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Golfinhos dão show nas águas cristalinas da Praia de Itaipu

Animais fizeram a alegria dos frequentadores

Golfinhos passeavam nas águas da Praia de Itaipu na manhã desta quarta-feira (04)

Foto do leitor Paulo Oberlander

Neste verão, a Praia de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, tem sido palco de um espetáculo da natureza. Se diariamente as garças e tartarugas vêm compondo o cenário, nesta quarta-feira (4) pela manhã foi a vez de um grupo de golfinhos oceânicos completar a atração, fazendo a alegria de surfistas, banhistas e frequentadores que estavam no local.

De acordo com a especialista Liliane Lodi, pesquisadora associada do Instituto Mar Adentro e do Projeto Baleias & Golfinhos do Rio de janeiro, os animais são da espécie Sotalia Guianensis (boto-cinza) e Tursiops truncatus (golfinho flíper). 

A pesquisadora informou que o aparecimento destes mamíferos nessa época do ano é algo extremamente normal, principalmente quando há comida.

“Visitas como essas podem ser cada vez mais frequentes desde que haja disponibilidade de alimentos no mar para eles, como estamos vendo agora diante da abundância de grupos por toda a costa”, explicou.  

Liliane ainda ressaltou a importância da limpeza das águas.

“Não tem fórmula mágica, mar limpo e comida – Golfinho na certa”, afirma. 

Segundo o professor de stand-up Paulo Oberlander, de 43 anos, que registrou os animais, três vezes ao mês os golfinhos aparecem. 

“Umas duas ou três vezes no mês, costumo ver vários golfinhos na orla da praia de Itaipu. Acredito que por ter muitos peixes no local, eles passam para se alimentar”, comentou Oberlander, que ministra aulas de SUP nas praias de Itacoatiara e Itaipu e sempre registra imagens de animais marítimos na orla da cidade e divulga nas redes sociais.

Ações – Para que eventos como esse se tornem cada vez mais frequentes na orla da cidade, a Prefeitura de Niterói e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) estão realizando importantes ações. Para o ano de 2017, o objetivo é melhorar a preservação na região, através de um novo Plano Diretor da cidade. 

A Prefeitura anunciou que está nos projetos do poder municipal “concretizar o plano de saneamento ambiental junto à comunidade, que inclui o tratamento do esgoto, distribuição de água, drenagem e gestão de resíduos sólidos na região; a manutenção do ordenamento da praia, através de ações integradas da Neltur, da NitTrans e da Seop; a continuidade de projetos de restaurações ecológicas, realizadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade”.

O Programa Região Oceânica Sustentável (PRO-Sustentável), que recebeu financiamento com o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina, no valor de R$ 350 milhões, realizará obras de infraestrutura, drenagem, pavimentação e mobilidade na Região Oceânica, além de desenvolvimento sustentável e recuperação ambiental.

Atualmente a praia está inserida na Reserva Extrativista Marinha de Itaipu, que compreende a área marinha adjacente às praias de Itacoatiara, Itaipu, Camboinhas e Piratininga e a Lagoa de Itaipu.

Censo de animais na área da Baía de Guanabara

Desde o ano de 2008, um amplo programa de monitoramento ambiental vem diagnosticando os atributos ambientais da área mais preservada da Baía de Guanabara, desde água subterrânea até análises meteorológicas, passando pela qualidade dos rios e a biodiversidade existente. Este monitoramento vem revelando a extrema importância da conservação ambiental deste pedaço da Baía de Guanabara ainda desconhecido por muitos.

Os estudos revelaram a existência de 242 espécies de aves, 167 espécies de peixes (sendo 81 marinhos e 86 fluviais), 34 espécies de répteis e 32 espécies de mamíferos, que habitam o mangue, as florestas alagadas, os rios e o mar fundo da Baía de Guanabara.

 Deste censo merecem evidência o boto-cinza, espécie mais ameaçada, com pouco mais de 30 animais restantes, em vista de extinção local, o gato mourisco (espécie de felino de pequeno porte), a lontra e uma diversidade imensa de aves, algumas em risco de extinção, como o pato-do-mato, a biguatinga e outras espécies migratórias do hemisfério norte, tais como trinta-réis-de-bando e trinta-réis-real.

 A biodiversidade aquática também merece destaque. Estima-se que mais de 2.000 famílias vivam diretamente da pesca existente na Baía de Guanabara nos dias de hoje. Grande parte dos peixes e crustáceos de valor comercial, tais como tainhas, corvinas, robalos, camarão, siri e caranguejo, são encontrados neste espaço da Baía de Guanabara, que por muitos já é conhecido como a Arca de Noé, onde, um dia, com a Baía de Guanabara despoluída, toda a sua biodiversidade renascerá.

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