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Itacoatiara: preservação da restinga segue sem desfecho

Sem aval do Inea, prefeitura não pode iniciar os trabalhos na região que teve parte da cerca trocada pela Soami

Segundo a Soami, a troca experimental de parte da cerca foi autorizada pelo Instituto Estadual do Ambiente

Evelen Gouvêa

Moradores de Itacoatiara, na Região Oceânica da cidade, buscam uma solução para o estado atual da Restinga presente na praia do bairro. Sem a autorização por parte do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), para que a prefeitura passe a cuidar da vegetação nativa, o projeto de intervenção elaborado pela Sociedade de Amigos e Moradores de Itacoatiara (Soami) não pode ser executado. As intervenções estavam inicialmente planejadas para serem realizadas no início de setembro. Enquanto o projeto não sai do papel, a Soami já realizou uma intervenção, que segundo a Sociedade foi autorizada pelo Inea, a troca de forma experimental de parte da cerca que delimita a área da restinga. 

O presidente da Soami e arquiteto Eugênio Schitine comenta sobre o modelo de cerca a ser implantado no local. 

“O modelo a ser implementado já é comum nas restingas presentes na cidade, como as de Piratininga e Itaipu, mas, nos últimos tempos, realizamos testes para ver o comportamento do ecossistema”, destacou Schitini. 

O crescimento da vegetação, bem como a degradação da paisagem a partir do lixo deixado no espaço da Restinga são apontados pelas pessoas que transitam na Avenida Beira-Mar, em frente à orla da praia, como os principais problemas. 

O presidente Schitine comenta sobre a necessidade da aprovação do projeto.

“Qualquer mudança a ser realizada na área necessita de uma autorização expressa. Este projeto é uma continuação de uma ação realizada há 10 anos atrás. Naquele momento, foram retirados cerca de 80 caminhões apenas com entulhos”, comentou Schitine.

A empresária Gabriella Thinnes, de 31 anos, faz suas caminhadas pelo trecho próximo à orla e comenta que ainda que funcionários da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) façam uma limpeza cotidiana no trecho da praia, ainda não é o suficiente para resolver os problemas de manutenção presentes na região.

“O que percebo são pequenas ações que ocorrem em tempos espaçados, mas que não consistem em um projeto de cuidado para a região. A colocação da cerca, por exemplo, foi uma boa medida, mas com o passar do tempo, a má conservação fez com que, por exemplo, em determinados pontos, as estacas de madeira caíssem no chão e as cordas ficaram retiradas”, comenta Thinnes.

A administradora Patrícia Azaña, de 48 anos, é contrária a determinadas ações pretendidas pela associação de moradores, mas entende que alguma ação por parte do poder público deve ser realizada.

“O ideal é que se recupere a Restinga para seu estado natural, no qual os animais ali presentes também possam conviver tranquilamente no local”, colocou Azaña.

Projeto – Em resumo, o chamado Projeto Executivo do Programa de Restauração e Conservação da Restinga de Itacoatiara prevê a poda da vegetação considerada invasora, o replantio das espécies nativas do local e um novo modelo de cerca ali colocado, já que o atual – com o uso de cordas – não é o suficiente para conter invasões ou despejo de lixo.
Procurado, o Instituto Estadual do Ambiente informa que está analisando o projeto em questão.

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Comentários

rafael fontes andrad
A SOAMI,Sociedade de Amigos e Moradores de Itacoatiara, quer cuidar da restinga, porém assim que as plantas assumem uma certa altura são cortadas para não "atrapalhar" a visão das casas!!!! Tanta HIPOCRISIA! Disfarçando interesse próprio, esse é o povo brasileiro!!!!
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