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Firjan diz que a diversificação de serviços é saída para setor naval

Estudo do órgão mostra que custos com impostos, salários, energia, transporte e logística ainda atrapalham a competitividade

Capacidade da indústria naval fluminense é grande, porém, ainda depende de incentivos e precisa buscar novos rumos

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Na última terça, com a participação de entidades e empresas do setor naval, a Firjan apresentou o Panorama Naval no Rio de Janeiro, documento que avalia o potencial, as perspectivas e oportunidades para o setor até 2030. Como resolução, o documento apontou boas perspectivas para o estado não apenas pela previsão de ser impulsionado pelo atendimento da demanda de petróleo e gás, mas através da proposta de diversificação dos serviços como forma de garantir a independência da indústria naval em relação ao petróleo.

No que toca à Região Leste Fluminense, a equipe técnica da Firjan destaca uma vantagem considerável frente a outras regiões, ainda distantes de trabalharem na área de petróleo e gás. O estudo aponta, por exemplo, que as unidades estacionárias de produção de petróleo e gás (UEP) apresentam “excelentes indicadores de competitividade global”. Entretanto, ainda segundo o material, outras áreas de atuação da indústria naval possuem “bom potencial competitivo a ser desenvolvido, como nos casos de reparo e manutenção, construção de embarcações de apoio à atividade de exploração e produção de petróleo, entre outros”.

Luiz Césio Caetano, Presidente da Firjan Leste Fluminense, afirma que municípios da região podem ser beneficiados com a nova fase do setor.

“Nós temos que diversificar a questão naval, impulsionada pelo setor de petróleo e gás. Niterói, por exemplo, é o berço da indústria naval, da construção de embarcações. O que este estudo revela é que podemos nos capacitar para sermos protagonistas no fornecimento de serviços, o que abre uma nova gama de oportunidade de negócios”, declara.

Offshore – Esta diversificação pode ser caracterizada por demais atividades que podem alavancar o desenvolvimento da capacidade da indústria naval fluminense. O Estado do Rio, segundo o estudo, é um dos maiores mercados consumidores do país e está na “região nó das atividades de importação e exportação”. Ainda segundo o documento, por este motivo, é imperativo que a região possa prestar o atendimento às embarcações voltadas ao comércio exterior como viés de atuação do estado, que ficam ancoradas na Baía de Guanabara, por exemplo. 

Caetano acredita que, para além dos bordões tradicionais sobre os potenciais da região, novas potencialidades ficam cada vez mais evidentes com o passar dos anos.

“Na área, se fala muito que Niterói, por exemplo, tem um grande potencial naval. Temos que passar a falar que a cidade tem um grande potencial offshore. Chegamos à conclusão de que a indústria naval está habilitada também a outros fornecimentos, para além da construção naval”, explica.

O potencial também pode ser ampliado para atender, segundo o documento apresentado na terça-feira, o setor do turismo e da defesa. Isto é justificado, segundo a Firjan, pelo fato de o litoral do Rio de Janeiro, por si, já ser um dos principais destinos turísticos do país e o estado, por sua vez, também ser caracterizado como polo da defesa marinha por apresentar “o maior e mais capacitado parque da indústria naval do país”, além de ser a sede da Marinha do Brasil. 

Caetano, porém, comenta os dois casos recentes nos quais os governos estadual e federal compraram embarcações, um para transporte de passageiros e outro uma unidade de estudo marítima para a Universidade Federal Fluminense (UFF). As duas, entretanto, foram produzidas no Ceará.

“Eu não tenho dúvidas de que nos dois casos as embarcações poderiam ter sido produzidas aqui. Nós ainda temos, entretanto, pouca competitividade. O Rio, como um todo, não tem vencido nenhuma proposta de construção naval. O estado é caro em impostos, salários, energia, transporte e logística. Temos a mão de obra mais cara do Brasil e estes são fatores complicadores”, lamenta.

Dragagem do Canal de São Lourenço deve alavancar ainda mais o setor

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Niterói desponta como uma das principais forças 

O estudo realizado pela Firjan também segmentou ações de duas prefeituras do Leste Fluminense que vêm promovendo ações voltadas para o setor. Segundo Caetano, as atuações nas esferas executivas municipais são fundamentais para que a área prospere.

“As prefeituras precisam atuar neste setor. É preciso superar alguns gargalos e atuar em defesa de interesses junto aos órgãos federais, que têm ingerência sobre isto. A articulação política, somada ao auxílio de instituições como o Sebrae e a Firjan é benéfica para a região”, afirmou.

Em Niterói, o setor do petróleo e gás está diretamente ligado à balança comercial do município. A Cidade Sorriso é a segunda do país no recebimento de royalties do petróleo. No ano de 2017, por exemplo, o setor de combustíveis e lubrificantes movimentou R$ 775 milhões de dólares em exportações no local, representando 73% do total de exportações do ano. Já no que diz respeito às movimentações no emprego formal, ainda no ano passado, 11,5% de todos os empregados do segmento estavam localizados em Niterói, que sagrou-se a terceira maior detentora destes empregos, ficando atrás apenas de Macaé e Rio de Janeiro no país. 

A Secretaria de Fazenda acredita que há sinais de melhora no setor naval. Quando comparado com o ano anterior, em 2017 houve um crescimento da ordem de 55% e, no período de janeiro para maio do mesmo ano, houve uma forte retomada de serviços desse setor, representando um crescimento de 178%. A prefeitura declarou que a média mensal do faturamento das empresas, segundo a receita de serviços tributados pelo ISS, foi de R$ 46 milhões de reais em 2017.

Novas empresas – como resolução propiciada pelo Plano Niterói que Queremos 2033, lançado em 2014 pela prefeitura, atividades de incentivos à formalização de Micro Empreendedores Individuais (MEIs); implantação da Sala do Empreendedor entre outros benefícios para micro e pequenas empresas, propiciaram, em 2017, o crescimento de 14% nas empresas do setor naval. 

Ainda como propostas da cidade para o setor, estão previstas entregas que serão fundamentais para melhorar ainda mais o ambiente de negócios do município, como a dragagem do Canal São Lourenço, atualmente em fase de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), que propiciará o restabelecimento da circulação hídrica no porto de Niterói; Projetos de Acesso Urbano na Ilha da Conceição, para facilitar o fluxo de entrada e saída no porto de Niterói; Centro de Formação Técnica e Capacitação Profissional, que utilizará escolas técnicas já existentes para propiciar formação específica para o setor; entre outras.

Reformado, aeroporto de Maricá foi capacitado para operações offshore

Foto: Gabriel Reis/Prefeitura de Maricá

Maricá: aeroporto é infraestrutura

Também em linha com o diagnóstico da Firjan, Maricá é a cidade que mais arrecada royalties do Pré-Sal no Brasil, possuindo localização privilegiada: está a 60 km da cidade do Rio de Janeiro, a 40 km do Comperj e a apenas 200 km, em linha reta, dos campos do Pré-sal. Geograficamente, é a menor distância entre o continente e as plataformas dos Campos de Lula e Libra, o que a torna estratégica para as operações de logística do setor.

A prefeitura, por meio da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), também está investindo pesado em infraestrutura a partir do estabelecimento do chamado Planejamento Inteligente e Integrado com projetos e metas para alcançar o objetivo de tornar Maricá o novo polo de desenvolvimento logístico, industrial e tecnológico, referência no estado e no país. 

Investindo forte em infraestrutura, o Aeroporto Municipal de Maricá acaba de ser totalmente reformado e já é capacitado para operações offshore e aviação executiva com uma pista útil de 1.200 metros. Como benefício para o mercado, a unidade possui o menor serviço de hangaragem, tendo 1.500 m² de espaço interno, sendo habilitado para comportar os maiores veículos utilizados pelo setor.

Para o final deste ano, no aeroporto, estão previstos os sistemas de Balizamento Noturno, intitulado Estação Prestadora de Serviços de Telecomunicação e de Tráfego Aéreo (EPTA) e o de Voo por Instrumento (IFR) para aeronaves de asa rotativa. As próximas entregas do aeroporto, previstas para o próximo ano, contemplam ainda a ampliação do pátio, a construção de novos hangares, ampliação do estacionamento, construção do acesso direto à RJ-106, entre outras.

Retomada das obras do Complexo pode ajudar a desenvolver a região

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Comperj ainda tem importância  

Caetano ressalta ainda que a retomada do Comperj, ainda que em fase inicial, é de extrema importância para o setor. Apesar de admitir que o impacto, neste momento, não será grande em termos de economia, a partir da retomada da refinaria será possível constatar grande alavancagem da economia local.

Em outubro, a Petrobras e a China National Oil and Gas Exploration and Development Company (CNODC) assinaram um Acordo Integrado de Modelo de Negócios, avançando na Parceria Estratégica para a retomada do pólo. Conforme previsto no acordo, no momento estão sendo desenvolvidos estudos de viabilidade para avaliação técnica do estado atual do Comperj, planejamento do escopo e dos investimentos necessários à conclusão da refinaria e sua avaliação econômica.

Uma vez quantificados os custos e benefícios do negócio, pretende-se formar uma Joint Venture, que será responsável pela conclusão do projeto e pela operação da refinaria, com 80% de participação da empresa brasileira e 20% da chinesa.

O Acordo também prevê a criação de uma Joint Venture no segmento de Exploração e Produção, que contará com a participação de 20% da CNPC no cluster de Marlim (concessões de Marlim, Voador, Marlim Sul e Marlim Leste) na Bacia de Campos, ficando a Petrobras com 80% de participação e mantendo-se como operadora.

O petróleo pesado produzido no cluster de Marlim tem características adequadas à refinaria do Comperj, projetada para processar este tipo de óleo, com alta conversão.

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