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Ciclistas sem vez em Niterói

Usuários apontam que ciclofaixas não têm interligações entre regiões e sofrem com falta de manutenção

Na Avenida Roberto Silveira, pela falta da interligação, os ciclistas precisam se arriscar em meio aos carros para conseguir chegar à região da cidade de interesse

Foto: Evelen Gouvêa

Importantes medidas para o desenvolvimento da mobilidade de Niterói, as ciclovias e ciclofaixas da cidade seguem sem interligações entre bairros e regiões do município. Ciclistas apontam que este é um dos fatores que interferem no aumento do número de usuários de bicicleta em Niterói. Apesar das promessas, a prefeitura não responde sobre as interligações, mas afirma que há projetos para a Região Oceânica, Centro e Zona Norte. Uma conquista dos ciclistas, o Bicicletário Arariboia, no Centro, completa dois anos com a marca de 7.686 usuários cadastrados, um aumento de 92% no último ano.

Apesar de não haver um número exato de ciclistas que circulam por Niterói, movimentos a favor da bike e a Prefeitura concluem que o número de usuários de bicicleta aumentou na cidade, sobretudo após a abertura do Bicicletário Arariboia, em 2017, e o desenvolvimento das ciclovias consideradas principais, como a da Av. Roberto Silveira, em Icaraí, e Av. Ernani do Amaral Peixoto, no Centro. 

Dados do Mobilidade Niterói, grupo de ciclistas da cidade, aponta que de 2015 a 2018, o movimento na Av. Amaral Peixoto cresceu 186,89%. O número, no entanto, ainda não seria satisfatório. Isso porque as ciclovias e ciclofaixas estão concentradas na Zona Sul e na Região Oceânica, porém, coletivos como Pedal Sonoro e Bike Anjo afirmam que não há interligação entre os bairros e regiões, o que causa insegurança de possíveis novos usuários.

“Para o número aumentar, precisamos de uma infraestrutura mínima. A ligação entre a Zona Sul, Centro e Zona Norte vem sendo muito pedida. Quando tivermos a ciclovia na Av. Marquês do Paraná, no Centro, teremos um salto no número de ciclistas. Com certeza, a falta de interligação, manutenção e campanhas educacionais para todos são motivos para não aumentar ainda mais esse número”, afirmou Ana Carboni, membro da rede Bike Anjo em Niterói. 

Ciclovia é promessa junto à remodelação da Alameda São Boaventura. Enquanto isso, ciclistas se arriscam entre os carros ou nas calçadas

Foto: Evelen Gouvêa

Promessas - No ano passado, o prefeito Rodrigo Neves prometeu celeridade e prioridade para a implantação da ciclovia da Marquês do Paraná, que liga Icaraí ao Centro, após diversos acidentes no local. Outra promessa da prefeitura, muito aguardada pelos moradores da cidade e ciclistas, é a remodelação da Alameda São Boaventura, no Fonseca, que promete implantar ciclovia no trecho, além de ruas como Avenida Professor João Brasil e Dr. Carlos Maximiano.

“A bicicleta precisa ser vista como meio de transporte, por isso a necessidade de ligação em grandes avenidas. Na Alameda seria extremamente importante, pois muitos ciclistas passam por ali, é uma população enorme. Tivemos algumas campanhas de educação no trânsito, mas ainda é difícil. Falta sinalização de preferência para ciclista, reduzir a velocidade, uma reciclagem de motoristas...”, ressalta Carboni.

O Pedal Sonoro, por sua vez, aponta que entregou uma carta Compromisso pela Mobilidade Ativa para o Prefeito Rodrigo Neves, em sua campanha de reeleição, com 10 propostas. Luís Araújo afirma que os compromissos assumidos pela gestão não foram implementados.

Procurada para esclarecer sobre as críticas e prazos para melhorias, a Prefeitura de Niterói respondeu que a implantação das ciclovias da Alameda e da Marquês do Paraná serão feitas de forma integrada ao projeto de renovação urbana das vias, sem divulgar datas. 

Já sobre a interligação das ciclovias entre as regiões do município, o Executivo disse que a Região Oceânica, Zona Norte e o Centro estão com projeto em andamento em diferentes Secretarias, e o prazo para conclusão é 2020. O projeto executivo do Sistema Cicloviário da Região Oceânica está em andamento, e a previsão de contratação das obras é no segundo semestre de 2019.

Sobre campanhas educacionais, a prefeitura disse que o Niterói de Bicicleta contribui e atua de forma conjunta nas ações com foco para a bicicleta e que a NitTrans realiza eventos todos os meses do ano. No calendário da Coordenadoria de Educação para o Trânsito estão previstas ações para o Maio Amarelo e também para a Semana Nacional do Trânsito, em setembro.

Em vias grandes da cidade, cones dão a falsa impressão de segurança

Foto: Evelen Gouvêa

Irregularidades por toda a cidade 

Apesar de ser um tema amplamente discutido, sobre a necessidade de mobilidade urbana, principalmente com o uso de transportes alternativos, como a bicicleta, as ciclovias e ciclofaixas de Niterói continuam sendo área de irregularidades. Outra questão levantada pelos ciclistas, assim como a quantidade de faixas especiais, são os tamanhos disponíveis para a travessia.

Na Região Oceânica, por exemplo, trechos que recentemente ganharam a faixa especial são pouco respeitados. Em alguns casos, como no Cafubá e em Itaipu, cujas ciclovias ocupam uma faixa inteira da via, é possível ver motoristas trafegando na contramão da rua. Nem as placas e pinturas diferenciadas impedem a irregularidade. Nestes casos, coletivos pedem que a sinalização seja melhorada, incluindo a vertical.

Em outros pontos, as ciclovias viram estacionamento de veículos, como no Ingá e em São Lourenço. Também há aqueles que param por alguns minutos apenas para realizar um serviço, mas que também impedem o trânsito de bikes.

O empresário José Carlos Costa Vieira, de 42 anos, aponta que a ciclovia da Av. Roberto Silveira, uma das maiores de Niterói, não tem a largura suficiente para uma faixa de duas mãos. Desta forma, diversos acidentes ocorrem. 

“É preciso muita conscientização dos ciclistas, pois alguns extrapolam a velocidade empregada onde já existe um problema de espaço. É muito comum acidentes, todos os dias, mais até que carro nesse trecho. Não gera uma estatística porque se resolve rápido, mas sai gente machucada. É o caso de educação para todos”, afirmou.

Sobre a questão, a Prefeitura de Niterói informou que os ciclistas são orientados pelos agentes e operadores de trânsito quando flagrados em cometimento de irregularidade e em atitude que ponha em risco sua vida ou a vida de terceiros. O Departamento de Educação Para o Trânsito da NitTrans realiza continuada campanha para orientação de ciclistas sobre as normas de trânsito aplicáveis a eles, e também campanha para visibilidade e respeito aos ciclistas, orientando motoristas, motociclistas e pedestres.

Em alguns pontos, como na Rua Miguel Couto, os veículos invadem a ciclofaixa

Foto: Evelen Gouvêa

Falta de manutenção

Além da falta de implementação de novas ciclovias e ciclofaixas, a malha cicloviária de Niterói, apontam os ciclistas, sofre com a falta de manutenção das faixas e pinturas. Eles também reclamam da falta de sinalização. Representante do Pedal Sonoro, Luís Araújo afirma que um dos maiores problemas é a falta dos segregadores das ciclovias. 

“A manutenção deveria ser periódica, além de implantar novas ciclovias, o que também não acontece. Acho que o caso mais crítico são os segregadores da Roberto Silveira, que foram saindo com o tempo e hoje não existem. É uma via de trânsito rápido e apenas dizem que estão licitando, mas já tem anos. Na Rua São Lourenço e na Av. Amaral Peixoto também acontece, é o maior exemplo de negligência”, disse. 

Segundo a Prefeitura, o programa Niterói de Bicicleta recebeu contribuições através do questionário “Manutenção da Malha Cicloviária Existente”, que ficou disponível de maneira online em fevereiro de 2019. O Executivo não deu detalhes sobre o resultado deste formulário, mas disse que foram realizadas vistorias em toda a malha existente, ressaltando que a manutenção já foi iniciada em pontos como a Rua Miguel Couto, em Icaraí.

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Comentários

Paulo Gastin
Além de infraestrutura adequada para os ciclistas, também falta a muitos deles educação no trânsito. Além de muitos avançarem os sinais, outros tantos atravessam as faixas de pedesres montados em suas bikes, quando o correto é fazer atravessia as empurrando. Enfim: falta infra, mas educação também.
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