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Funcionários denunciam racismo em condomínios de Niterói

Somente em março, pelo menos dois casos foram registrados na cidade

Faxineiro, de 63 anos, denunciou o caso após anos de agressões

Foto: Marcelo Feitosa

Funcionários de um prédio na Rua Luiz Leopoldo Pinheiro, no Centro de Niterói, têm sido vítimas de agressões e racismo por parte de um morador. O caso foi registrado na 76ª DP (Centro) depois que as câmeras de segurança do prédio registraram o faxineiro do edifício, de 63 anos, sendo agredido com chutes e gestos obscenos pelo acusado.

Indignada, uma vizinha do acusado e moradora do prédio há 14 anos, afirma que os atos de violência do morador em relação ao funcionário já acontecem há bastante tempo, mas que somente essas filmagens, realizadas no último dia 27 de fevereiro, puderam servir de prova para que uma denúncia fosse feita.

“Eu estava com minha neta esperando uma colega dela chegar aqui em casa. Ficamos olhando a câmera da portaria quando vi essa cena de agressão. Fiquei chocada mas feliz em saber que agora existia uma prova desse absurdo que a gente já sabia que acontecia. Então, fui a delegacia com o funcionário para registrar a queixa no último dia primeiro”, lembra a dona de casa.

O acusado possui um enorme quantidade de gatos em casa, o que, segundo a vizinha, provoca um mau cheiro que chega até ao seu apartamento. Segundo ela, uma das razões das brigas é ele achar que o funcionário tem que recolher os detritos dos seus animais.

“Ele chuta o balde quando o funcionário está limpando o corredor, xinga ele. O condomínio disse que iria notificá-lo mas até agora nada. Os funcionários, por sua vez, estão com medo de perder o emprego. Só eu estou ajudando levar isso adiante, não quero me omitir, é uma questão de princípios. Perto de mim eu não vou deixar isso acontecer”, desabafa a moradora.

E foi justamente uma visita da Vigilância Sanitária, acionada há cerca de seis anos atrás, que motivou o início das desavenças entre o morador e o funcionário. O faxineiro acredita que ter acompanhado o agente de saúde até o apartamento motivou ele estar sendo perseguido pelo morador desde então.

“Trabalho aqui há 16 anos e desde essa denúncia ele começou a me agredir. Eu estou aqui apenas trabalhando, só fui acompanhar o agente porque me mandaram, mas ele não entende isso, diz que sou morador de comunidade, que ponho a segurança do prédio em risco, faz gestos obscenos para mim até no meio da rua. Me chama de favelado, corno, macaco. Essa agressão filmada nem foi a maior que ele cometeu contra mim, mas eu só quero que ele pare e me deixa trabalhar em paz”, lamenta o trabalhador.

Além do faxineiro, um funcionário da portaria do prédio também afirma que é vítima de racismo e agressões verbais feitas pelo mesmo morador.

Infelizmente esse não é um caso isolado. Na última sexta (22) mais um funcionário de prédio residencial, dessa vez em Icaraí, registrou ocorrência na 76ª DP (Centro) afirmando ser perseguido por um morador. Apesar da ocorrência não especificar o ato como racismo, também se trata de um trabalhador de cor negra.

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