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Chuva deixa rastro em Niterói

Na Zona Sul, os bairros de Charitas e Jurujuba foram dois dos mais afetados no município com o temporal que caiu na quarta-feira

Em Charitas, a lama tomou conta das principais vias do bairro, exigindo muito trabalho das equipes da prefeitura

Júlio Silva

A forte chuva que atingiu a Região Metropolitana do Rio de Janeiro na quarta-feira deixou vestígios de destruição em Niterói. Nesta quinta-feira (17) equipes da Prefeitura foram mobilizadas para amenizar os estragos. Alagamentos, deslizamentos de encostas e árvores caídas foram alguns dos problemas enfrentados por moradores do município. Em Jurujuba, a tubulação da Maternidade Municipal Alzira Reis estourou e a unidade teve o fornecimento de água interrompido. Parte do Hospital Psiquiátrico de Jurujuba também ficou alagado.

Por conta do temporal, em uma hora choveu o acumulado de 88,6 milímetros em Charitas e Jurujuba, o equivalente a 87,72% previsto para o mês. Com isso, um deslizamento de terra no Morro do Preventório, que chegou a ter as sirenes acionadas na última quarta, atingiu uma tubulação da Maternidade Alzira Reis, em Jurujuba. Os canos que abastecem a unidade foram quebrados e o fornecimento de água interrompido.  

Na noite de quarta-feira, o serviço de internação foi suspenso e duas gestantes foram transferidas para o Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap) e Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal). As pacientes que já estavam internadas continuaram no local, sem necessidade de transferência, já que a reserva de água era suficiente para garantir assistência.  

Atingido pela lama, o hospital contou com o auxílio de funcionários da Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (Clin), da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) e da Secretaria de Saúde, que realizaram trabalhos de limpeza e recuperação do local. 

De acordo com a Fundação Municipal de Saúde e a concessionária Águas de Niterói, o abastecimento foi normalizado durante a tarde desta quinta-feira e as internações também foram retomadas. 

No Hospital Psiquiátrico de Jurujuba, mesmo com o alagamento em algumas alas, inclusive na enfermaria, o atendimento não foi interrompido. A água foi retirada do interior da unidade ainda durante a manhã desta quinta.

Cerca de 200 funcionários da Clin e da Seconser e maquinários específicos foram espalhados pela cidade para diminuir o impacto deixado pelas chuvas e desobstruir a rede pluvial. Além disso, equipes fizeram a remoção de entulhos provenientes de deslizamentos, que somaram 110 toneladas de lixo e lama até a tarde desta quinta-feira. 

Com o apoio de uma retroescavadeira, agentes retiraram a lama que tomou conta da Avenida Carlos Ermelindo Marins, única via de acesso a Jurujuba. Durante as chuvas, a via ficou interditada e uma moradora do local ficou presa no carro com a filha de oito meses durante quatro horas, sem ter como voltar para casa. A professora de dança Tatiana Gimenez contou sobre os momentos de desespero. 

“Fiquei na entrada da avenida, trancada no carro com a minha filha das 15h às 19h. Era muita água, tudo alagado, e estava impossível passar por ali. Foi a primeira vez que passei por uma situação como essa e fiquei muito nervosa, sem saber o que fazer”, contou Tatiana, que ainda encontrou sua casa alagada. 

Ainda na Avenida Carlos Ermelindo, uma casa sofreu com o deslizamento de terra. O quintal da enfermeira Patrícia Campos, de 44 anos, foi tomado pela lama e uma caixa de água de cinco mil litros, que estava cheia, foi arrastada.  

“Não estava em casa quando tudo aconteceu, mas vizinhos me ligaram para avisar. Encontrei o quintal da minha casa destruído, cheio de barro, e a entrada da casa também estava obstruída. Fiquei assustada em ver onde a minha cisterna foi parar. Se tivesse caído na rua, poderia acontecer uma tragédia”, alertou Patrícia, que também teve o muro de sua casa quebrado, com blocos de concreto pendurado por vergalhões. 

Já na Região Oceânica, um dos pontos mais afetados pela chuva, alagamentos tomaram conta das ruas. Na região, o acumulado máximo de água em uma hora chegou a 100,32 mm, o que representa 91,99% da chuva esperada para todo o mês.  

De acordo com a Prefeitura de Niterói, equipes realizaram nesta quinta a limpeza do Rio João Mendes, além da desobstrução da rede pluvial e abertura de valas para melhorar o escoamento da água. 

A Clin solicita que, em caso de previsão de chuvas fortes, a população não coloque o lixo para fora para evitar alagamentos.

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