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Educação faz greve nacional contra cortes no orçamento

No Rio, concentração acontece na Candelária a partir das 15h. Niterói terá agenda cheia na Praça Arariboia

A Universidade Federal Fluminense (UFF) questiona o corte de 30% da verba repassada pelo Governo Federal

Douglas Macedo

Marcada para esta quarta-feira (15), a Greve Nacional da Educação ganhou adesão de professores, servidores e alunos de diversas universidades, institutos e escolas federais, assim como de unidades estaduais e municipais, após o anúncio de corte de verbas do Ministério da Educação (MEC) para as instituições.

Em Niterói, há programação ao longo de todo o dia, com concentração da categoria às 14h na Praça Arariboia, no Centro, em direção ao Rio. Por lá, a concentração do ato é a partir das 15h, na Candelária, e às 17h, passeata em direção à Central do Brasil. Ato também é contra a reforma da Previdência Social.

A movimentação acontece após o anúncio do ministro da Educação, Abraham Weintraub, do bloqueio de verbas do orçamento discricionário de 2019 em diversas Instituições Federais de Ensino Superior, justificada pelo governo por “balbúrdia” das instituições. Entre elas, a Universidade Federal Fluminense (UFF), com um corte de 30% dos recursos disponíveis para manutenção das atividades, como bolsas e auxílios a estudantes, energia, água, luz, obras de manutenção, pagamento de serviços terceirizados de limpeza, segurança, entre outros. O corte também chegou ao Colégio Pedro II (CPII) e ao Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (IFRJ).

Servidores, professores e alunos da UFF, uma das mais atingidas com o bloqueio de contas, se organizam para defender a instituição durante a Greve Nacional da Educação, uma paralisação de 24h, com atos espalhados pelo Brasil. O encontro do Rio de Janeiro está marcado para se concentrar às 15h na Candelária e o grupo caminhar até a Central do Brasil a partir das 17h. Em um dos eventos organizados nas redes sociais, mais de 14 mil pessoas confirmaram a presença no ato, enquanto outras 21 mil mostraram interesse.

Em Niterói, professores, servidores e alunos se concentrarão na Praça Arariboia às 14h para seguirem em direção ao Rio, na Candelária. Porém, desde às 7h, acontecerá no local o movimento “Ciência na Praça”, com apoio à importância da instituição. Também há concentração marcada para 13h no Instituto Biomédico, em São Domingos, onde será realizado oficinas de cartazes e faixas, e às 14h no Bloco D (Faculdade de Educação da UFF), no Gragoatá.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense (Aduff-SSind) organizou o ato “Eu Defendo a UFF”, na Praça Arariboia, a partir das 10h, com exposição de trabalhos desenvolvidos pela comunidade acadêmica na universidade. 

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) de Niterói também aderiu ao movimento da Greve Nacional da Educação “em defesa não apenas da nossa aposentadoria, mas para garantir o direito à aposentadoria de todas as categorias de trabalhadores/as do país”, justificou nas redes sociais. Às 10h, está marcado um “Grito da Educação de Niterói”, com trabalhadores de unidades municipais, estaduais, UFF e Colégio Pedro II. Grupo segue em direção ao Rio. A prefeitura de Niterói escolas informou que as escolas municipais estarão funcionando hoje.

O Sepe de São Gonçalo convocou a categoria para ato e panfletagem na Praça do Rodo às 13h, para em seguida, partirem juntos em direção ao Rio. O sindicato pede que  cada participante leve um livro para ser doado à população. 

A Subsecretaria de Ações Pedagógicas de SG afirmou que o município respeita o servidor público, que tem o direito de aderir ou não à greve nacional, mas por outro lado garante e protege o direito dos alunos. As escolas que por ventura venham aderir a greve terão que fazer a reposição da hora/aula, para não prejudicar o calendário escolar. 
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, campus Niterói, também entrou no movimento. O encontro para a recepção da comunidade interna e externa (alunos, servidores, responsáveis) está marcado para início às 8h30 na sede no Sapê. Após aulas de filosofia, sociologia, argumentação e confecção de cartazes, o grupo segue para a Praça Arariboia, onde 13h, farão uma aula pública. O movimento segue em direção ao Rio para unificar o ato. Os alunos devem estar uniformizados e devem levar um livro pra ser levantado na hora do ato.

Os estudantes do campus São Gonçalo do IFRJ organizaram uma mostra de trabalhos realizados no campus, além de uma oficina e aula pública sobre a Reforma da Previdência, na Praça Dr Luiz Palmier, a partir das 9h. O objetivo é sensibilizar a comunidade sobre os prejuízos do bloqueio de orçamento. Em seguida, os estudantes seguem para a Candelária. Sobre o funcionamento das unidades estaduais, o Governo do Estado não se manifestou até o fechamento desta edição. A Universidade Federal Fluminense (UFF) também não respondeu aos questionamentos.

Manifestação – No último dia 8, um movimento unificado levou estudantes, servidores, professores e apoiadores da UFF às ruas de diversas cidades do estado para demonstrar a importância da instituição para a educação. Segundo os organizadores do movimento, só em Niterói foram mais de 20 mil pessoas. Também houve atos em Campos, Macaé, Nova Friburgo, Volta Redonda, Pádua, Angra e Rio das Ostras. (Com Lucas Schuenck) 

Chico D’ângelo e Carlos Jordy afirmaram que querem o melhor para a UFF

Reprodução de Internet / Evelen Gouvêa

Reitor recorre a deputados federais

Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), uma das unidades afetadas com o corte de 30% na Educação, anunciados pelo ministro Abraham Weintraub, está, desde a última semana, em Brasília, se reunindo com parlamentares do Leste Fluminense.

Nóbrega também pretende conseguir uma reunião com o próprio ministro, na qual apresentará suas reivindicações.  

O reitor se reuniu com parlamentares de situação e de oposição. Na última semana, o deputado federal niteroiense Chico D’ângelo (PDT) o recebeu em seu gabinete. D’ângelo afirmou que está à disposição de Nóbrega para ajudar no que for possível.

“Eu disponibilizei o meu mandato para auxiliar nos cortes no que diz respeito à UFF. Irei contribuir no que for possível”, afirmou o parlamentar.

Já nesta terça-feira 914), foi a vez do também niteroiense e vice-líder do governo na Câmara Carlos Jordy (PSL) receber Nóbrega em seu gabinete. No encontro, Jordy frisou que a intenção com os cortes não é prejudicar a instituição, mas sim fomentar os bons projetos da universidade.

“Muitas universidades já estão em sintonia com o governo federal, nossa prioridade é evitar o desperdício de dinheiro público, para que não seja utilizado de forma irresponsável por instituições de ensino com atos políticos e balbúrdias”, declarou.

Segundo a assessoria de imprensa do reitor, a reunião com Abraham Weintraub, ministro da Educação, ainda não aconteceu. Há a expectativa de que hoje, após uma audiência pública no Congresso sobre os cortes, os pedidos para que o encontro aconteça sejam atendidos. Nóbrega também estará presente na audiência pública.

Alerj: reunião com Maia

A Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj, presidida pelo deputado estadual Waldeck Carneiro, realizou nesta terça-feira (14), no plenário da Casa Legislativa, a sexta audiência pública desta legislatura. Os presentes discutiram os desafios e as perspectivas, bem como as demandas das universidades e dos institutos federais, principalmente com relação ao corte de 30% do orçamento anunciado pelo Ministério da Educação. O deputado Waldeck propôs, na audiência, a viabilização de uma Frente Parlamentar em Defesa da Educação, Ciência e Tecnologia, com presença de diversas comissões da Alerj, dos reitores das universidades e do presidente da Alerj, André Ceciliano, para uma reunião com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, a fim de tentar reverter o processo de corte orçamentário nas universidades federais do Rio. 

Waldeck destacou o desmonte, promovido pelo Governo Federal, da educação pública no país. “Estamos na luta por uma educação livre, crítica e emancipada. As universidades são locais vocacionados para a pluralidade de ideias. Os cortes no orçamento destas instituições federais ferem a estratégia de construção de um país soberano que se baseia na pesquisa, na inovação e no conhecimento. Sem investimento em ciência, pesquisa, tecnologia e inovação não temos isso. Se não revertermos este processo, não haverá condições de funcionamento, por exemplo, da UFF, onde sou professor”, afirmou o deputado no evento. 

Participaram do encontro o reitor da UFRJ, Roberto Lehrer; o reitor da UFRRJ, Ricardo Berbara; o reitor eleito da Uni-Rio, Leonardo de Castro; o vice-reitor da UFF, Fábio Passos; o reitor do IFRJ, Rafael Almada; o reitor do IFF, Jefferson Azevedo; o reitor do Colégio Pedro II, Oscar Hallac; o reitor da UENF, Luís Passoni; bem como representantes da UERJ, da UEZO, da FAETEC, da FAPERJ e da Fundação CECIERJ, além de outras entidades.

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