014. Chikungunya significa “aqueles que se dobram” em swahili, um dos idiomas da Tanzânia. Refere-se à aparência curvada dos pacientes que foram atendidos na primeira epidemia documentada, na Tanzânia, localizada no leste da África, entre 1952 e 1953. 

Os principais sintomas são febre alta de início rápido, dores intensas nas articulações dos pés e mãos, além de dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer ainda dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. 

Não é possível ter chikungunya mais de uma vez. Depois de infectada, a pessoa fica imune pelo resto da vida. Os sintomas iniciam entre dois e doze dias após a picada do mosquito. O mosquito adquire o vírus CHIKV ao picar uma pessoa infectada, durante o período em que o vírus está presente no organismo infectado. Cerca de 30% dos casos não apresentam sintomas. 

Transmissão – A transmissão do vírus chikungunya (CHIKV) é feita através da picada de insetos-vetores do gênero Aedes, que em cidades é principalmente pelo Aedes aegypti e em ambientes rurais ou selvagens pode ser por Aedes albopictus. Embora a transmissão direta entre humanos não esteja demonstrada, há de se considerar a possibilidade da transmissão in utero da mãe para o feto. O período de incubação do vírus é de 4 a 7 dias, e a doença, na maioria dos casos, é autolimitante. A mortalidade em menores de um ano é de 0,4%, podendo ser mais elevada em indivíduos com patologias associadas.

Prevenção – Ainda não existe vacina ou medicamentos contra chikungunya. Portanto, a única forma de prevenção é acabar com o mosquito. 

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