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Moradia: famílias do Preventório e Peixe Galo vão receber R$ 800

Pessoas que tiveram casas interditadas definitivamente ganharão benefício mensal durante um ano

Morro do Preventório, em Charitas

Evelen Gouvêa

Após pressão popular, a Prefeitura de Niterói anunciou que vai enviar uma mensagem executiva à Câmara de Vereadores da cidade para pagar um benefício assistencial, no valor de R$ 800, a famílias que tiveram casas interditadas definitivamente no Morro do Preventório, em Charitas, e nas localidades do Peixe Galo e Salinas, em Jurujuba, no final de novembro.

Famílias desabrigadas, que estão alojadas de maneira precária no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), cobram uma garantia de moradia e afirmam que o valor não cobre o aluguel de uma casa na comunidade. Segundo a prefeitura, o projeto de lei foi enviado nesta quinta-feira (06) para a Câmara de Vereadores.

Quando as casas foram interditadas, no final de novembro, o Executivo Municipal havia informado que apenas cadastraria as famílias que tiveram suas casas interditadas para que o Governo do Estado efetuasse o pagamento do aluguel social no valor de R$ 400, diferente do que havia sido feito na tragédia do Morro Boa Esperança, na Região Oceânica.

Após a morte de 15 pessoas no deslizamento de um maciço, no início de novembro na comunidade de Piratininga, a prefeitura pediu a aprovação de um Projeto de Lei que possibilitou o pagamento de um benefício assistencial de R$ 1.002,00 a, pelo menos, 24 famílias, durante um ano.

Até o fechamento da edição, a Prefeitura de Niterói não respondeu quantas famílias de Charitas e de Jurujuba poderão ser contempladas com a medida.

Cristiane Pereira da Silva, de 34 anos, é uma das pessoas que tiveram a casa interditada no Preventório

Evelen Gouvêa

Famílias – Desde que tiveram suas casas interditadas, famílias do Morro do Preventório estão alojadas no Cras da comunidade. No total, são 43 pessoas, sendo 21 crianças. A Prefeitura de Niterói disponibilizou cinco abrigos municipais. Além das pessoas no Cras, algumas famílias decidiram voltar para suas casas, mesmo interditadas, por alegarem não ter para onde ir. Segundo os moradores, são 53 residências interditadas na comunidade de Jurujuba.

“Nós ficamos sem saber de nada. Não temos apoio psicológico, estamos todos dormindo de maneira improvisada, com doações. O aluguel social tem um prazo para acabar, não estamos aqui porque queremos, nós precisamos de uma garantia de moradia, ter nossa casa de novo, não queremos passar as festas de final de ano aqui”, apontou Cristiane Pereira da Silva, de 34 anos, antiga moradora da área da Colômbia, a área mais atingida pelos deslizamentos da chuva.

Ainda de acordo com as famílias atingidas, o valor a ser pago pela prefeitura não é o bastante para pagar o aluguel de uma residência na comunidade. As famílias estão dormindo no andar térreo do Cras com colchões improvisados. Nesta semana, um chuveiro foi doado para o único banheiro disponível. O banho era realizado através de uma pia. De acordo com os moradores, os alimentos em estoque devem durar apenas por esta semana.

Até o fechamento da edição, a Prefeitura de Niterói não havia respondido quantas casas estão interditadas no Morro do Preventório e nas comunidades do Peixe Galo e Salinas, em Jurujuba, outra área atingida durante as chuvas do final de novembro. O Executivo não disse se o trabalho de vistoria das residências da Defesa Civil continua nas comunidades.

Além disso, a prefeitura não respondeu quando divulgará o estudo que mapeou as áreas de risco da cidade e nem como está classificado o Morro do Preventório. Obras de contenção também não foram informadas.

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