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Famílias temem não ter onde morar

Quatro meses após tragédia que matou 15 pessoas no Morro da Boa Esperança, destino de sobreviventes ainda é incerto

Meses após deslizamento, máquinas continuam no local da tragédia

Foto: Douglas Macedo

Quatro meses após a tragédia em que morreram 15 pessoas no Morro da Boa Esperança, na Região Oceânica de Niterói, equipes da prefeitura continuam realizando a limpeza do terreno. As obras de contenção da encosta, no entanto, seguem sem data para começar e os desabrigados ainda estão sem as novas moradias prometidas pela prefeitura. 

Logo depois da tragédia, em novembro passado, o prefeito Rodrigo Neves prometeu entregar às famílias um apartamento no empreendimento Vivendas do Fonseca, na Zona Norte de Niterói. Depois de alguns meses de atraso, o condomínio, que faz parte do Programa Minha Casa Minha Vida, foi entregue, mas os moradores do Morro da Boa Esperança ficaram de fora por conta de um imbróglio entre a prefeitura e o Ministério do Desenvolvimento Regional, responsável pelo empreendimento.

Além disso, a Associação de Moradores do Boa Esperança afirma que as famílias atingidas não querem ir para o Fonseca ou outro bairro longe da comunidade, sugerindo o encaminhamento para outro empreendimento em construção em Pendotiba.

“O apartamento ainda é uma luta grande. Os profissionais que estudaram o terreno informaram que não era possível fazer as moradias no local do deslizamento, pois o espaço não é suficiente, não tem estrutura”, diz a presidente Clemilda Santos Cerqueira. 

A Prefeitura informou que a Defesa Civil interditou 62 imóveis e demoliu 36, e que emitiu alertas de risco para moradores de imóveis que apresentam alguma avaria ou problema externo, como vazamento de água ou acúmulo de vegetação, que podem levar a um risco de desabamento do imóvel. É um alerta para que os proprietários tomem as devidas providências para evitar que isso aconteça. 

Reunião é marcada 

Sem definição do poder público, desabrigados pela tragédia temem ficar sem ter onde morar. Segundo a Associação de Moradores do Morro da Boa Esperança, na próxima segunda-feira (11), a comunidade se reúne com o secretário municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Beto da Pipa, para cobrar providências.

“Minha preocupação é que o benefício da Prefeitura para as famílias é pelo período de 12 meses. Caso eles construam uma nova moradia mais próxima ou encaminhem para outro empreendimento, vai ficar pronto dentro desse ano? Se não, os moradores vão continuar sendo contemplados?”, questiona Clemilda, referindo-se ao benefício assistencial de R$ 1.002 da Prefeitura. 

A Prefeitura confirma que o valor será pago até dezembro deste ano e que está providenciando imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida para essas famílias, mas não confirmou a informação sobre o empreendimento de Pendotiba.

A Prefeitura informou ainda que a Emusa está fazendo o desmonte de blocos rochosos que ofereciam o risco de queda da encosta. O prazo para encerrar este desmonte feito em caráter emergencial é de seis meses, contados a partir de 21 de janeiro. Após esta etapa será analisada a necessidade de outro tipo de intervenção e definição sobre a melhor forma de ocupação da área. 

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Comentários

Claudio Wurthz
E logo após a conclusão das obras , novos barracos serão construídos no local, com o poder público fazendo vista grossa e fingindo-se de morto.
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